Santo Súbito: os 15 anos da Páscoa de Dom Luciano!

Sergio Ricciuto Conte

“Santo Súbito!”. Gritava devotadamente uma multidão de fiéis no átrio da Catedral Metropolitana de São Paulo, durante os ritos fúnebres de Dom Luciano Mendes de Almeida. Era 27 de agosto de 2006, 15 anos atrás. A evocação era uma prece e um reconhecimento da grandeza daquele que, inspirado por Cristo, passou por este mundo fazendo o bem. Ele era alguém que consolidou a ideia, mais tarde expressa, de que “cada santo é uma missão; é um projeto do Pai que visa a refletir, em um determinado momento da história, um aspecto do Evangelho” (Gaudete et exsultate, 19), mesmo que sua santidade ainda não seja aquela dos altares.

Dom Luciano, de fato, em seu tempo, refletiu aspectos do Evangelho. Divisando sua história, contemplando seus atos e feitos, pode-se dizer que ele sempre buscou estar à altura de passagens icônicas da Palavra de Deus. Buscou testemunhar aquilo que Cristo falou sobre “anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Lc 4,18). É impossível negar que, desde a esquecida Fazenda da Juta até os umbrais do Senado Federal, ele defendeu os frágeis. Criou obras sociais de grande impacto na Grande São Paulo e defendeu, durante a redação da Constituição federal, os direitos dos povos indígenas. 

Contemplando um pouco mais sua vida, podemos ver que Dom Luciano consolidou, em muitas de suas ações, o explícito apelo do Senhor para que a paz fosse promovida (cf. Mt 5,9). Basta citar, no plano internacional, sua eleição para mediar a paz no Líbano ou, então, sua capacidade de pacificar ânimos acirrados durante a quarta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, e lograr redigir o documento final. 

Observando com mais acuidade a vida do Bispo jesuíta, podemos dizer que viveu profundamente a dimensão do serviço (cf. Mt 20,28). Se clássica era sua frase: “Em que posso ajudar?”, maior era sua disposição para servir. Quantas noites passou atendendo os pobres que lhe procuravam em sua casa. Quantas madrugadas, em horário avançado, visitava um irmão doente, e, com um cândido sorriso, justificava-se que era a única hora de que dispunha, mas que, sobretudo, queria fazer o bem àquele que precisava. 

Em síntese, pode-se dizer que Dom Luciano Mendes de Almeida viveu muitos aspectos do Evangelho, homem dos frágeis, do serviço e da paz! Mas, ainda, podemos dizer que ele era uma espécie rara de, assim chamamos, “homens-sementes” (Jo 13,8.23). Uma categoria singular de seguidores de Jesus Cristo que passam a vida fecundando o mundo, fecundando corações. Não raro, ouvem-se testemunhos de pessoas que, motivados pelo Bispo, dispuseram-se a servir o Reino, incluindo este que escreve este artigo, que teve uma única experiência pessoal com o religioso quando ele estava sendo velado na Catedral de São Paulo: entendeu, ao ouvir aquela evocação de “Santo Súbito”, que a santidade concreta está no servir, no amor aos frágeis e na pacificação da humanidade in nomine Jesu. 

Padre Reuberson Ferreira, MSC, é pároco da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração e mestre e doutorando em Teologia pela PUC-SP.

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