Assunção de Maria: verdade de fé e sinal da promessa de Deus para Igreja

Assunção de Nossa Senhora (reprodução da internet)

No dia 15 de agosto, a Igreja Católica celebra a solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Esta comemoração se refere ao quarto dogma mariano, proclamado em 1º de novembro de 1950, pelo Papa Pio XII, que afirma que, após terminar o curso terreno de sua vida, a Virgem Maria foi assunta, isto é, levada de corpo e alma à glória celeste.

Significa, portanto, que a Mãe de Deus está viva e glorificada de forma plena no céu, prefigurando a promessa de Deus para a Igreja.

Tradição

A fé na Assunção de Nossa Senhora remonta ao século IV. Santo Efrém afirmava que o corpo virginal de Maria não sofreu corrupção depois da morte. Já Santo Epifânio dizia que o fim dela foi prodigioso e que ela possuía o Reino dos Céus ainda com a carne.

Os cristãos do século VI celebravam em Jerusalém a festa da Dormição ou Trânsito de Nossa Senhora, em 15 de agosto. Essa compreensão se propagou ao longo dos séculos, consolidada pelas Igrejas orientais desde o século X.

Por ocasião do Concílio Vaticano I, em 1870, cerca de 200 bispos pediram ao Papa Pio IX a definição dogmática da assunção de Maria. O assunto, porém, não chegou a ser aprofundado, visto que o Concílio terminou antes do tempo previsto. No século XX, os pedidos para o reconhecimento desse dogma continuaram. Em 1946, o Papa Pio XII fez uma consulta aos bispos do mundo inteiro a respeito do tema, com um posicionamento quase unânime.

Assim, diante de uma multidão reunida na Praça São Pedro, no Vaticano, o Papa Pio XII proclamou solenemente:

“Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. 

Escritura e magistério

Na constituição apostólica Munificentissimus Deus (em português: “O mais generoso Deus”), publicada na ocasião da proclamação do dogma da Assunção, o Papa Pio XII ressaltou que, “por um privilégio inteiramente singular, ela [Maria] venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos”.

O Pontífice afiram, ainda que o mistério da assunção de Nossa Senhora não podia ser conhecido por nenhuma faculdade da inteligência humana só com as forças naturais. “É, portanto, verdade revelada por Deus, e por essa razão todos os filhos da Igreja têm obrigação de a crer firme e fielmente”, acrescenta.

Proclamação do dogma da Assunção de Nossa Senhora, por Pio XII, em 1950 (reprodução da internet)

São muitas as referências das Sagradas Escrituras nas quais os santos padres, teólogos e bispos se apoiam para afirmar que Maria foi assunta ao céu (cf. Gn 3,15; Ex 20,12; Is 60,3; Sl 132,8; Ct 3,6; Lc 1,28; Ap 12).

No século VIII, São João Damasceno escreveu: 

“Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. Convinha que morasse no tálamo celestial aquela que o Eterno Pai desposara. Convinha que aquela que viu o seu Filho na cruz, com o coração traspassado por uma espada de dor de que tinha sido imune no parto, contemplasse assentada à direita do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus”.

Na mesma época, São Germano de Constantinopla julgava que a incorrupção do corpo da virgem Maria Mãe de Deus, e a sua assunção ao céu não são só consequências da maternidade divina, mas também da santidade singular de seu corpo”

“Vós, como está escrito, aparecestes ‘em beleza’; o vosso corpo virginal é totalmente santo, totalmente casto, totalmente domicílio de Deus de forma que até por este motivo foi isento de desfazer-se em pó; foi, sim, transformado, enquanto era humano, para viver a vida altíssima da incorruptibilidade; mas agora está vivo, gloriosíssimo, incólume e participante da vida perfeita”.

Imagem da Igreja

Referindo-se a esse dogma, a constituição Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, diz que a Mãe de Jesus, tal como está nos céus já glorificada de corpo e alma, “é a imagem e o começo da Igreja como deverá ser consumada no tempo futuro, assim também na terra brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor”.

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