Antes da restituição, França expõe obras tomadas do Benin durante período colonial

Por iniciativa do presidente francês, anunciada em 2017, esta será a primeira leva de objetos artísticos a serem devolvidos pelo país europeu à África

Foto: Museu do Quai Branly-Jacques Chirac,

Depois de quase 130 anos em seu poder, a França anunciou a devolução de objetos artísticos confiscados ao seu legítimo dono. As 26 obras a serem restituídas são originárias do antigo reino de Abomey, que hoje faz parte do território do Benin. Elas foram tomadas em 1892, em plena guerra colonial, pelas tropas de um general francês. Entre as peças, estão três estátuas da realeza, três tronos e quatro portas de madeira vindas do palácio real. 

Integradas às coleções de arte francesas em 1893, elas têm um imenso valor para os beninenses. “A população inteira espera a chegada dessas obras. É a nossa cultura, nosso patrimônio. Esses objetos que estiveram foram de nosso país durante décadas e estão voltando para cá suscitam uma forte emoção”, afirma Bertin Calixte Biah, curador do Museu de História de Ouidah, no Benin. 

EXPOSIÇÃO PERMANENTE

Dois curadores beninenses estão na França há uma semana para organizar o retorno dos objetos. No Benin, eles serão inicialmente estocados para depois serem expostos de maneira perene em dois locais históricos da colonização europeia: o antigo forte português de Ouidah e a Casa do Governador. Quando a construção do museu Abomey estiver finalizada, os tesouros farão parte de sua exposição permanente. 

Emmanuel Macron, presidente da França, presidiu na quarta-feira, 27, a cerimônia de restituição das obras. Antes de retornarem ao Benin, no próximo dia 9 de novembro, elas integram uma exibição especial no museu do Quai Branly-Jacques Chirac, em Paris. 

OUTROS PAÍSES À ESPERA

Segundo especialistas, entre 85% e 90% do patrimônio artístico e cultural africano estão fora do continente. Desde 2019, além do Benin, outros seis países – Senegal, Costa do Marfim, Etiópia, Chade, Máli e Madagascar – deram entrada em procedimentos de restituição.

Apenas na França, ao menos 90 mil objetos de arte originários da África Subsaariana fazem parte das coleções públicas atualmente. O museu do Quai Branly-Jacques Chirac detém a maioria destas obras, cerca de 70 mil, entre elas 46 mil tomadas durante o período colonial. 

APROXIMAÇÃO

Em comunicado, o Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, afirmou que a iniciativa tem o objetivo de proporcionar que “a juventude africana tenha acesso na África, e não apenas na Europa, a seu próprio patrimônio”.

“Esse engajamento do presidente constitui uma atitude importante para a construção desta nova relação e de um novo olhar entre a França e o continente africano”, diz a nota. 

Fonte: RFI Brasil

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