Legião de Maria: há 100 anos, leigos a serviço da evangelização

Iniciativa é voltada à santificação das pessoas por meio da oração e trabalho apostólico

Luciney Martins/O SÃO PAULO – set.2014

Fundada em Dublin, na Irlanda, em 1921, a Legião de Maria está presente em 180 países. A associação de leigos, que tem como vocação a missão evangelizadora no mundo, chegou ao Brasil em 1951, inicialmente ao Rio de Janeiro (RJ), e a partir de 1954 à Arquidiocese de São Paulo.

Em 1955, com o intuito de expandir a obra, foi fundada a Cúria Aparecida, atual Senatus Nossa Senhora Aparecida. Os primeiros grupos foram formados na Paróquia Nossa Senhora da Salette, na zona Norte, denominado Praesidium Nossa Senhora da Salette, e o Praesidium Immaculata, na Catedral da Sé, ativos ainda hoje.

Identidade e unidade

Frank Duff (1889-1980), fundador do movimento e cujo processo de beatificação já foi iniciado, se inspirou na estrutura organizacional do exército da antiga Legião Romana, para o nome Legio Mariae. Ele ressignificou os símbolos do exército romano e adotou algumas nomenclaturas em latim para coisas próprias da Legião de Maria.

“Os grupos estão ligados entre si por um Conselho maior, chamado Cúria, geralmente em nível diocesano, que os orienta e recebe o relatório de suas atividades. Estes Conselhos, por sua vez, estão ligados a outro maior, em nível estadual ou nacional, chamado de Comitium ou Senatus, que, por sua vez, está ligado ao Conselho superior na Irlanda, sede do movimento”, explicou Nelson de Morais, 59, coordenador do movimento no Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O movimento reúne homens e mulheres, adultos e jovens, divididos em dois grupos. Os membros ativos participam das reuniões semanais do seu Praesidium, rezam e executam um trabalho legionário, especialmente voltado às pessoas mais afastadas da Igreja. Já os membros auxiliares se comprometem a rezar, diariamente, determinadas orações próprias do movimento.

“A Legião de Maria está aberta a todos os católicos praticantes, e que tenham o desejo de exercer seu apostolado na Igreja e, por meio dele, levar Maria ao mundo”, enfatizou Morais, destacando que, a partir “da primeira Comunhão e com o desejo de oferecer a vida no carisma, qualquer pessoa pode entrar no grupo da Legião”.

Protagonismo leigo

Essa associação de leigos, com aprovação da Igreja, destina-se à evangelização e à santificação dos homens por meio da oração e do trabalho apostólico ativo, sob a proteção de Nossa Senhora. O objetivo é a santificação de seus membros, pela oração e cooperação ativa; além de integrar as necessidades pastorais, atender a todas elas e evidenciar o protagonismo dos leigos.

“Nós, legionários, somos leigos engajados que, a partir de uma profunda vida de oração, atuamos na vida da Igreja, colocando-nos a serviço do bispo ou do pároco para os trabalhos necessários”, afirmou Morais.

Entre as atividades apostólicas estão as visitas às famílias, aos doentes, aos idosos, aos hospitais, às cadeias, às escolas, além da presença nas pastorais.

Na Santa Missa, na Sagrada Comunhão, na adoração do Santíssimo, no Terço, na prática da via-sacra e de outras devoções, o legionário busca identificar- -se com Maria e meditar os mistérios da Redenção.

Fortes na fé

Na avaliação do Frei Guilherme Pereira Anselmo Júnior, 50, Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Tremembé, e Diretor Espiritual da Legião de Maria, “o movimento é um ponto de articulação da missão leiga na Igreja. Os legionários são missionários a serviço do Reino, amparados na devoção mariana e na propagação do Evangelho”.

Luciney Martins/O SÃO PAULO – set.2014

O Frade apontou, ainda, que uma das principais características da Legião “é ser presença nas bases, nas paróquias e comunidades, servindo nas pastorais, em comunhão com os apelos do Papa Francisco na construção de uma Igreja em saída”.

Sobre o momento atual, Frei Guilherme ressaltou que a pandemia trouxe desafios e aprendizados. “Tempos difíceis, mas o esforço de cada legionário de aprender as novas formas de encontros virtuais, a perseverança na oração e a ajuda mútua consolidaram uma experiência enriquecedora que uniu e aproximou a todos”, assegurou, mencionando a realização de lives e momentos orantes diários e semanais pelas mídias sociais.

Vocação de servir

Lucinda Mendes Fonseca, 60, é vice-presidente do Senatus Nossa Senhora Aparecida. Nascida em Portugal, ela chegou ao Brasil em 1982 e conheceu a família legionária em 1990: “A Legião de Maria é minha família aqui no País. Sou feliz e realizada na missão de servir à Igreja e de ir ao encontro do irmão, seja de forma presencial, seja por meio da oração que nos une”.

Membro da Legião há 20 anos, Daniel Sousa Lima, 33, presidente do movimento na Paróquia Santa Rosa de Lima, no Jardim Tremembé, falou sobre os três pilares da Legião: oração, reunião e trabalho apostólico. “Eles norteiam a vida e ação de cada membro que dedica sua vida a serviço da Igreja no trabalho voluntário de amar, acolher e servir”, disse, ressaltando que a oração diária é elemento primordial dessa vivência.

Lima comentou sobre a atuação dos legionários jovens, que, inseridos no movimento, contribuem para divulgar a espiritualidade mariana e atuar nas várias frentes de missão. “Durante a pandemia, entre tantas ações, nós colaboramos com um posto vacinal do bairro, contribuindo com a orientação e organização das filas”, ressaltou, afirmando que na Legião encontrou a sua vocação como ser humano e cristão. “Ser legionário é servir! Não é ficar de braços cruzados, mas se colocar a serviço, a exemplo de Maria”, finalizou.

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