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Santa Faustina. A ciência da Divina Misericórdia

Santa Faustina. A ciência da Divina Misericórdia
Arte: Sergio Ricciuto Conte

Celebramos, no dia 5 de outubro, a Festa de Santa Faustina. Comemorar a primeira santa do Grande Jubileu de 2000, canonizada por São João Paulo II quando da instituição do Domingo da Divina Misericórdia, na oitava da Páscoa, é sempre uma oportunidade para compreender melhor a força profética desses acontecimentos que assinalam a abertura de uma nova fase da História, especialmente simbolizada pela pandemia de COVID-19, como a indicar uma mudança de época que nos faz avançar para as águas mais profundas do terceiro milênio. E o que esta crise vem revelar de mais crucial, senão o advento de um tempo favorável para nos deixarmos abraçar pela Divina Misericórdia? Naquele 30 de abril do jubileu, já antevia o Papa: “O que nos trarão os anos que estão diante de nós? […] é certo que ao lado de novos progressos não faltarão, infelizmente, experiências dolorosas. A luz da misericórdia divina, no entanto, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo por meio do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milênio”.

Por esse reconhecimento de todo o povo cristão e por ocasião do centenário de nascimento de São João Paulo II, em 18 de maio de 2020, o Papa Francisco fez inscrever a memória litúrgica (facultativa) de Santa Faustina Kowalska, virgem, no Calendário Romano Geral, para ser celebrada em 5 de outubro na missa e na Liturgia das Horas, adotando- -se novos textos litúrgicos. Também no centenário, em videomensagem aos jovens de Cracóvia, na Polônia, Francisco declarou: “Recordo-o como um gigante da misericórdia: penso na encíclica Dives in misericordia, na canonização de Santa Faustina e na instituição do Domingo da Divina Misericórdia”.

O Papa emérito Bento XVI, por sua vez, escreveu uma magnífica carta pelo centenário, na qual enfatizou a Divina Misericórdia como o “verdadeiro centro” do Magistério e da vida de São João Paulo II. Isso porque a mensagem de Santa Faustina – da qual “estava impregnado” (afirmou Bento XVI em outro texto) – destacara esse mesmo centro essencial da fé cristã e desejava uma celebração com este motivo.

Surge, então, uma revelação surpreendente e de suma importância: “O Papa escolhera o domingo in albis (Segundo Domingo da Páscoa). […] Dissemos que não – o então Cardeal Ratzinger era o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e devia ser consultado –, pois pensávamos que uma data tão antiga e cheia de conteúdo como a do domingo in albis não deveria se sobrecarregar com novas ideias. […] Finalmente, fez uma proposta mantendo o histórico domingo in albis, mas incorporando a Divina Misericórdia em sua mensagem original”. Esta unidade – Páscoa e Misericórdia – deveria aparecer claramente, já que é necessária para o progresso da Tradição Apostólica e para a explicitação da Revelação.

Santa Faustina possuiu a ciência da Divina Misericórdia em grau eminente e inspirou a criação da “Festa da Misericórdia”, caminho para a Civilização do Amor, meta mais uma vez posta pelo Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti, 183. Sirva-nos para isso a nova oração coleta: “Ó Deus, que atribuístes a Santa Faustina a missão de difundir as imensas riquezas da vossa infinita misericórdia, concedei-nos, por sua intercessão e exemplo, confiar plenamente na vossa bondade e realizar generosamente obras de caridade. Por Cristo nosso Senhor. Amém”

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