
No sábado, 5, as ruas do centro de Londres, na Inglaterra, foram tomadas por uma multidão de cerca de 10 mil pessoas. Em uma das maiores edições anuais da March for Life UK no país, a iniciativa reuniu famílias, jovens e líderes religiosos de diferentes denominações cristãs, em um clima de paz e determinação.
O evento ocorreu em um momento de intenso debate legislativo sobre o aborto na Inglaterra, Escócia e País de Gales. Ativistas pró-vida pedem restrições maiores à prática e criticam as chamadas “zonas de exclusão” ou “zonas de segurança” em torno de clínicas e hospitais que realizam abortos. Essas áreas, de cerca de 150 metros de raio, proíbem atividades consideradas de influência, obstrução ou assédio a quem busca tais serviços.
Em 2023, a Inglaterra e o País de Gales registraram quase 278 mil abortos, o maior número desde a entrada em vigor da lei que permitiu o procedimento, do ano de 1967. Cerca de um terço das concepções resultaram em interrupção voluntária da gravidez, segundo estatísticas oficiais. Críticos apontam esses números como evidência de uma “cultura do descarte”.
Um número sem precedentes de15 bispos católicos participou da mobilização, ante sete no ano passado. Pela manhã, eles se reuniram na Catedral de Westminster antes de se juntarem à caminhada, em missa presidida por Dom Richard Moth, Arcebispo de Westminster, e com a homilia proferida por Dom Frank Dougna, Bispo de Galloway.

A March for Life UK nasceu de forma modesta há mais de uma década e foi ganhando escala. Em edições recentes, a presença de jovens e famílias tem aumentado, assim como a participação de cristãos de outras tradições (anglicanos, ortodoxos e evangélicos) e até de pessoas sem filiação religiosa. Organizadores veem nisso um sinal de renovação geracional do movimento.
A Marcha de 2026 não foi um evento isolado. Ela se insere em um panorama europeu e global no qual o debate sobre o início da vida humana, os direitos da mulher e o papel do Estado continua aceso. Avanços médicos – que permitem a sobrevivência de bebês cada vez mais prematuros – e mudanças demográficas (queda nas taxas de natalidade) também entram na discussão.
Fontes: EWTN News e The Tablet




