Casulo Pra Rua: projeto une solidariedade aos mais vulneráveis e oportunidade de renda a costureiras

Impermeável, lavável, leve e fácil de carregar, o casulo é feito para aquecer e proteger a população em situação de rua

Claire Castelano

Casulo Pra Rua é um projeto criado pela estilista Bibi Fragelli, 59, e sua sócia Patricia Curti, 57. A iniciativa nasceu da inquietação diante da situação enfrentada pelas pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo.

Desde abril deste ano, são confeccionados sacos de dormir para aquecer os que vivem nas ruas. Em dois meses de existência, o projeto arrecadou R$ 160 mil em doações, distribuiu 300 casulos e 650 estão em fase de produção.

Quentinho e confortável

Os casulos são sacos de dormir impermeáveis, com um bolso interno em formato de travesseiro – onde a pessoa pode guardar seus pertences junto ao corpo –, são leves, facilmente dobráveis e podem ser carregados como uma bolsa a tiracolo.

“Quando pensei em fazer um saco de dormir, imediatamente me lembrei daquelas cenas de horror de guardas jogando jatos de água nas pessoas da rua. Pensei, então, que teria de ser uma bolsa, leve e com alça, porque bolsa os policiais não poderiam tomar”, conta Bibi.

Os sacos de dormir são confortáveis e aquecem graças ao material utilizado. “São feitos de três camadas: a externa é de náilon emborrachado e impermeável (para evitar a chuva ou os jatos d’água); no miolo, há uma tela espumada que traz conforto e calor; e, internamente, há uma camada de náilon resinado, agradável ao toque”, disse a idealizadora.

A inspiração para o nome casulo veio da experiência da estilista com um casal em situação de rua.

“No dia em que fui comprar os materiais para os primeiros protótipos, vi um casal na rua que estava dormindo diretamente na calçada, sem nenhuma proteção, e a mulher estava grávida. Isso me fez refletir e agir. Daí nasceu o nome ‘casulo’, a partir da ideia de envolver, proteger e acolher quem sofre nas ruas”, disse Bibi, destacando, ainda, que o casulo é confeccionado nos tamanhos individual e de casal.

Amplo apoio

A iniciativa ficou conhecida por meio de uma postagem que Bibi fez em seu Instagram. “Lembro bem esse dia, era 16 de abril, em plena pandemia, postei a foto do casulo que entreguei para um casal de rua”, recordou.

A partir daí, o projeto vem crescendo e ganha novos seguidores, doadores e colaboradores. “Pessoas e empresas entram em contato conosco, cumprimentando-nos pela iniciativa, e doam valores financeiros para que a ação seja viável”, ponderou Patrícia, destacando que o projeto atende as pessoas de São Paulo, mas os doadores estão espalhados pelo Brasil.

O custo de produção de cada saco de dormir é de R$ 158. Cada casulo, entregue gratuitamente, é acompanhado de uma cartilha, na qual se explica o passo a passo detalhado de como confeccioná-lo e sobre os materiais usados.

“Queremos que o projeto cresça e se expanda. Graças à generosidade e preocupação com o próximo que sofre, já enviamos a cartilha para Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Nova York (Estados Unidos)”, contam as idealizadoras.

Costurar o bem

Outro diferencial do projeto Casulo Pra Rua é a geração de renda para costureiras desempregadas ou de baixa renda. Atualmente, sete costureiras atuam de forma remunerada no projeto.

“É uma maneira de gerar renda para elas e suas famílias”, contou Patrícia, destacando que as costureiras recebem R$ 50 para cada peça feita. “A única exigência é ter uma máquina de costura industrial reta”, continuou.

Selma de Jesus Oliveira, costureira, é da Bahia e veio para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Ela fazia serviços eventuais para lojas e recebia R$ 4 a cada peça.

“A oportunidade veio para me ajudar a sustentar minha família e, claro, ajudar a quem precisa”, afirmou à reportagem.

Maria das Neves, 47, costureira, afirma que fazer o bem e garantir o sustento da família é uma forma de enfrentar os tempos difíceis.

“Sou feliz em fazer parte dessa ação de generosidade que ajuda os que estão em situação de rua, transforma e viabiliza melhores condições às nossas famílias”, destacou.

Laurilene Vasconcelos Lima, 46, é costureira desde os 9 anos e atua no projeto costurando seis casulos por dia.

“Eu costuro por amor! Ao costurar os casulos, sei que estou costurando novas oportunidades e um pouco de alento e amor para quem precisa”, disse.

Distribuição

Para que os casulos cheguem até os seus destinatários, o projeto conta com a ajuda de doadores e voluntários que os distribuem.

“Algumas entidades e pessoas físicas adquirem as unidades e as distribuem em suas regiões. O Padre Júlio Lancellotti e a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo nos ajudam na distribuição dos casulos”, disse Patrícia.

Padre Júlio ressaltou que a iniciativa vem para unir forças e cooperar no resgate da dignidade.

“O casulo é uma esperança em meio a tantas realidades de dor, sofrimento e descaso para com os irmãos que estão abandonados pela sociedade. Eles são filhos de Deus, e devolver um pouco de dignidade é a missão desse projeto que tem a minha bênção”, disse o Vigário Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua.

“Dói dormir no chão, doem as costas, dói o corpo todo. Agora vou adormecer e descansar quentinho e seguro”, disse Edivaldo, uma das pessoas que já receberam o casulo.

Italo Bernardo está em situação de rua e ficou feliz e grato ao receber o saco de dormir. “Existem anjos que pensam em nós. Este saco é muito bom porque nos protege por inteiro, aquece e protege do frio, e ainda posso guardar meus pertences com segurança contra roubos”, contou.

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