
O Padre Larry Holland, 79, da Arquidiocese de Vancouver, no Canadá, afirma que lhe foi oferecida a morte assistida não uma, mas duas vezes, enquanto se recuperava no Hospital Geral de Vancouver após sofrer uma fratura no quadril em uma queda no dia do Natal de 2025. Seu relato reacendeu o debate sobre a expansão agressiva do regime de eutanásia no Canadá e os limites éticos da prática médica em um país em que o suicídio assistido cresceu a uma velocidade extraordinária desde sua legalização em 2016.
O Padre insiste que não estava em fase terminal nem morrendo. Embora hospitalizado e em reabilitação, afirma que seu quadro nunca foi apresentado como irreversível. Mesmo assim, um médico o informou que a Assistência Médica para Morrer, nome oficial dado aos procedimentos para a realização da eutanásia no país, era uma opção caso sua saúde se deteriorasse. Semanas depois, segundo o Padre, uma enfermeira voltou a abordar o assunto, descrevendo a morte assistida em termos de “compaixão”.
“Há certas coisas que simplesmente não se falam com algumas pessoas”, comentou, atônito, o Sacerdote, lembrando-se de sua incredulidade ao ver a equipe médica abordar a eutanásia com um padre católico notoriamente contrário a ela por motivos morais. “Fiquei chocado. É um assunto muito sensível”, afirmou.
O incidente tornou-se emblemático de uma controvérsia nacional mais ampla em torno do sistema de suicídio assistido do país, que está em rápida expansão. De acordo com relatórios recentes, o Canadá registrou 16.499 mortes por eutanásia em um único ano, tornando a prática uma das principais causas de mortalidade no país. Algumas estimativas sugerem que aproximadamente uma em cada 20 mortes no Canadá ocorre por meio do suicídio assistido.

O Padre Larry Lynn, Capelão da Arquidiocese de Vancouver, reagiu com visível indignação ao tomar conhecimento do caso. Ele o descreveu como um dos exemplos mais claros até agora do que considera o “regime coercitivo e insensível de eutanásia” do Canadá. Particularmente preocupante para ele foi o fato de que, segundo relatos, profissionais de saúde continuaram discutindo a morte assistida mesmo depois de o Sacerdote enfermo ter expressado sua oposição moral à prática.
Os dias de recuperação no hospital levaram o Padre Holland a afirmar que suportar a dor pode levar a formas inesperadas de crescimento, resiliência e até mesmo renovação. “O sofrimento pode abrir novos mundos, novas perspectivas, novas oportunidades.”
Ele frisou, ainda, que compartilhar sua história não é apenas um ato de denúncia, mas também um alerta. Em sua visão, uma sociedade que apresenta a morte como solução com tanta facilidade corre o risco de perder a confiança no significado mais profundo do cuidado, do acompanhamento e da dignidade humana em momentos de vulnerabilidade.
Fontes: The Catholic Herald, CBN News e The Catholic Network




