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O voto de cada um conta

Em duas semanas, os brasileiros serão chamados às urnas para eleger o Presidente da República, Governadores dos estados e do Distrito Federal, Senadores, Deputados federais e estaduais. As atenções maiores estão voltadas aos cargos de Presidente e Governador; mas os cargos de Senador e Deputados também são importantes e a escolha dos candidatos deveria merecer especial atenção. Cada cargo tem a sua missão própria.

Enquanto isso, vai acontecendo a campanha eleitoral e há pesquisas mostrando que existe um grande desinteresse em relação às eleições deste ano. Entre os motivos pode estar a percepção de que, de eleição para eleição, nada muda, a não ser o grupo que está no poder. Talvez por desconsiderar a importância da política para a vida privada e a vida comum da população; ou, então, porque se identifica a vida política com os lastimáveis fatos de corrupção e escândalos no exercício dos mandatos. Talvez a perda do entusiasmo pela política também possa ter sua explicação na qualidade nem sempre elevada da campanha eleitoral que, em vez de apresentar e discutir propostas, detém-se mais na acusação e desmoralização dos adversários.

O desinteresse pela política, no entanto, não é bom e não vai melhorar as coisas. À medida que deixamos de nos interessar e de participar da vida política, o lugar que deixamos vazio vai sendo ocupado rapidinho por outros que, talvez, tenham convicções contrárias às nossas. A eleição é um momento importante para que cada um se manifeste por meio do voto livre e consciente, ajudando a determinar o futuro do quadro político no exercício do poder legitimamente conferido. As eleições também dão aos cidadãos a ocasião de aprovar ou desaprovar governantes que já exerceram ou exercem cargos políticos, mas não deveriam voltar a ocupar tais cargos. O voto é um direito do cidadão e, também, um dever de consciência, mediante o qual cada cidadão participa responsavelmente da escolha dos governantes e legisladores.

A Igreja Católica, entendida como ministros ordenados, que a representam como instituição, abstém-se de fazer campanha eleitoral no exercício de sua função ou de se apresentar como apoiadora de um partido ou candidato. Se assim fizesse, ela estaria criando divisões imediatamente entre seus próprios fiéis, que podem ter convicções políticas e adesões partidárias diversas. “Partido” refere-se a “uma parte”; e Igreja não representa apenas uma parte, mas é formada por todos e existe para todos. Também por isso, os templos não devem ser usados como espaços de campanha eleitoral, uma vez que a comunidade dos fiéis que ali se reúne é formada por pessoas, que podem ter posições políticas diferentes. 

Porém, acontece diversamente com os membros da Igreja que não estão constituídos como representantes da instituição eclesiástica, nem presidem celebrações e reuniões da Igreja. Os cristãos leigos, de maneira geral, são incentivados a participar ativamente da vida social e política, mesmo em partidos diferentes, contanto que estes não proponham nem defendam questões contrárias às convicções cristãs. A Igreja incentiva os leigos a fazerem isso, organizando-se entre si e, também, com pessoas de convicções religiosas diversas, sempre tendo em vista a promoção do bem comum. De fato, o bem comum é o grande objetivo da vida política e que legitima a própria existência de partidos e do Estado. A Igreja, enquanto instituição e mediante a evangelização, ajuda a formar a consciência das pessoas para o bom desempenho de seus direitos de cidadania.

Os dias que antecedem as eleições deveriam servir para um grande discernimento sobre os candidatos e as propostas partidárias que eles representam para cada estado ou para o País. Cada um é livre para votar em quem deseja; mas seria lamentável se o voto fosse dado de maneira superficial, sem conhecer o candidato a ser votado, nem suas convicções ou propostas partidárias. Sempre é bom lembrar o bordão repetido há tempos nos períodos eleitorais: voto não tem preço, mas tem consequências. Pelo voto, confiaremos cargos políticos com muito poder a pessoas interessadas em promover o bem comum; ou daremos o mesmo poder a pessoas que aprofundarão esquemas de corrupção e de favorecimento, pouco ou nada interessadas no bem comum. Pelo nosso voto, serão eleitos legisladores interessados em promover leis voltadas para a vida com dignidade e para o controle do poder dos governantes; ou legisladores que contribuirão para aprofundar o mal-estar social que o Brasil vive. O voto de cada um conta.

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