Amparo Maternal: 82 anos de acolhida e amor a gestantes, puérperas e bebês

Desde 1939, a entidade oferece abrigo e garante proteção integral a gestantes em situação de risco. O atendimento se estende no período pós-parto e aos recém-nascidos de até 6 meses

Missa pelos 82 anos do Amparo Maternal, na sexta-feira, 20 (foto: Luciney Martiins/O SÃO PAULO)

Administradores, colaboradores e voluntários do Amparo Maternal, bem como as mães acolhidas com seus bebês, reuniram-se na sexta-feira, 20, em ação de graças pelos seus 82 anos de fundação. Esse espaço tem por missão acolher a gestante de forma integral e humanizada, prestando assistência à saúde materno-infantil, conforme lembrou o Padre Jorge Bernardes, Assessor Eclesiástico da Associação Amparo Maternal, na missa que presidiu na ocasião, concelebrada pelo Frei Henrique Moretto, da Ordem de Santo Agostinho.

Padre Jorge lembrou, ainda, que o Amparo tem o compromisso de ser referência no atendimento, contribuindo com a reinserção social da mulher na sociedade.

História

O Amparo Maternal foi fundado em 20 de agosto de 1939 pela Madre Franciscana Marie Domineuc, pelo médico obstetra Álvaro Guimarães Filho e por Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, então Arcebispo de São Paulo.

A instituição surgiu para abrigar as grávidas. A ideia dos criadores era a de que nenhuma parturiente na cidade deveria ficar sem um local adequado para dar à luz. À época, eram  comuns o abandono e a exclusão de mães solteiras por suas famílias. 

Sensibilizados, a Madre, o Arcebispo e o doutor iniciaram o trabalho alugando casas onde as gestantes ficavam até ter o bebê e conseguir recursos para sua sobrevivência. O lema era “nunca recusar ninguém”.

Em 1945, a entidade conseguiu, na Câmara Municipal, autorização para o início das obras das instalações do Amparo Maternal, na Rua Loefgren, na Vila Clementino, zona Sul da capital paulista.

A princípio, o local não previa maternidade, somente um alojamento social, com salas de aula e cursos profissionalizantes, no qual as mães poderiam morar nos quartos e cuidar de seus filhos.

Com o aumento de gestantes recusadas pelos hospitais de São Paulo, porém, foi necessário estruturar a área hospitalar, que fez do Amparo Maternal a única entidade existente no Brasil e na América Latina que, além da maternidade, oferecesse alojamento para as gestantes.

Primeiros atendimentos no Amparo Maternal (Acervo Amparo Maternal)

Estruturação

Em 1974, a Congregação das Irmãs Vicentinas de Gysegem assumiu a gestão da Associação Amparo Maternal, sob a liderança da Irmã Anita Gomes, que permaneceu por 40 anos, contribuindo para o crescimento e permanente estruturação das atividades voltadas à assistência social.

Em 1978, iniciou-se a construção de um novo prédio, no mesmo terreno, para separar a maternidade do alojamento social. A obra foi concluída em 1983, sede do Centro de Acolhida para Gestantes, Mães e Bebês, com acesso pela Rua Napoleão de Barros, 1.035.

Em 1985, consolidou-se o apoio de voluntárias que, além de se mobilizar em prol do bazar beneficente, auxiliam as mães e os recém-nascidos no alojamento social. Em 2007, passou a haver o apoio administrativo da Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC).

Nova gestão

Em 2021, encerrou-se a parceria com a Congregação das Irmãs de Santa Catarina. A partir de agora, a gestão do Hospital Amparo Maternal é responsabilidade da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), enquanto a Associação Amparo Maternal, em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, permanece sob a gestão do  Centro de Acolhida para Gestantes, Mães e Bebês.

Paula Lorenna Alves Pirolo e Emerson José Pirolo, fundadores da Associação Católica Missionários da Redenção, foram eleitos para a presidência e diretoria financeira da Associação Amparo Maternal.

“Assumimos a coordenação do Centro de Acolhida de forma interina, para o período de 15 de julho a 15 de setembro de 2021, para dar continuidade à missão dos fundadores e coordenar a gestão da entidade que transforma vidas”, disse Paula Lorenna, recordando ainda que  o Amparo acolhe mulheres, gestantes que sofreram violência física, sexual e psicológica, mulheres em situação de rua, usuárias de substâncias psicoativas (SPAs) e refugiadas de outros países.

Egle Moura, representante da subprefeitura regional da Vila Mariana, destacou que os encaminhamentos para os atendimentos no Amparo Maternal são realizados por meio de solicitações feitas em uma das unidades do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas).

“Os pedidos de atendimento são feitos em uma das unidades do Creas, onde a equipe faz a avaliação e encaminhamento”, disse, recordando ainda que a área de abrangência da instituição é municipal.

Ressignificar a ação

Padre Jorge destacou que entre as ações da Igreja na instituição, além da celebração da Santa Missa, está o compromisso de mostrar à sociedade o valor da maternidade e o sentido da vida como dom de Deus.

“O legado dos fundadores se perpetua em cada nova mulher que chega ao Centro de Acolhida, a cada nova política estabelecida em favor de gestantes, mães e filhos desamparados, a cada novo doador e parceiro que, de forma gratuita, abraça a causa e generosamente contribui com a manutenção dessa obra, cujo nome traduz sua vocação: amparar as mães e seus filhos, na garantia da vida e dignidade”, disse o Padre.

Prontas para servir

Maria Ilse Moreno Piquera, 82, nasceu no mesmo ano do Amparo Maternal e há 42 anos é voluntária na entidade. Auxiliar as mães acolhidas e promover o bazar beneficente é missão das voluntárias que atuam na sede.

“O Amparo é minha segunda casa. Doar minha vida em prol da instituição é uma missão de amor. Sou mãe e, como mãe, acolher as mães aqui atendidas é algo que remete à experiência de Maria, que abraça Santa Isabel, um encontro de mães que se unem na busca de um mundo mais justo e solidário”, disse.

Silvana Nartes Gavião, 58, é voluntária há 18 anos. Ela destacou que o Amparo é um local de esperança e renovação da vida: “Unidas somos mais fortes, e contribuir diariamente com essas mulheres acolhidas, cada uma com sua história de vida, é uma maneira de agradecer a Deus o dom da vida aqui gerada. A vida renasce em cada mulher e em cada bebê”, afirmou.

Mães acolhidas

Foto: Luciney Martins/ O SÃO PAULO

A associação disponibiliza 50 vagas e tem possibilidade de expansão para receber até 80 mulheres gestantes e mães com seus bebês. Atualmente, estão acolhidas 19 mães, 19 bebês e cinco gestantes.

Talita Simões da Silva, 21, é mãe do Jonas Lucas, de 3 anos, e da Luara, de 2 meses. Os filhos nasceram na instituição.

“Estou pela segunda vez aqui no Amparo Maternal, meus dois filhos nasceram neste local. O Amparo é um divisor na minha vida. Eu estava imersa nas drogas, engravidei e, para o bem dos bebês, minha mãe me encaminhou à instituição. Aqui meus filhos nasceram saudáveis. Gratidão é o que define a minha experiência nesta casa de amor e vida”, disse a jovem, segurando no colo a pequena Luara.

Sara, 23, é natural de Angola, está no Brasil há três meses, em busca de melhores condições de vida. Na gravidez, ali ela encontrou apoio e amparo. “Como é gratificante saber que alguém olha para você com amor e resgata a sua dignidade”, disse a jovem, no sexto mês da sua primeira gestação, à espera, com amor, da filha Pérsia. 

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