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‘A exemplo de Santa Marta, acolhamos o Cristo em nossa casa’

‘A exemplo de Santa Marta, acolhamos o Cristo em nossa casa’

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu a missa da Memória de Santa Marta, nesta quarta-feira, 29, na capela de sua residência, na região central da capital paulista. A Eucaristia foi transmitida pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais a Arquidiocese.

Santa Marta era irmã de Maria e de Lázaro, amigos de Jesus. Quando recebia o Senhor em sua casa, em Betânia, servia-o com muita solicitude. Com suas preces, intercedeu a Jesus pela ressurreição do seu irmão, como narra o Evangelho deste dia (Jo 11,19-27).

IGREJA DOMÉSTICA

“Recordamos de todas as pessoas que acolhem em seus lares seus familiares e amigos. A hospitalidade e a boa acolhida sempre fizeram parte de uma demonstração de carinho e afeto, mas também de fé. Marta, Lázaro e Maria tiveram a alegria de hospedar em sua o próprio Filho de Deus” ressaltou Dom Odilo, no início da celebração.

O Cardeal lembrou, ainda: “Temos a alegria de hospedar Jesus em nossa casa, na Igreja doméstica, pois, onde dois ou mais estão reunidos em nome de Jesus, ele está presente”. E recordou daqueles que mais precisam ser acolhidos, os pobres, doentes, pessoas mais necessitadas.

Na homilia, Dom Odilo chamou a atenção para a primeira leitura (1Jo 4,7-16) em que São João escreve: “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado entre nós”, Em seguida, o Apóstolo afirma: “Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele”.

RECEBER O SENHOR

Em seguida, Dom Odilo um Sermão de Santo Agostinho, escrito no século V, que tem como título “Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa”, e compõe o textos do Ofício da Leituras da memória de Santa Marta. Leia a seguir:

As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo nos advertem que, em meio à multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim. Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim.

‘A exemplo de Santa Marta, acolhamos o Cristo em nossa casa’
Ícone de Santa Marta

Marta e Maria eram irmãs, não apenas irmãs de sangue, mas também pelos sentimentos religiosos. Ambas estavam unidas ao Senhor; ambas, em perfeita harmonia, serviam ao Senhor corporalmente presente. Marta o recebeu como costumam ser recebidos os peregrinos. No entanto, era a serva que recebia o seu Senhor; uma doente que acolhia o Salvador; uma criatura que hospedava o Criador. Recebeu o Senhor para lhe dar o alimento corporal, ela que precisava do alimento espiritual. O Senhor quis tomar a forma de servo e, nesta condição, ser alimentado pelos servos, por condescendência, não por necessidade. Também foi por condescendência que se apresentou para ser alimentado. Pois tinha assumido um corpo que lhe fazia sentir fome e sede.

Portanto, o Senhor foi recebido como hóspede, ele que veio para o que era seu, e os seus não o acolheram. Mas, a todos que o receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,11-12). Adotou os servos e os fez irmãos; remiu os cativos e os fez co-herdeiros. Que ninguém dentre vós ouse dizer: Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa! Não te entristeças, não te lamentes por teres nascido num tempo em que já não podes ver o Senhor corporalmente. Ele não te privou desta honra, pois afirmou: Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40).

Aliás, Marta, permite-me dizer-te: Bendita sejas pelo teu bom serviço! Buscas o descanso como recompensa pelo teu trabalho. Agora estás ocupada com muitos serviços, queres alimentar os corpos que são mortais, embora sejam de pessoas santas. Mas, quando chegares à outra pátria, acaso encontrarás peregrinos para hospedar? encontrarás um faminto para repartires com ele o pão? um sedento para dares de beber? um doente para visitar? um desunido para reconciliar? um morto para sepultar? Lá não haverá nada disso. Então o que haverá? O que Maria escolheu: lá seremos alimentados, não alimentaremos. Lá se cumprirá com perfeição e em plenitude o que Maria escolheu aqui: daquela mesa farta, ela recolhia as migalhas da palavra do Senhor. Queres realmente saber o que há de acontecer lá? É o próprio Senhor quem diz a respeito de seus servos: Em verdade eu vos digo: ele mesmo vai fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá (Lc 12,37).

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