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Dom Odilo aos diáconos: ‘O serviço e a presença de vocês são importantes e preciosos para a Igreja’

Dom Odilo aos diáconos: ‘O serviço e a presença de vocês são importantes e preciosos para a Igreja’ - Jornal O São Paulo
Cardeal Scherer com os diáconos permanentes na Paróquia São João Batista do Brás
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na quinta-feira, 13, o Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu missa na Paróquia São João Batista do Brás, na Região Belém, com a presença dos diáconos permanentes da Arquidiocese. A celebração ocorreu por ocasião da comemoração do padroeiro dos diáconos, o mártir São Lourenço, cuja memória litúrgica é celebrada em 10 de agosto.

A Eucaristia foi concelebrada pelo Cônego Celso Pedro da Silva, Presbítero Referencial que acompanha o diaconato na Arquidiocese de São Paulo e Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, na Região Belém, e pelo Padre Paulo Lino, Vigário Paroquial da mesma Paróquia.

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DIÁCONOS PARA A CARIDADE

Na homilia, Dom Odilo expressou profundo apreço e gratidão pelo trabalho desenvolvido pelos diáconos. O Arcebispo destacou o equilíbrio e a força pastoral que representam nas paróquias e comunidades da Arquidiocese. 

“O serviço e a presença de vocês são importantes e preciosos para a Igreja. O Papa Francisco definiu de maneira bonita, dizendo que é o ministério do serviço, da caridade”, afirmou o Cardeal. Ele ressaltou a atuação diaconal no cuidado aos doentes, pessoas em situação de vulnerabilidade e refugiados, bem como na liturgia, frisando que essa dedicação ajuda a animação pastoral e impulsiona o autêntico testemunho da fé.

Aprofundando a reflexão sobre o chamado ministerial, Dom Odilo utilizou a figura do profeta Ezequiel para ilustrar a necessidade de uma existência profética no mundo atual. Ao recordar os 800 anos do trânsito de São Francisco de Assis e a memória de Santa Dulce dos Pobres — cujas obras o Arcebispo visitou recentemente em Salvador (BA) —, ele exortou: “A nossa vida deverá ser sinal. Brilhe a nossa luz”. 

A exemplo de Irmã Dulce, destacou que a vida ministerial se torna profecia mediante o testemunho vivo das obras de misericórdia. “Sem a caridade, a nossa fé é vazia. Nossa celebração é um rito vazio se não estiver permeada pela caridade, que é a extensão do que celebramos no altar”, instruiu.

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SERVIÇO

A dimensão do serviço sublinhada pelo Arcebispo encontra eco imediato na vivência pastoral dos diáconos. Para o Diácono Pedro Ernesto dos Santos Junior, 55, Assistente Pastoral na Paróquia São João Batista do Brás e Vice-Diretor do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, a vocação se resume à palavra serviço. 

Ordenado em dezembro de 2021 por Dom Odilo, o Diácono atesta que sua missão é pautada pelo amor e pela atenção aos mais necessitados: “Para mim, o Diaconato é a configuração a Cristo Servidor e a resposta diária à vontade de Deus, vivida por meio de orações contínuas e da esperança na salvação”.

O Diácono Marcel Alves Martins, 42, Assistente Pastoral na Paróquia São Miguel Arcanjo, no Jardim da Conquista, Região Belém, partilha dessa mesma premissa. Com quase seis anos de ordenação, ele ensina ativamente em sua comunidade que “o diácono é um sinal visível do Cristo servidor”. 

Para Marcel, a celebração com o Arcebispo é vital para fortalecer a unidade clerical. “A rotina intensa pode nos levar a pensar que estamos sós, mas celebrar juntos nos recorda que pertencemos a um corpo. O desejo e o esforço que Dom Odilo faz para estar conosco reafirmam essa comunhão, que une profundamente o diácono ao seu bispo”, avaliou Marcel, que vê no ministério o chamado contínuo da Igreja para ir ao encontro dos que mais precisam.

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ORIGEM BÍBLICA

O diaconato é o primeiro grau do sacramento da Ordem – seguido do presbiterato (padres) e do episcopado (bispos). A palavra grega diakonia significa serviço O serviço dos diáconos é documentado desde os tempos apostólicos, como relata o Livro dos Atos dos Apóstolos (cf. 6,1-6) sobre a instituição dos sete homens encarregados do serviço à Palavra, às mesas e aos necessitados.

Diferentemente dos padres e bispos, os diáconos não presidem a Eucaristia (missa), a Reconciliação (Confissão) nem a Unção dos Enfermos, mas podem ministrar o sacramento do Batismo e abençoar matrimônios. Além disso, colaboram na formação catequética dos fiéis, no acompanhamento das famílias e na organização dos serviços caritativos da comunidade.

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DIACONATO PERMANENTE

A instituição diaconal foi florescente na Igreja do Ocidente até o século V. Depois, por várias razões, acabou por permanecer apenas como etapa intermediária para os candidatos à ordenação sacerdotal. O Concílio de Trento, no século XVI, dispôs que o diaconato permanente fosse retomado como nos primórdios, mas não chegou a se concretizar.

Foi somente o Concílio Vaticano II que estabeleceu que o diaconato pudesse “ser restaurado como grau próprio e permanente da hierarquia” e “ser conferido a homens de idade madura, também casados”, como destaca a constituição dogmática Lumen gentium. Em 1967, São Paulo VI estabeleceu as regras gerais para a restauração do diaconato permanente por meio da carta apostólica Sacrum diaconatus ordinem.

A Arquidiocese de São Paulo já havia tido a experiência da ordenação de um diácono permanente na década de 1970. No entanto, o diaconato permanente foi sistematizado com a instituição da Escola Diaconal Arquidiocesana São José, em 19 de agosto de 2000. Nessa ocasião, teve início o processo formativo da primeira turma, sendo o primeiro grande grupo de diáconos, 24 ao todo, ordenado em 2005. Atualmente, há 105 diáconos permanentes em atividade na Arquidiocese.

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FORMAÇÃO

Para ser ordenado diácono permanente na Arquidiocese, o candidato deve ter no mínimo 40 anos de idade e dez de vida matrimonial. Durante o período de formação, realiza o curso integrado de Filosofia e Teologia por cinco anos. Ao concluir os estudos, faz um sexto ano de vivência pastoral, uma espécie de laboratório em diferentes âmbitos como hospitais, serviço aos mais pobres e cemitérios.

O Vice-Reitor da Escola Diaconal São José, Diácono Ailton Machado, um dos integrantes da primeira turma, explicou que a formação começa na paróquia: “Cristo nos chama ali onde estamos. O pároco acolhe esse chamado e encaminha para o centro vocacional”. Após entrevistas, o candidato participa de um curso propedêutico, de agosto a novembro. Superada essa etapa, ingressa na Faculdade de Teologia, paralelamente à formação na Escola Diaconal.

“A Faculdade forma o teólogo; a Escola forma o diácono”, resumiu Machado. Durante cinco anos, os candidatos participam de encontros quinzenais, dois retiros anuais e o estágio pastoral. “É impressionante como o chamado atinge o coração do candidato. É como uma flecha de amor, e ele não consegue mais se ver fora da escola”, afirmou.

Interessados em saber mais sobre algum aspecto específico do diaconato permanente podem entrar em contato com o Centro Vocacional Arquidiocesano (CVA) pelo telefone (11) 3237-2523 ou pelo e-mail cvasp@uol.com.br.

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