Celam e entidades internacionais condenam perseguições à Igreja Católica na Nicarágua

Celam e entidades internacionais condenam perseguições à Igreja Católica na Nicarágua, Jornal O São Paulo
Dom Rolando José Álvarez Lagos, detido pela polícia da Nicarágua no Palácio Episcopal
(Foto: Diocese de Matagalpa)

O Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam) expressou proximidade e solidariedade a todo o povo de Deus da Nicarágua: bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e leigos diante da dura perseguição das autoridades governamentais.

Desde quinta-feira, 4, Dom Rolando José Álvarez Lagos, Bispo da Diocese de Matagalpa, no norte do País, está impedido de sair do Palácio Episcopal, cercado por forças especiais da polícia, que não o deixam sair, acusando-o de “encorajar revoltas” em suas homilias, que, na verdade, denunciam as ameaças à liberdade religiosa no País. Além do Bispo, outras 12 pessoas, seis sacerdotes e seis leigos, estão proibidas de sair da residência episcopal.

“Os últimos acontecimentos, como o cerco de padres e bispos, a expulsão de membros de comunidades religiosas, a profanação de templos e o fechamento de estações de rádio nos feriram profundamente. Expressamos nossa solidariedade e proximidade com eles”, escrevem os representantes dos bispos do continente em sua mensagem, assinada por Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Arcebispo de Trujillo (Peru), e por Dom Jorge Eduardo Lozano, Arcebispo de San Juan de Cuyo (Argentina), respectivamente presidente e secretário-geral do Celam.

Em uma situação tão difícil, continua a nota, “acompanhamos nossos irmãos que, por diferentes caminhos, procuram ser a voz de quem não tem voz, para construir um diálogo capaz de traçar um caminho de unidade e paz”.

Solidariedade

A Conferência Episcopal da Nicarágua expressou pesar e condenou a perseguição a membros da Igreja por parte do governo de Ortega. “Esta situação toca nossos corações como bispos e a Igreja nicaraguense, ‘Porque se um membro sofre, todos sofremos com ele’”. O comunicado foi lido durante a missa do domingo, 7, pelo Cardeal Leopoldo Brenes, Arcebispo de Manágua e 2º Vice-Presidente do Celam.

Os bispos da Nicarágua manifestaram a Dom Álvarez Lagos sua “fraternidade, amizade e comunhão episcopal” e acrescentam que a Igreja “por sua própria natureza, anuncia o Evangelho da Paz” e está aberta à colaboração de todas as autoridades nacionais e internacionais para o cuidado deste grande bem universal “para construir a civilização do Amor”.

Em vista do Congresso Nacional Mariano, que será celebrado entre os dias 10 e 13, em Manágua, a Conferência Episcopal convida os fiéis a “levantar e oferecer orações e terços a Nossa Senhora Imaculada Conceição de Maria, padroeira da Nicarágua”.

Outras conferências episcopais também expressaram solidariedade para com a Igreja na Nicarágua, como a do México, da Costa Rica e da Bolívia, que condenaram as intimidações e repressão de que são vítimas bispos, sacerdotes e demais fiéis nicaraguenses.

Ameaças à liberdade religiosa

Vários protestos contra as medidas das autoridades civis que no mês passado também ordenaram a expulsão das Missionárias da Caridade, fundada por Santa Teresa de Calcutá, por não cumprirem algumas obrigações legais, e de outras organizações. Além da Rádio Hermaqnos, a rádio católica mais antiga do país, Rádio Católica de Sébaco, Rádio Nuestra Señora de Lourdes, La Dalia, Rádio Alliens de San Dionísio, Rádio Monte Carmelo de Río Blanco, Rádio San José de Matiguas e Rádio Santa Lucía de Ciudad Darío.

O fechamento de emissoras de rádio e televisão católicas foi definido pela União Europeia (EU) e pelos Estados Unidos (EUA) como uma “decisão arbitrária”. A UE e os EUA também condenam a ocupação das emissoras e a rigidez adotada pela polícia contra aqueles que se manifestaram pela interrupção das transmissões. Para o porta-voz do Serviço de Ação Externa da União Europeia, Peter Stano é sobre o “mais uma violação da liberdade de expressão e liberdade de religião ou crença na Nicarágua”.

Na mesma linha, o Departamento de Estado dos EUA para a América Latina, por meio da voz do alto funcionário, Brian Nichols, condenou tais violações. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Relatoria Especial sobre Liberdade de Expressão também condenaram veementemente o “fechamento arbitrário” das últimas sete estações de rádio católicas na Nicarágua, bem como a entrada violenta da polícia em uma paróquia, conforme relatado pela agência de notícias Efe.

Celam e entidades internacionais condenam perseguições à Igreja Católica na Nicarágua, Jornal O São Paulo
(Foto: Diocese de Matagalpa)

Histórico de Tensões

Há anos, o bispo de Matagalpa pede respeito pela “liberdade religiosa” e se manifesta contra as injustiças. “Sua batina não lhe dá impunidade”, alertou na sexta-feira, 5, o deputado Wilfredo Navarro, membro do partido sandinista do presidente Daniel Ortega, em artigo publicado no site de televisão pública Canal 4. O parlamentar acusa o Bispo de ter dirigido, com padres e fiéis, o que ele chamou de “tentativa de golpe” em 2018, quando manifestantes que exigiam a renúncia do presidente da Nicarágua se refugiaram nas igrejas e, desde então, as relações entre a Igreja Católica e o governo Ortega foram tensas. A crise também levou à expulsão do núncio apostólico, Dom Waldemar Sommertag, em março.

Daniel Ortega, 76 anos, ex-guerrilheiro sandinista, foi reeleito em novembro de 2021 para o quarto mandato presidencial consecutivo, em uma votação em que todos os seus potenciais adversários estavam ausentes, tendo sido presos ou forçados ao exílio. Os protestos pedindo sua renúncia há quatro anos foram reprimidos com sangue, com um número de mortos de mais de 350, centenas de presos e dezenas de milhares de exilados, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

(Com informações das agências SIR, Efe e Vatican News-Italiano)

3 comentários em “Celam e entidades internacionais condenam perseguições à Igreja Católica na Nicarágua”

  1. Óh, homem e mulher mesquinhos. Porventura foram vossos pais que vos deixaram essa terra de herança? - Que ricos tan pobres!
    Deixem os outros herdeiros da Nicarágua, desfrutarem da sua herança em paz. Não usurpem do bem dos vossos irmãos para se sentiram grandes, seus pequenitos!

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