ONU e Santa Sé enaltecem debates na COP26, mas alertam para a urgência de ações concretas para o clima

Conferência sobre mudanças climáticas foi encerrada em Glasgow, na Escócia

Crédito: Unsplash/Johannes Plenio (extraído do site ONU News)

Terminou na sexta-feira, 12, a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP26, em Glasgow, na Escócia, evento sob o qual se depositou grande esperança para ações concretas com vistas a melhorias nas condições climáticas e ambientais do planeta.

No último dia, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres avaliou positivamente o fato de no evento ter se mantido a meta de tentar limitar a elevação da temperatura global a 1,5 °C.

Mami Mizutori, representante especial da ONU para a Redução de Risco de Desastres, pediu que a ação internacional se traduza numa alta em investimentos para prever e informar sobre as ameaças. Ela ressaltou que os líderes globais devem se comprometer com “adaptação liderada por ações locais” por ser “crucial para as cidades e comunidades”.

Já o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em comunicado, pediu aos Estados que implementem acordos sobre o alvo de 1,5 °C que garanta a neutralidade de carbono até meados do século, pois se isso não ocorrer, “milhões de refugiados, deslocados e apátridas serão severamente afetados”. 

Também o Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud e a Organização Meteorológica Mundial, OMM, ressaltaram que das decisões da COP26 depende o futuro do planeta. 

Na quinta-feira, 11, ao falar no evento, Guterres explicou que para manter o aumento da temperatura global a 1,5 °C será necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 45% até 2030, e fez um alerta: as contribuições nacionalmente determinadas que foram apresentadas pelos países levarão a um aumento das emissões nos próximos nove anos. 

Na avaliação do secretário geral da ONU, o mundo continua “no caminho para um aumento catastrófico da temperatura bem acima dos 2 graus”.

Ele elogiou o acordo de cooperação firmado entre Estados Unidos e China contra a mudança climática, mas criticou o fato de a indústria de combustíveis fósseis receber trilhões em subsídios e o carbono continuar sem um preço, “prejudicando mercados e decisões de investidores”.  Ele voltou a pedir que países, cidades, empresas e instituições financeiras reduzam radicalmente as emissões e descarbonizem seus portfólios.

Santa Sé: compromissos promissores e essenciais

Em comunicado publicado na sexta-feira, 12, a Santa Sé classificou como “promissores” e “essenciais para a sobrevivência das comunidades mais vulneráveis” os compromissos assumidos pelos Estados que participaram da COP26 em limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e de fornecer os recursos financeiros necessários para alcançar este objetivo.

No entanto, embora aprecie tais compromissos, a Santa Sé lembra que “ainda há muito a ser feito” e por esta razão é necessário encontrar formas eficazes também para remediar algumas “lacunas” que surgiram “nas áreas da mitigação, adaptação e financiamento”.

“Os recursos disponibilizados para estes três aspectos, fundamentais para a concretização dos objetivos do Acordo de Paris, deverão ser reforçados e renovados”, diz o documento. “A Santa Sé espera que a COP26 possa chegar a um acordo sobre um roteiro claro para preencher estas lacunas em breve, com os países desenvolvidos assumindo a liderança”, consta no comunicado.

Recorda-se em seguida o apelo conjunto de líderes religiosos e cientistas, lançado em 4 de outubro, focalizando a situação das comunidades mais vulneráveis às mudanças climáticas, e se reportam as palavras do Papa sobre “a dívida ecológica e a solidariedade que os países industrializados devem aos pobres”.

A delegação da Santa Sé espera que as decisões finais da COP26 “sejam inspiradas por um genuíno sentido de responsabilidade para com as gerações presentes e futuras, bem como o cuidado com nossa casa comum, e que essas decisões possam responder verdadeiramente ao grito da Terra e ao grito dos pobres”.

“O tempo está se esgotando: esta ocasião não deve ser perdida”, conclui-se o comunicado com este alerta do Papa Francisco contido em sua a Carta aos católicos da Escócia, publicada na quinta-feira, 11.

Fontes: Vatican News e ONU News

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