Sejam vigilantes

Estamos encerrando o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei e começando o caminho do Advento, tempo encantador que culminará com a Solenidade da Encarnação do Filho de Deus. Advento é o tempo que retoma a visita do Senhor à humanidade. A primeira vez se deu em Belém, Ele apareceu na Terra e conviveu com os homens. A segunda vez acontece hoje, pois o Senhor nos visita continuamente e caminha ao nosso lado. A terceira vez acontecerá no final dos tempos, para julgar os vivos e os mortos. Na missa, rezamos o prefácio do Advento, que diz: “Revestidos de nossa fragilidade, Ele (Cristo) veio, primeiramente, para realizar seu eterno plano de amor e nos abrir o caminho da salvação. Revestido de sua glória, Ele virá uma segunda vez para nos conceder em plenitude o que hoje, vigilantes, esperamos”. Na Oração do Dia, reza-se dizendo: “Acorrendo com nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos”; “que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida”. Por isso, devemos estar atentos e vigilantes para o encontro com o Senhor.

O evangelista Marcos apresenta Jesus exortando-nos a ficarmos atentos e vigilantes diante das responsabilidades que nos foram confiadas, bem como para não sermos tomados pelo sono que nos deixa totalmente indiferentes e preguiçosos.     

Em meio a tantas incertezas, dificuldades e mentiras, é preciso ter atenção e cuidado. Não podemos nos deixar ser tomados pela distração e pela superficialidade. Vale a pena um olhar focado no outro para ouvir seu grito e enxugar suas lágrimas e, também, descobrir suas qualidades humanas e espirituais. No outro, encontramos feridas a serem curadas, dons a serem valorizados e sempre um(a) companheiro(a) para nos ajudar a carregar a carga que pesa a cada dia. Esse olhar atento no entorno do pequeno espaço que ocupo, bem como no horizonte infinito do mundo que me envolve, me leva a compreender que ali o Senhor me colocou para cuidar da vida.

Para a melhor compreensão sobre a necessidade de estarmos sempre vigilantes, Jesus faz referência à figura do porteiro. Ele está atento a quem entra e a quem sai e cuida para que a vida dos que estão sob sua responsabilidade esteja em segurança. À luz do Evangelho, quem aceita o convite de vigiar não pode se deixar dominar pelo sono da falta de esperança, pela preguiça e indiferença. Não é só o vigia, porém, o responsável por tudo, pois o Senhor deu a cada um sua tarefa, e se é tarefa é para trabalhar. Quem dorme ou cochila na vida permite que a casa seja invadida por tantas coisas erradas que nos deixam marcas profundas. Assim, o cristão deve estar atento para com tudo o que está acontecendo ao seu redor, e, por meio de iniciativas, encher a casa de Deus de boas obras, fazendo surgir os primeiros raios da aurora definitiva que é o Cristo Senhor.   

O profeta Isaías relata como o povo se desviou do caminho do Senhor e as consequências disso tudo. “Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas obras são como pano sujo; murchamos todos como folhas, e nossas maldades nos empurram como vento. Assim mesmo, Senhor, tu és nosso Pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obras de tuas mãos.” A imundície e toda sujeira fizeram com que o povo perdesse sua terra, seu templo e fosse deportado para outro país, sendo tratado como escravos. No entanto, dessa sujeira Deus fará uma obra maravilhosa, e o sonho do povo escravo vai se realizar: o céu se romperá e Deus armará tenda em nosso meio. Advento é tempo de nos limpar de nossas imundícies e deixar que do barro que parecia sujeira Deus faça em nós uma obra maravilhosa. 

Para quem se acha confortável por estar muito atento, acordado para com as “coisas do Senhor”, vale a advertência trazida por Paulo, que havia percebido que a comunidade de Corinto tinha perdido o entusiasmo inicial, recaindo nos vícios da vida passada. Ele lembra que a comunidade fora enriquecida “em toda palavra e em todo conhecimento”, mas que era preciso “perseverança num procedimento irrepreensível”. Os acontecimentos da vida, a ação pastoral, estão sempre a nos desafiar a ter atitudes novas de superação com criatividade. É perigoso deixar ser engolido pela rotina, pelas coisas de sempre que não respondem satisfatoriamente às novas exigências, pois “vinho novo se põe em vasilhas novas”. E, se quisermos fazer as mesmas coisas, que as façamos de um jeito diferente e melhor para continuarmos como sentinelas comprometidos nas tarefas que o Senhor nos confiou. 

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