‘Amor e Esperança – O Cântico dos Cânticos e o Apocalipse’

Mostra, com obras do jovem artista sacro Guto Godoy, pode ser vista na Sala MAS da Estação Tiradentes do Metrô

(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

A exposição “Amor e Esperança – O Cântico dos Cânticos e o Apocalipse”, do artista sacro Guto Godoy, de 24 anos, acontece na Sala MAS na Estação Tiradentes do Metrô (Linha 1 – Azul). Com entrada gratuita para todos os usuários do metrô, a mostra continua até dia 12 de setembro, de terça-feira a domingo, das 11h às 17h. 

Com curadoria da museóloga do Museu de Arte Sacra (MAS) Beatriz Cruz, e do próprio artista, as quase 40 obras expostas trazem elementos de ambos os livros da Sagrada Escritura por meio de técnicas diversas que empregam o uso do guache, têmpera, gesso e gravação sobre aço.

A temática

Sobre a junção de dois textos bíblicos que para muitos não dialogam, Godoy inicia dizendo que o “Cântico dos Cânticos celebra o amor de Deus pelo seu povo eleito, quando lido em chave judaica, e o amor de Cristo pela sua Igreja, [quando lido] em chave cristã. Já o Apocalipse, livro da Revelação, ao contrário do que é popularmente disseminado, não é uma premonição do fim do mundo, mas, sim, o livro que quer animar a esperança dos discípulos de Jesus”.

O artista acredita que juntá-los neste momento de pandemia foi uma ação do Espírito. “Acho que foi o Espírito quem convidou a ler esses dois livros em chave histórica mesmo. Bebendo naquilo que Ele representou para o povo hebreu e para os primeiros cristãos, procurando perscrutar [buscar] dentro desses livros o que eles têm a dizer hoje para nossa experiência de fé”, afirma o artista. 

Para Godoy, destacar na arte o amor e a esperança presentes nesses livros, em meio a esse contexto de distanciamento e isolamento social, é ainda mais forte como chave da cultura humana. “Todos os povos sempre vão beber na arte, na beleza, no elemento artístico e nesse sentimento de amor e de esperança, que é o que mantém a civilização, a vida das pessoas como uma continuidade, que possibilita viver”, narra.

(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

O jovem artista também frisa que ambos os livros são muito simbólicos e que a linguagem do sagrado é o símbolo, lembrando que Jesus sempre falou por meio de imagens e parábolas. Por isso, pensar essa relação entre eles é essencial, não só para o artista, mas para todo o povo cristão. 

Ele também acredita que, neste momento tão atípico da história humana, suas obras possibilitam “um repouso e refrigério diante de tanta desumanização, negacionismo e pecado”. 

Quem concorda com o artista é a usuária do metrô Maria de Lourdes. Ao passar pela estação, ela viu o cartaz da mostra, cujo tema lhe chamou a atenção. “Quem não quer escutar sobre amor e esperança? É um convite à meditação, são ícones que temos para meditar. Se eu pudesse, teria um quadro desses em casa”, comenta. 

Júlia Pereira, 18, que nunca havia visitado uma exposição, se sentiu atraída por se tratar de arte sacra. “Acho que todos temos um pouquinho de fé. Eu tenho. Essa obra aqui é como se tudo estivesse interligado”, diz a jovem, apontando para a pintura feita em têmpera sobre cartão “Estavam segurando os ventos nos quatro cantos da terra” (Ap 7,1). 

O que esperar da mostra

Além de pinturas, entre as obras há uma escultura, um crucifixo feito de madeira e gesso patinado. Godoy revela que esses e outros trabalhos que compõem a mostra, embora não sejam elementos descritos oficialmente nos livros representados, foram incluídos porque dialogam com eles. 

“A cruz, de maneira geral, é a concretização do capítulo 1º do Apocalipse, a testemunha fiel. O testemunho da fidelidade de Jesus Cristo é a entrega plena no alto da cruz”, comenta Godoy.

Outra obra incluída – e que para o artista é a mais bela da exposição –, foi a figura do Pantokrator, que em grego significa “Senhor de tudo”. “É o Cristo sentado trazendo o livro da vida na mão esquerda e abençoando com a mão direita. É a imagem do retorno de Cristo, que é a esperança mantida viva pelo livro do Apocalipse”, detalha o autor.

Ir com “disponibilidade de espírito, com o coração aberto para contemplar com os olhos aquilo que a fé apresenta ao coração e a razão” é a primeira sugestão de Godoy a quem for visitar a mostra.

“Na exposição [o visitante] encontrará o resultado de uma experiência de fé e mística que é um convite a todos os cristãos de tomar proximidade com Aquele que é o centro das nossas vidas, que nos ama e nos dá esperança”, expõe.

Godoy ainda recomenda que o visitante tenha contato com a Sagrada Escritura, seja antes, durante ou depois de prestigiar a mostra. “Até proponho que, se tiver acesso à Bíblia no celular, acompanhe a mostra procurando os versículos que estão ali citados”, sugere. 

Sobre Godoy

O artista sacro Guto Godoy nasceu em Assis (SP). Bacharel em Artes Visuais pelo Centro Acadêmico Belas Artes de São Paulo, cursou Arquitetura e Arte para a Liturgia no Pontifício Ateneo Sant’Anselmo in Urbe, em Roma. Teve por mestre o maior nome da Arte Sacra brasileira do último século, Claudio Pastro (1948-2016). Executa desde 2010 projetos para igrejas, adequação do espaço de culto, pinturas murais, azulejos, esculturas e ilustrações. 

Para ele, expor no Museu de Arte Sacra é a realização de um sonho. “A primeira vez que estive em São Paulo, aos 15 anos, para fazer a primeira visita ao Ateliê do Pastro, fui antes ao museu. Maravilhei-me e sonhei em expor naquele espaço. Agora o sonho se concretizou”, partilha Godoy. 

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