Todos nós fazemos a experiência de perder alguém: ou porque já não está nesta vida ou porque se distanciou de nós. As duas são situações de grande sofrimento. Podemos dizer, o maior sofrimento da vida. A nossa dor é ainda mais intensa quando nos damos conta de ter perdido não só a pessoa que amamos, mas que, por incapacidade nossa, ignorância ou incompreensão da nossa parte, a perdemos enquanto estávamos ainda com ela. Não dissemos, não respeitamos, não amamos como deveríamos ter feito. Que dor…
A fé, porém, – a aceitação consciente de que Jesus existe, é nosso amigo e quer sempre nos ajudar, pois foi para isso que Ele veio: para nos salvar de nossos pecados e erros – nos ensina uma outra realidade.
Nós fomos naturalmente feitos para possuir, e o desejo, a necessidade de possuir os outros e as coisas (o desejo mais forte é o de possuir quem amamos) é um desejo legítimo e conforme a nossa natureza. Então, qual seria o problema? Não é a necessidade de possuir, mas a possessividade que surge em nós insuflada pelo demônio, o pai da mentira que nos faz “pensar” que perderemos quem amamos. O demônio nos cega e nos faz cair no medo de perder a pessoa amada. Aí, e só aí, presos pela ilusão que nos cega de que vamos perder a pessoa amada, tentamos “agarrá-la” e “prendê-la” a nós. Quem nos tira dessa ilusão? Quem não nos faz perdê-la para sempre, mas nos permite possuir de verdade a pessoa que amamos? Jesus.
Entrar em relação com Jesus (a tradição monástica diz: nada antepor ao amor a Cristo), pedir a Ele pela pessoa que amamos e perdemos, ou ela mesma se perdeu e não pudemos fazer nada, nos faz “entrar” na vida divina, na dimensão divina da realidade. Quem começar a rezar pela pessoa que ama descobrirá que a possuirá da forma justa, que é também a mais gratificante.
Há muitos modos de rezar pela pessoa amada. Rezar o Terço por ela. Oferecer a missa por ela. Oferecê-la a Cristo e pedir pela sua salvação. Pedir a Jesus durante a consagração que derrame seu sangue purificador e regenerador sobre ela. Oferecer a Jesus uma boa obra por intenção dela. Fazer um sacrifício por ela. Foi assim que Jesus fez quando disse a Pedro “rezei para que tua fé não esmorecesse”, ou então quando pediu ao Pai: “Que eu não perca nenhum daqueles que me deste”.
Quem começar a rezar pela pessoa que ama, descobrirá que ela será cada vez mais sua em Cristo. Não porque a agarramos com medo de perdê-la. Jesus nos ensinará a amá-la verdadeiramente, mudará nosso coração, dilatando-o, e nós experimentaremos que a amamos profundamente, na liberdade. Nós, junto com Jesus, a salvaremos, mesmo que isso só se veja no céu (só quem não tem fé pensa que tudo acaba aqui…). O nosso desejo genuíno de posse será respondido ao rezarmos pela pessoa que perdemos. Jesus nos fará experimentar que somos, junto com Ele, o coração a quem ela pertence. Nós a amaremos para sempre, não a perderemos, nem precisaremos agarrá-la.



