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O voto cristão deve ser sempre por valores

Votar é muito mais do que escolher um candidato. Para o cristão, o voto é uma responsabilidade moral. É uma decisão que deve ser tomada diante de Deus, com consciência, prudência e compromisso com a verdade e o bem comum.

Santo Agostinho dizia que uma sociedade somente pode ser verdadeiramente justa quando está orientada para o bem. São Tomás de Aquino, ao tratar da lei e da vida em sociedade, mostrou que toda autoridade deve estar a serviço do bem comum e da justiça. O Cardeal John Henry Newman insistiu na importância da consciência bem formada. O Beato Fulton Sheen lembrava que não podemos separar nossa fé das decisões concretas da vida. E o Papa Leão XIV tem reafirmado que a ação política deve colocar a pessoa humana no centro, buscar o bem comum e defender, acima de interesses particulares, os mais frágeis e marginalizados.

Por isso, o cristão não deve votar simplesmente por simpatia, por interesses pessoais ou por promessas eleitorais. Deve votar em valores.

O primeiro valor é a defesa da vida. A vida humana é dom de Deus e deve ser respeitada desde a concepção até a morte natural. Nenhuma sociedade pode construir um futuro verdadeiramente justo quando aceita que vidas humanas e, ainda as mais indefesas, sejam descartadas ou consideradas sem valor.

O segundo é a defesa da família, fundada no Matrimônio entre um homem e uma mulher. A família é a primeira comunidade de amor, educação e formação da pessoa. Defendê-la é defender as crianças, os pais, os idosos e o próprio futuro da sociedade.

O terceiro é a preferência pelos pobres e pelos mais vulneráveis. A economia e as políticas públicas devem criar condições para que as pessoas possam trabalhar, empreender, estudar, desenvolver-se integralmente e superar a pobreza com dignidade.

O quarto é a defesa da liberdade e da dignidade humana, inclusive da liberdade religiosa, respeitando a consciência e o direito de cada pessoa de viver sua fé.

O quinto é o combate à corrupção. O dinheiro público pertence à sociedade e deve ser utilizado com honestidade, transparência e responsabilidade. O cristão não pode considerar normal a corrupção, o favorecimento pessoal, o desvio de recursos ou qualquer prática que prejudique os mais necessitados.

Portanto, o cristão deve analisar candidatos e partidos à luz desses valores. Não existe candidato perfeito, mas existem princípios que não podem ser abandonados em troca de vantagens, favores ou conveniências políticas.

O voto cristão não é um voto de paixão. É um voto de consciência. Não é um voto de interesses pessoais. É um voto pelo bem comum. Não é apenas escolher quem governará. É assumir responsabilidade pelo país que queremos deixar para nossos filhos e netos.

Antes de votar, o cristão deve perguntar: este candidato respeita a vida? Defende a família? Combate a corrupção? Combate as drogas e defende a segurança da população? Trabalha pelo bem comum? Demonstra verdadeira preocupação com os pobres e os mais vulneráveis? Respeita a liberdade e a dignidade humana?

Se queremos um Brasil melhor, precisamos começar também pela qualidade das nossas escolhas.

Um voto verdadeiramente cristão é um voto colocado a serviço da verdade, da vida, da família, dos pobres e do bem comum.

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