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Seminário episcopal: 170 anos de criação

A Igreja de Jesus Cristo presente em São Paulo celebrou, em 6 de dezembro de 2025, os 280 anos da criação da Diocese (1745-2025). De fato, foi um momento de alegria e estupendo empenho vocacional. Pudemos revisitar o passado da Igreja Paulopolitana e todo o seu esplendor. Vislumbramos o presente frutuoso e dialogante, e, propusemos tempos de benesses, quanto a presença eclesial e a multiplicidade de vocações presbiterais e laicas, no coração da Igreja do Salvador, Cristo Jesus, em São Paulo. 

Iniciamos 2026 e estamos lembrando os 170 anos da criação do Seminário Episcopal, erigido por Dom Antônio Joaquim de Melo, em 1856, no bairro da Luz. A Igreja em São Paulo, no século XIX, em tempos do padroado régio, sob o reinado de Dom Pedro II, estava em plena transformação eclesial. Os padres, a partir de 1840, que eram indicados para o episcopado, apresentavam tendência conservadora e ultramontana face ao catolicismo tradicional e iluminista. Desde a sua nomeação, em 1851, Dom Antônio Joaquim de Melo priorizava a reforma do clero e a construção do Seminário, tendo como referência o Concílio Ecumênico de Trento (1545-1563). 

Antônio Joaquim de Melo nasceu em Itu (SP), em 29 de setembro de 1791, e foi formado em São Paulo, sob o pastoreio de Dom Mateus de Abreu Pereira (1794-1824). Estudou Filosofia e Teologia no Convento São Francisco e na Residência Episcopal. No seu tempo de formação filosófica e teológica, grassavam na Diocese de São Paulo ideias sobre o regalismo, febronionismo, josephinismo, jansenismo, episcopalismo, galicanismo e deísmo. Esses temas apresentados e debatidos eram opostos em relação ao Magistério do Papa Pio IX. O Padre Antônio Joaquim de Melo, ordenado presbítero em 1814, recebeu sua formação, para as ordens sacras, no momento em que a Diocese de São Paulo passava pela mudança do catolicismo tradicional e iluminista para o catolicismo reformador ultramontano. 

O catolicismo tradicional caracterizava-se como luso-brasileiro, leigo, medieval, social e familiar. O modelo de catolicismo tradicional nasceu no período do Brasil Colônia e permaneceu até o momento em que Dom Pedro II assumiu a Regência, em 1840. O catolicismo renovado mostrava-se romano, clerical, tridentino, individual e sacramental. O movimento ultramontano nasceu no pontificado de Pio IX, que defendia a supremacia do poder papal frente ao liberalismo, racionalismo e indiferentismo modernos. 

Configurava-se uma mudança eclesial. Antes da construção do Seminário Episcopal, em 1856, os jovens candidatos às ordens sacras moravam nas suas residências ou casas de familiares e amigos, e frequentavam as aulas de Filosofia e Teologia no Convento franciscano e na Residência Episcopal. Com a construção do seminário, passaram a nele residir, tendo como professores os Frades Capuchinhos de Saboia, que vieram, especialmente convidados por Dom Antônio para formarem os novos padres da Diocese de São Paulo, à luz do modelo eclesial ultramontano. Em 1858, o Bispo recepcionou as Religiosas de São José de Chambéry, que chegaram em Itu para promover a educação e a formação da juventude feminina. 

A nomeação de Dom Antônio para o bispado de São Paulo se deu por decreto, em 5 de maio de 1851. Dirigiu-se, em novembro de 1851, para a cidade do Rio de Janeiro (RJ), aguardando a confirmação papal. Sua sagração episcopal aconteceu em 6 de junho de 1852. Desde a sua nomeação, ele firmou um acordo com os vigários capitulares, o governo central e provincial do Império que a sua prioridade seria a reforma do clero. 

De fato, em 9 de novembro de 1856, inaugurou o Seminário Episcopal, dedicado a Maria Imaculada, sob orientação de Pio IX, que havia proclamado o Dogma da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro de 1854. 

Este é um momento oportuno para revisitar a história da Igreja Paulopolitana, por meio dos Arquivos e Bibliotecas, e sistematizar os seus 280 anos de existência profícua e dialogante com a Igreja presente em Roma e com a sociedade paulista. 

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