Fundação PIME lança campanha para ajudar deslocados em Mianmar

Atendendo ao apelo do Papa Francisco, um fundo de emergência foi criado para buscar contribuições. Soldados recentemente arrasaram mais duas aldeias. Mais de 400 mil pessoas se tornaram refugiadas em seu próprio país.

Foto: Fundação PIME

A junta militar de Mianmar arrasou mais duas aldeias na região de Sagaing, forçando 10 mil pessoas a fugir.

O ataque ocorreu em 24 de janeiro, disseram moradores locais à Rádio Free Asia, quando cerca de cem soldados destruíram mais de 400 casas por supostamente abrigarem combatentes antigolpe.

De acordo com um morador da vila de Mwe Tone, “eles agiram como se fossem seguir em frente, mas depois começaram a queimar casas”, o que repetiram na vila vizinha de Pan.

Ninguém foi capaz de levar quaisquer pertences ou retornar para sua casa nos dias seguintes. Aqueles que o fizeram encontraram apenas “um monte de cinzas”.

A última tragédia na guerra civil de Mianmar segue uma longa série desde que os militares derrubaram o governo civil liderado por Aung San Suu Kyi em 1º de fevereiro de 2021.

Após os protestos pacíficos iniciais coordenados pelo movimento de desobediência civil, os exércitos étnicos de Mianmar foram reativados, depois de terem ficado à margem nos últimos anos, quando o país avançava no caminho da democracia.

A eles se juntaram, na primavera do ano passado, as Forças de Defesa Popular (PDF), o braço armado do Governo de Unidade Nacional criado por membros exilados do parlamento de Mianmar. Desde então, os combates eclodiram na maior parte do país.

Os militares de Mianmar controlam a região central do país, enquanto os exércitos étnicos se concentram nas fronteiras que cercam as forças do governo.

Segundo o Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o conflito já deslocou mais de 400 mil pessoas, incluindo a maioria dos moradores de Loikaw, capital do estado de Kayah, que foi bombardeada pouco antes do Natal. A cidade é agora uma cidade fantasma com pelo menos 60 mil habitantes, de quase 70 mil, abrigados nas cidades vizinhas de Taungoo e Taunggyi ou do outro lado da fronteira na Tailândia.

Diante dessa situação, a Fundação PIME criou o Fundo S145 Emergenza Myanmar para ajudar as iniciativas das igrejas locais, muitas delas fundadas por missionários do PIME antes da expulsão dos missionários estrangeiros em 1966.

Isso segue o apelo do Papa, que no Angelus, de 23 de janeiro, disse: “Não podemos deixar de olhar para o sofrimento de tantos irmãos e irmãs” em Mianmar.

O objetivo da campanha é fornecer ajuda imediata a milhares de pessoas por meio da rede de ajuda que as dioceses de Taungoo e Taunggyi estão implantando.

Muitos grupos religiosos locais responderam à emergência e, ao fazê-lo, estão mostrando o lado mais bonito de Mianmar, o de um povo que, apesar do sofrimento que marcou sua história, escolhe o caminho da solidariedade.

A ajuda será enviada a eles, começando com as necessidades básicas: abrigo, alimentação e uma escola para crianças privadas de educação nos últimos dois anos por causa da pandemia e da guerra.

Fonte: Asia News

As doações podem ser feitas para S145–Emergenza Myanmar:
  • diretamente on-line pelo link, escolhendo S145–Emergenza Myanmar entre os projetos (progetti);
  • por transferência bancária à ordem da Fondazione Pime Onlus IBAN: IT 11 W 05216 01630 000000005733 (recomenda-se enviar cópia da transferência por e-mail para uam@pimemilano.com indicando nome, morada, local e data de nascimento, acrescido do código fiscal se na Itália ou número de seguro social equivalente em outros países);

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