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Dom Odilo pede a servidores do altar que sejam firmes na fé e sempre confiem na Igreja

Dom Odilo pede a servidores do altar que sejam firmes na fé e sempre confiem na Igreja - Jornal O São Paulo
Cardeal Odilo Pedro Scherer saúda a multidão de coroinhas, cerimoniários e acólitos no encerramento da missa realizada na Catedral Metropolitana, no sábado, dia 8
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Do alto do presbitério, era possível ver a Catedral da Sé repleta de crianças, adolescentes e jovens devidamente vestidos como coroinhas e cerimoniários. Ao serem chamados a partir das regiões episcopais de onde vieram, as bandeirinhas brancas (Região Belém), vermelhas (Brasilândia), azuis (Ipiranga), amarelas (Lapa), roxas (Santana) e verdes (Sé) deram um colorido ainda mais especial para o Encontro dos Servidores do Altar com o Arcebispo, realizado na tarde do sábado, 8, pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV). 

“O serviço por vocês prestado contribui para destacar a dignidade do mistério celebrado e para incentivar as vocações nas suas mais variadas formas”, afirmou o Padre João Henrique Novo do Prado, Coordenador do SAV, ao dar início ao momento vocacional, durante o qual houve preces para que haja vocacionados ao ministério ordenado, à vida religiosa consagrada, à vida familiar e ao testemunho laical no mundo: “Que desta linda assembleia de servidores do altar possam surgir boas vocações”, desejou o Sacerdote, que também é Reitor do Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção.

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A NATUREZA E A MISSÃO DA IGREJA

“Que bom poder ver a Catedral cheia! Todos vocês vieram para se sentir parte desta grande família que é a Arquidiocese de São Paulo”, sublinhou o Cardeal Odilo Pedro Scherer no começo da missa, que teve entre os concelebrantes Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Referencial para a Liturgia, e padres que assessoram os trabalhos da Pastoral Vocacional nas regiões.

Na homilia, o Arcebispo de São Paulo fez uma ampla catequese sobre a natureza e a missão da Igreja Católica Apostólica Romana: ela abrange a todos, é fiel à fé que recebeu dos apóstolos e tem sua sede em Roma, onde está o Papa, o sucessor do apóstolo Pedro. Recordou, ainda, que o resumo da fé da Igreja está no Catecismo da Igreja Católica; que a liturgia trata dos ritos pelos quais se celebra a fé; e que a Igreja se faz presente no mundo inteiro por meio das dioceses, com os bispos ligados ao Papa e os padres e o povo, nas paróquias, ligados a seu bispo diocesano.

O Arcebispo também explicou que cada igreja é a casa da família de Deus e tem como referência principal o altar, no qual se recorda que Jesus é “o Grande Sacerdote que nos une e que oferece, sempre de novo, pelas mãos do sacerdote e de toda a comunidade que celebra, o Seu sacrifício, a Sua vida em favor de todos nós”.

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PERSEVERAR NA FÉ

Diante do olhar atento das crianças, adolescentes e jovens, muitos deles pela primeira vez na Catedral Metropolitana, o Arcebispo recordou que muitas vezes a Igreja é como a barca dos apóstolos no meio da tempestade (cf. Mt 14,22-33), jamais, porém, abandonada por Cristo: “É preciso sempre ter fé. A Igreja, ao longo destes 2 mil anos, atravessou muitas tempestades, mas não afundou, porque Jesus sempre está por perto. Vocês [servidores do altar] são filhos da Igreja, desta Igreja que Jesus quis e que nela está. Confiem sempre Nele e na Igreja”.

Por fim, Dom Odilo recordou que São Tarcísio, o padroeiro dos servidores do altar, foi martirizado após ser capturado levando a Eucaristia aos cristãos perseguidos: “Era um menino, como vocês, que ficou firme na fé, não teve medo, e manteve o amor a Jesus, à Eucaristia e a seus irmãos”.

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CELEIRO DE VOCAÇÕES 

Após a comunhão, o Padre João Henrique agradeceu ao Arcebispo pelo permanente incentivo aos servidores do al-tar, bem como aos que se empenharam para a realização do encontro arquidiocesano e a todos coroinhas, acólitos e cerimoniários: “O trabalho de vocês é fundamental para a vida das paróquias e comunidades. Muito obrigado!”.

Em nome de todos os servidores do altar, uma jovem cerimoniária leu uma mensagem de agradecimento a Dom Odilo, assegurando que “em cada altar de São Paulo em que houver um coroinha vestindo sua túnica, haverá também uma prece fervorosa subindo aos céus pela vida e saúde do senhor e pelo sucesso de sua missão apostólica”. 

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Dom Odilo, por sua vez, agradeceu as manifestações de carinho e a ampla participação na missa, e recordou que ele também foi coroinha em sua trajetória até o sacerdócio.

“O grupo de servidores do altar é um celeiro de vocações. Eu mesmo fui coroinha por muito tempo e hoje sou padre. Dom Odilo também disse que já foi coroinha. Deste grupo, portanto, surgem muitas vocações, não só para a vida sacerdotal, mas também para a vida religiosa consagrada e para a vocação ao Matrimônio”, afirmou Padre João Henrique ao O SÃO PAULO

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TESTEMUNHOS DE FÉ

Diante da numerosa participação de coroinhas, acólitos e cerimoniários no encontro arquidiocesano, Padre João Henrique ressaltou que “o jovem tem fé, entende que Deus é quem preenche verdadeiramente sua necessidade, seu vazio existencial”; e fez votos de que os pais apoiem os filhos na Igreja e que os párocos permitam sempre mais a participação das crianças e adolescentes no serviço ao altar.

Este é um incentivo que João Siano, coroinha há nove anos na Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, na Região Belém, tem em casa. “Eu decidi ser coroinha para ajudar nas coisas de Deus e para seguir os passos de fé da minha família”, disse o adolescente à reportagem. A mãe, Camila de Cássia Cavalcanti Siano, coordena o grupo de coroinhas na Paróquia e assegura que servir o altar é algo “de grande valia para a juventude. Além disso, a criança ou o jovem que é coroinha está pertinho de Jesus, auxiliando o padre na missa”.

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Também na avaliação de Leila Barros de Lima, coordenadora dos coroinhas na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Região Sé, “ter coroinhas na Paróquia serve de motivação para os jovens servirem à Igreja, além de ser uma fonte de vocações”. 

Para Mariana Santana de Jesus, 16, cerimoniária na já referida Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, servir o altar proporciona uma vivência mais forte da fé: “Nós servimos ao padre como os anjos servem a Deus. Ao ver esta Catedral cheia, eu me emociono e sinto que cada vez mais os jovens têm percebido o chamado de Jesus”.

O PADROEIRO DOS SERVIDORES DO ALTAR

No século III, os cristãos em Roma foram intensamente perseguidos pelo imperador Valeriano. Em 15 de agosto de 257, Tarcísio, então com 12 anos, levava a Eucaristia, a pedido do Papa Sisto II, a cristãos que estavam presos. O menino foi cercado por pagãos que o questionaram sobre o que carregava consigo. Ao recusar-se a revelar o que era e a entregar o que tinha, foi apedrejado até a morte. São Tarcísio, cuja memória litúrgica é celebrada em 15 de agosto, é o padroeiro dos coroinhas e de todos os servidores do altar. 

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