Comunidades cristãs sofrem com aumento de ameaças na fronteira do Níger com Burkina Faso

‘O medo cresce entre a população, que se sente a cada dia um pouco mais abandonada’, comenta sacerdote em missão no continente africano

População do Niger volta a sofrer com ataques de grupos extremistas, como os ocorridos em 2016 (foto: ACN-Canadá/Arquivo)

A cidade de Niamey, capital do Níger, no continente africano, tem se tornado alvo recorrente de atentados de extremistas, conforme relatou à Agência Fides o Padre Mauro Armanino, da Sociedade para as Missões Africanas.

“É a primeira vez que colocam um artefato explosivo na estrada que leva a Niamey na fronteira com Burkina Faso. Na explosão, morreram ao menos três pessoas e várias ficaram feridas, algumas delas com gravidade. Também foi destruída uma caminhonete que pertencia aos soldados que se dirigiam a Makalondi para ajudar aos seus companheiros em apuros”, disse o missionário religioso.

O Sacerdote comentou, ainda, sobre outro fato ocorrido na Diocese de Niamey, no sábado, 27 de novembro: um padre e religiosos foram impedidos de visitar e consolar muitos fiéis da Paróquia de Makalondi. Por consequência, a celebração do 1o Domingo do Advento teve de ser conduzida por catequistas e animadores da comunidade local.

As comunidades cristãs das aldeias, ainda que não sejam as únicas que sofrem tais ameaças e intimidações, têm sido atacadas com frequência.

De acordo com o Padre Mauro Armanino, a Diocese de Niamey tem se esforçado para garantir a alimentação e cobrir os gastos educacionais dos estudantes primários das regiões de Makalondi e Torodi, a menos de 100 quilômetros da capital do Níger.

“Os deslocados das aldeias da Paróquia do Padre Pierluigi Maccali, sequestrado e liberado dias depois,  estão esvaziando a localidade e seus filhos se veem obrigados a interromper seus estudos ou ir para outro lugar para continuá-los”, conta Padre Mauro.

Um comboio militar francês foi bloqueado por 150 manifestantes na cidade de Kaya, em Burkina Faso, quando ia da Costa do Marfim ao Mali. O protesto foi contra o fracasso das forças francesas para conter o terrorismo. Esse sentimento antifrancês tem aumentado nesta região do continente africano e no Níger se teme que resulte em novas ameaças aos agricultores e, de modo especial, às jovens e frágeis comunidades cristãs.

“Em outra zona afetada da Diocese, em Dolbel, há alguns dias grupos armados derrubaram uma torre de telefonia móvel. O medo cresce entre a população, que se sente a cada dia um pouco mais abandonada”, concluiu Padre Mauro Armanino.

Fonte: Agência Fides

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