Dom Odilo: ‘Saulo deixou-se encontrar pelo Bom Pastor’

(Foto: Bruno Melo/arquivo)

Na missa desta sexta-feira, 23, na capela de sua residência, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, meditou sobre a conversão do apóstolo São Paulo e como aquele que, antes, era um perseguidor implacável dos cristãos e tornou um instrumento escolhido por Deus.

A Eucaristia, transmitida pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais da Arquidiocese, foi celebrada na intenção de toda a Igreja em São Paulo e, especialmente, pelas vítimas da pandemia de COVID-19 e os que sofrem seus efeitos.

Pão da vida

No Evangelho do dia (Jo 6,52-59), continuando o discurso sobre o “pão da vida”, Jesus afirma: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”.

Na homilia, Dom Odilo destacou que essas são palavras centrais e importantes no Evangelho, que estabelecem um “divisor de águas” entre aqueles que creem em Jesus e os que não creem. Ele explicou, ainda, que crer, neste caso, não é apenas um ato intelectual, mas é a adesão aquilo que o Senhor ensina e é: “o enviado por Deus ao mundo para que, por meio dele, a humanidade tenha parte com ele na vida eterna”.

Conversão

Já a primeira leitura (At 9,1-20) narra a conversão de São Paulo. Ao comentar esse trecho, o Cardeal sublinhou que o texto começa afirmando que Saulo “só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor”.

Como é conhecido, no caminho para Damasco para aprisionar os seguidores de Cristo, Saulo é interpelado por uma forte luz que o faz cair por terra e ouve a voz do próprio jesus que lhe indaga: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”

O Arcebispo observou, ainda, que, diante de tanta luz, Saulo perde a visão e precisa da ajuda de seus companheiros para seguir a Damasco. “Para recuperar a vista ele precisa percorrer o caminho da humildade, tem que aceitar sem conduzido, não mais ser aquele que conduz os outros para aprender tudo de novo, deve recomeçar”, disse.

Obra da graça

Em Damasco, Saulo foi acolhido por Ananias, que o batiza e lhe diz o que deve fazer. O texto diz que, logo, o apóstolo convertido começou a falar e a testemunhar, reconfortado pelos irmãos a quem, antes, ele queria prender.

“A graça de Deus, portanto, realiza maravilhas e é surpreendente”, ressaltou Dom Odilo, acrescentando que, enquanto Jesus perseguia os cristãos, o próprio Cristo perseguia Saulo, porque o queria ao seu lado. Como o texto narra, Jesus diz a Ananias que Saulo  é um instrumento escolhido para anunciar seu nome “aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel”.

“Saulo tornou-se Paulo porque caiu em si, acolheu a Palavra de Deus, aceitou a luz que se fez dentro dele e aceitou ser ajudado. Os soberbos, os orgulhosos não aceitam ajuda e continuam a teimar que estão certos, mesmo quando estão totalmente errados”, enfatizou o Cardeal.

Por fim, recordando que no próximo domingo, 25, recorda-se Jesus Bom Pastor, o Arcebispo afirmou: “Saulo deixou-se encontrar pelo Bom Pastor, que o reconduziu ao rebanho e, depois, tornou-se instrumento escolhido e aceitou colaborar com a obra de Deus. Assim, se nós o fizermos, Deus poderá realizar grandes coisas por meio de nós. Nós também precisamos continuamente da conversão, de aceitar profundamente a luz de Deus em nós”, concluiu.

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