Nigéria: população vai às ruas exigir ações contra mortes e sequestros

Donos de propriedades rurais e cristãos, em especial os sacerdotes, são os alvos preferenciais de grupo terrorista formado, em sua maioria, por radicais muçulmanos

Foto extraída a partir de vídeo das manifestações em Abuja

Centenas de manifestantes ocuparam as ruas de Abuja, capital da Nigéria, na segunda-feira, 24, em protestos para exigir medidas mais efetivas do governo para conter a onda de mortes e sequestros no país.

Desde 2009, os nigerianos têm sido alvo de ataques do grupo terrorista Boko Haram. Nas últimas semanas, as situações de insegurança têm se amplificado, com os ataques da milícia Fulani, formada em sua maioria por muçulmanos, que tem como alvo preferenciais os proprietários rurais – a fim de dominar suas pastagens – e os cristãos.

Entre os sequestrados há muitos sacerdotes, entre os quais Padre Joe Keke, de 75 anos, capturado em 20 de maio durante uma invasão na Paróquia São Vicente Ferrer, no estado de Katsina. Na ocasião, também houve o sequestro do Padre Alphonsus Bello, posteriormente encontrado morto.

A Associação dos Juristas Católicos da Nigéria já pediu ao governo que amplie as medidas de segurança e os bispos também têm externado suas preocupações.

“A Nigéria é um Estado confuso e sem direção, já que ninguém sabe para onde vamos e de onde viemos”, declarou Dom Matthew Hassan Kuka, Arcebipo de Kaduza, na missa do domingo, 23.

“Os cidadãos estão perdendo a confiança no governo, porque ele não está cumprindo com sua principal responsabilidade constitucional, que é a proteção à vida e à propriedade dos cidadãos”, disse Dom Stephen Dami Manza, Bispo de Yola, ao comentar sobre as recentes manifestações.

O Diretor das Comunicações Sociais da Diocese de Makurdi, Padre Moses Iorapuu, disse durante um evento do conselho de leigos da diocese, ma semana passada, que comunidades cristãs estão sendo destruídas e pediu que os fiéis ajudem a protegê-las “A incapacidade das autoridades em frear os fundamentalistas que segue matando, violando e destruindo casas, campos e sequestrando, é uma confirmação da cumplicidade das autoridades federais”.

No começo deste mês, Dom Oliver Dashe Doeme, Bispo da diocese nigeriana de Maidiguri, incentivou a reza do terço para erradicar a violência terrorista que devasta o país. “Peço àqueles que desejam ajudar que rezem pelo fim da violência, especialmente o Terço”. E acrescentou: “com a oração fervorosa e profunda a Nossa Senhora, o inimigo será certamente derrotado”.

Um continente, múltiplos conflitos

Em recente entrevista ao Vatican News, o Padre Giulio Albanese, missionário comboniano, jornalista, colunista do L’Osservatore Romano, especialista em África, comentou que o continente enfrenta uma situação dolorosa, especialmente “pela onda de conflitos entre Estados, da Somália à República Democrática do Congo, do norte da Nigéria à recente crise em Tigray. Digamos que a lista é longa, e recordemos também dos pesados condicionamentos derivados da crise na Líbia com a constante penetração dos jihadistas em direção ao Sul, portanto em direção à África subsaariana”.

O especialista ressalta, ainda, que a crise econômica desencadeada pela COVID-19, “explodiu mecanismos recessivos sem precedentes, juntamente com a obstinação da especulação financeira internacional e a fraqueza do sistema de saúde continental, sem mencionar a mudança climática”.

Padre Giulio Albanese considera ser fundamental que se evitem as situações de conflito, mas pondera: “não nos esqueçamos que a primeira coisa que precisamos fazer hoje para garantir a paz no continente é garantir a segurança alimentar e, em seguida, a participação democrática de todos os que, dentro dos países, são chamados a exercer seu direito de voto. Sabemos que na África este é outro grande problema, porque quando há eleições, em muitos países ocorrem com muita frequência fraudes”.

 (Com informações de Vatican News e Agência Fides)

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