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Papa encontra pessoas em situação de rua em Madri: a caridade não pode esperar

Leão XIV visitou o Projeto Social “CEDIA 24 horas”, o Centro de Informação e Acolhimento administrado pela Caritas Diocesana da capital espanhola. Uma “porta imensa em misericórdia” que só em 2025 foi aberta para mais de 2500 pessoas. “Assim, o CEDIA percorre o caminho do Evangelho”, disse o Papa, “cultivando um coração sensível às necessidades dos outros, mantendo vivo em nós o desejo de bem que Deus colocou na nossa própria humanidade e que a fé liberta e fortalece”.

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Vatican Media

O Papa Leão XIV, no seu penúltimo compromisso deste sábado, 06 de junho, em Madri, visitou as dependências do Projeto Social “CEDIA 24 horas“, o Centro de Informação e Acolhimento administrado pela Caritas Diocesana da capital espanhola que só em 2025 beneficiou mais de 2500 pessoas. A iniciativa, fundada há quase 50 anos, atende durante as 24h do dia a população em situação de rua e exclusão social, uma das realidades mais preocupantes vividas no país, segundo a secretária-geral da Caritas Espanhola, María González Dyne.

Papa é recebido na casa “onde ninguém fica só”

Próximo ao CEDIA 24h, no pátio central da Paróquia de Nossa Senhora da Crucificação, o Papa encontrou cerca de 200 pessoas assistidas por programas de Assistência Social da Arquidiocese de Madri e disse estar muito feliz pela recepção que o fez sentir parte de “uma grande e maravilhosa família”: “em particular nesta casa, onde ninguém fica só. Aqui, a alegria e a dor de cada um são a alegria e a dor de todos”, disse o Pontífice enaltecendo a oferta dos serviços do projeto que não ignora a complexidade das situações e trabalha segundo as exigências da caridade e da justiça.

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De fato, além da estrutura, que pôde ser conferida pelo Papa quando visitou inclusive o refeitório, a iniciativa vai além da assistência de base, porque oferece laboratórios de formação para promover a autonomia individual. “Assim, o CEDIA percorre o caminho do Evangelho, seguindo as pegadas de Jesus”, disse o Papa, e graças “a uma pequena porta aberta – pequena em tamanho, mas imensa em misericórdia”, como se referiu ao projeto o arcebispo de Mardi, cardeal José Cobo Cano.

Testemunhos de luz refletem a caridade de Deus

Através dessa porta, que é aquela compartilhada pela Igreja, que a advogada cubana Niurka de 33 anos chegou na Espanha há cerca de um ano e deu a vida, o amor de mãe, a graça do Batismo e a promessa de um futuro feliz aos seus filhos gêmeos, o casal de bebês Ares e Atenea que carrega nos braços. Um sonho e a mesma porta foi ultrapassada por Khadri, que chegou na Espanha do Senegal há 6 anos, em plena pandemia, mas conseguiu emprego e deu a volta por cima.

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A pequena porta também foi suficiente a Alicia e aos outros voluntários que no Projeto Esperança ajudam tantas mulheres, vítimas do tráfico e da exploração, a recuperar dignidade e esperança. Todos esses são testemunhos que o Papa ouviu com atenção e fez questão de mencionar durante o discurso, e agradecer por terem partilhado “experiências dolorosas, mas sobretudo cheias de luz, que refletem, como espelhos, a caridade de Deus”.

Como lema para a visita, lembrou o Papa, foram escolhidas as palavras de Jesus aos discípulos: «Levantai os olhos» (Jo 4, 35) que recorda que a nossa responsabilidade com a caridade não pode esperar e nem adiar, mas responder com amor como prova da nossa fé. E Leão XIV fez um alerta sobre o perigo da indiferença, citando o Papa Francisco: “As palavras de Jesus são também um convite a cultivar um coração sensível às necessidades dos outros, mantendo vivo em nós o desejo de bem que Deus colocou na nossa própria humanidade e que a fé liberta e fortalece. O Papa Francisco dizia a este respeito: «Diante do mistério da vida pessoal e dos desafios da sociedade, quem acredita dá saltos de alegria, tem uma paixão, um sonho a cultivar, um interesse que o impele a comprometer-se pessoalmente», e advertiu sobre o perigo de um «coração insensível, frio, acomodado numa vida tranquila, que se tranca na indiferença e se torna impermeável».”

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“Um coração vivo é quente e palpitante, e dá vida. Um coração frio está imóvel, já não bombeia sangue, e provoca a morte da pessoa.”

Leão XIV, então, destacou um último aspecto do convite do Senhor de “olhar nos olhos aqueles que sofrem e a fazer da ajuda, acima de tudo, um encontro entre irmãos unidos no único abraço do Pai”. O Papa Francisco insistiu muito nisso, quando perguntou: “«Quando dá esmola, olha para os olhos do mendigo? Toca-lhe na mão para sentir a sua carne?» e concluiu: «A esmola não é caridade. Quem recebe mais graça da esmola é aquele que a dá, pois faz-se olhar pelos olhos do Senhor». Os que amam verdadeiramente «não se limitam a dar qualquer coisa: escutam, dialogam, procuram compreender a situação e as suas causas […]. Estão atentos tanto à necessidade material como à espiritual, ou seja, à promoção integral da pessoa»”.

Fonte: Vatican News

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