Missionárias da Caridade e jesuítas aguardam ser retirados do Afeganistão

Do aeroporto de Cabul, dois sacerdotes jesuítas pedem orações por eles e por quem vive este dramático momento de transição. A situação é caótica e o clima de grande incerteza. O temor é que, depois de instalar todos os seus homens em cargos-chave da administração, os talibãs possam elaborar uma lista de organizações e pessoas que pretendem perseguir. Segundo notícias locais, as milícias islâmicas batem de porta em porta para identificar e localizar algumas pessoas.

Afegã participa de Vigília nos Estados Unidos pelo país asiático e refugiados  (ANSA)

A Companhia de Jesus decidiu suspender, por tempo indeterminado, suas atividades no Afeganistão, após a queda de Cabul nas mãos dos Talibãs. Dois jesuítas indianos aguardam em Cabul para serem repatriados, junto com quatro Missionárias da Caridade, incluindo uma religiosa indiana.

Um jesuíta de Nova Délhi, que preferiu manter o anonimato por questão de segurança, declarou à agência de notícias UCAN, que a missão no Afeganistão foi suspensa por tempo indeterminado, “porque não temos certeza se e quando a situação irá melhorar. No momento, os missionários estão seguros e prontos para partir quando a Índia retomar os voos para evacuar os indianos bloqueados no Afeganistão”.

Os sacerdotes pedem orações, pois é dramático este momento de transição, a situação é “caótica” e o clima é de grande incerteza.

O temor é que, depois de instalar todos os seus homens em cargos-chave da administração, os talibãs possam elaborar uma lista de organizações e pessoas que pretendem perseguir. Segundo notícias locais, as milícias islâmicas batem de porta em porta para identificar e localizar algumas pessoas.

Os jesuítas, junto com as Missionárias da Caridade, estão presentes no Afeganistão desde 2004, três anos após a expulsão dos talibãs do poder pelos Estados Unidos, e dois anos depois do restabelecimento da Missão Católica no país em 2002, por desejo de São João Paulo II. Lá, dedicam-se à assistência aos refugiados na educação: formaram 300 professores que educaram 25.000 estudantes, sobretudo meninas, a quem os talibãs haviam proibidos de frequentar a escola.

Um trabalho valioso, não isento de riscos, em um país onde a guerra nunca acaba. A recordar que em 2 de junho de 2014, o jesuíta indiano padre Alexis Prem Kumar, foi sequestrado por combatentes talibãs enquanto visitava uma escola na Província de Herat. O sacerdote foi libertado oito meses mais tarde.

Embora as notícias que chegam do Afeganistão são cada vez mais dramáticas,  também no vizinho Paquistão aumentam os temores da Igreja pelo retorno dos talibãs ao poder. “A reconquista de Cabul vai causar graves consequências à Igreja no Paquistão”, declarou à Agência UCA News um sacerdote camiliano. Segundo ele, o retorno do grupo islâmico irá aumentar a intolerância em relação às minorias religiosas no Paquistão e pode estimular as forças fundamentalistas paquistanesas a se vingar nos cristão do país as derrotas das últimas duas décadas. O fundamentalismo vai crescer. E comos empre acontece nesses casos, serão os cristãos a pagar o preço”.

Preocupações semelhantes são expressas por ativistas dos Direitos humanos. Já outro expoente da Igreja no Paquistão é mais otimista. Segundo ele, o que está acontecendo no Afeganistão não deverá mudar a situação da Igreja no Paquistão, que sempre esteve na mira dos islâmicos, porque é considerada filo-ocidental. “Muitas pessoas aqui, conclui o sacerdote à UCA News, pensam que, se atingirem os cristãos, atingem também a América”.

Vatican News Service – LZ

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