O Exército de Israel anunciou na terça-feira, 21, que os dois soldados envolvidos na destruição, a marretadas, de uma estátua de Jesus Cristo, ocorrida na Vila de Debel, no sul Líbano, foram condenados a 30 dias de detenção.

A localidade, de maioria cristã, é uma das ocupadas pelo exército israelense. A punição aos militares ocorre após investigações internas das Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmarem a autenticidade das imagens da destruição, que circularam intensamente pelas redes sociais ao longo do último fim de semana.
A foto, de autoria do jornalista libanês Younis Tirawi, mostra um soldado israelense atingindo uma estátua de Jesus Cristo com uma marreta, enquanto um oficial filmava a ação. Segundo as apurações, outros seis militares acompanharam este gesto de intolerância religiosa e nada fizeram para impedi-lo. Eles ainda serão julgados e podem ser responsabilizados pela inação diante do fato.
Em entrevista à Agência Reuters, o Padre Fadi Falfel, que atua em Debel, explicou que a cruz fazia parte de um pequeno santuário no jardim de uma família que vive na periferia daquela vila.
Em nota, as Forças de Defesa de Israel asseguraram já terem efetuado a substituição da estátua danificada: “Há pouco, em total coordenação com a comunidade local de Debel, no sul do Líbano, a estátua danificada foi substituída por nossas tropas”.

REAÇÕES
Na segunda-feira, 20, a Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa condenou a ação que resultou na destruição da estátua de Jesus: “Este ato constitui uma grave afronta à fé cristã e soma-se a outros episódios relatados de profanação de símbolos cristãos por parte de soldados das FDI no sul do Líbano”, consta na nota assinada por seu presidente, o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém.
A Assembleia pediu “uma ação disciplinar imediata e decisiva, um processo credível de responsabilização e garantias claras de que tal conduta não será tolerada nem repetida”.
“Para os crentes, a Cruz continua a ser uma fonte de dignidade, esperança e redenção, bem como um convite a superar a violência por do amor sacrificial”, prossegue o texto.
“É precisamente nesta perspectiva que a Igreja continua a proclamar que a verdadeira paz não pode nascer da violência, mas deve permanecer, segundo as palavras do Papa Leão XIV, desarmada. Uma paz que convida a guardar a espada na bainha”, consta no documento.

Ainda na segunda-feira, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, manifestou-se “chocado e triste” e determinou velocidade na apuração de responsabilidades. Também Gideon Saar, ministro das Relações Exteriores israelense, pediu desculpas “por este incidente e a todos os cristãos que se sentiram ofendidos”.
Por meio de nota, também na segunda-feira, 20, a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) manifestou “sua profunda consternação e inequívoca reprovação diante do episódio ocorrido no sul do Líbano” e disse que “repudia qualquer ato de desrespeito a símbolos religiosos, independentemente de sua origem ou contexto. A profanação de imagens sagradas, sejam elas cristãs, judaicas, muçulmanas ou de qualquer outra crença, é inaceitável e contraria os valores fundamentais de convivência, tolerância e respeito mútuo que norteiam nossa comunidade”.
“Reconhecemos e valorizamos a resposta imediata das autoridades israelenses”, consta em outro trecho do texto, no qual se ressalta que o episódio resultou de “um desvio de conduta individual, e não uma política ou valor do Estado de Israel”.
“A comunidade judaica paulista, representada pela Fisesp, reafirma seu compromisso histórico com o diálogo inter-religioso e com o respeito à fé cristã e a todas as expressões religiosas. Ao longo de décadas, temos construído pontes de entendimento e solidariedade com as comunidades cristãs do Brasil e do mundo, e episódios como este não podem e não devem abalar esses laços de fraternidade. Expressamos nossa solidariedade à comunidade cristã maronita de Debel e a todos os cristãos, por este ato”, consta na conclusão da nota.
Fonte: Vatican News, Agência Ecclesia e G1




