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Haverá ressurreição para quem for cremado?

A Edilene Santos, da Vila Matilde, pergunta: “Os corpos cremados também ressuscitarão conforme a promessa de Jesus?” Minha irmã, primeiro, é importante lembrar que a cremação de cadáveres é uma prática muito antiga: no Egito, por exemplo, embalsamavam-se os corpos; na Índia, até hoje, os corpos são cremados. 

A cultura cristã, assim como a cultura judaica, tem grande respeito pelos corpos, vendo neles uma dignidade imensa, afinal, o corpo humano foi dignificado pela encarnação de Cristo. Além disso, aprendemos e cremos que o corpo se torna templo do Espírito no dia em que somos batizados. Ele se destrói após a morte, e nossa alma voltará a ele se reunir na ressurreição final que Jesus prometeu. Por tudo isso, nós sepultamos com muito respeito os corpos dos nossos entes queridos e os assinalamos com uma cruz, que é o sinal de nossa redenção.

Houve um tempo, no século XIX, na França, em que a Igreja foi combatida e aqueles que exaltavam a importância da razão passaram a negar a dignidade do corpo humano, entendendo que ele, após a morte, não passava de lixo e que poderia ser queimado para produzir aquecimento e luz. As cinzas, diziam, poderiam perfeitamente servir como adubo. Uma ideia macabra!

Por causa disso é que a Igreja em 1886 condenou a cremação de cadáveres. E mais: condenou a filiação às sociedades que promoviam a cremação, entre elas a maçonaria. Em 1964, porém, um documento do Santo Ofício permitiu a cremação, argumentando que as razões que hoje se dão para a cremação são de ordem puramente higiênica, econômica, urbanística, e não têm a intenção de combater o ensinamento da Igreja. Além disso, em nada a cremação afetaria ou impediria a ressurreição final, porque esta será uma ação divina, e Deus tudo pode. 

No entanto, Edilene, apesar de a Igreja não proibir mais a cremação, continua dando preferência ao sepultamento dos corpos, porque entende que o corpo humano, santificado pela encarnação de Jesus e tornado templo do Espírito Santo pelo Batismo, alimentado pelo Corpo de Cristo na comunhão, tem uma dignidade imensa. 

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