Nossos pecados ainda deixam consequências mesmos após a Confissão?

Recebi a seguinte pergunta do Renato Mendes, aqui de São Paulo: “Quando pecamos e confessamos, nossos pecados ainda deixam consequências ? Ao morrermos vamos para o céu ou temos que passar pelo purgatório? Pode explicar algo sobre purificação”.

Se existe um sinal maravilhoso da misericórdia de Deus é o sacramento da Penitência. Jesus quis nos deixar neste sacramento um meio pelo qual pudéssemos recuperar a dignidade de filhos de Deus após pecarmos, um meio de nos revestirmos de novo com a veste da graça de Deus após a termos despido com nosso “não” a Deus e aos irmãos.

Que bom seria se nós conseguíssemos conservar definitivamente o estado de graça após sermos lavados pelas águas do Batismo. Acontece que este banho maravilhoso do Batismo, uma obra do amor de Deus que nos lava do pecado original e nos torna filhos adotivos de Deus, não anula a nossa vontade, não nos tira a liberdade nem nos tira a tendência ao mal que o pecado original cravou em nossa vida. Lembre-se da angústia do apóstolo Paulo. Ele diz em uma de suas cartas: “Não sei o que se passa comigo. Pois eu não faço o bem que quero e faço o mal que não quero.” 

Foi por causa dessa nossa fraqueza humana que Jesus nos deixou o sacramento da Penitência. Por ele, nos reconciliamos com Deus, nos libertamos dos pecados cometidos após o Batismo, nos reintegramos na comunhão com Deus e com o próximo. Então, fiquemos tranquilos. Uma boa Confissão nos abre as portas do céu, sim. 

Eu entendo, porém, que com esta pergunta, sobre as “penas” do pecado, e suas consequências, podemos buscar um melhor esclarecimento se recorrermos ao ensinamento da Igreja sobre a purificação final ou purgatório. Diz o Catecismo da Igreja Católica:

“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam após sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu.”

Vamos dar um exemplo: Imaginemos que uma pessoa me difamasse, falasse mal de mim. Digamos que esta pessoa reconheceu seu erro e pediu perdão e eu perdoei. Tá tudo bem com ela? Ela está perdoada? Claro que está. Mas ela tem que reparar o mal que me fez. É ou não é? 

Pois então… Com Deus é a mesma coisa. Ele nos perdoa sempre. “Dai graças ao Senhor porque Ele é bom! Porque eterna é a Sua misericórdia”, diz o salmista. Mas nós precisamos nos livrar das penas desse pecado. Por isso a Igreja nos recomenda o amor fraterno, as indulgências e as obras de penitência. Nossa oração os livra das penas dos pecados. E a partir dela, entendemos também o que a Igreja quer dizer com as indulgências. É o perdão das penas que nos são impostas após o perdão dos pecados.

Sabe a história que diz que quando o menino jogando bola quebrou sua vidraça e pediu desculpas, você desculpou? Mas que você ficará mais feliz se ele, uma vez desculpado, pague o vidro quebrado? Pois é . O que ele fizer para reparar o mal ele estará fazendo para receber a indulgência completa da peraltice que fez.

Como podemos perceber, a Doutrina da Igreja sobre o perdão dos pecados é profunda e linda. Trata-se de uma doutrina iluminada pela misericórdia e pela justiça. 

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Claudinei
Claudinei
10 meses atrás

Ajuda bastante essa resposta.