Na tarde de 28 de agosto, no Cemitério do Santíssimo Sacramento, na capital paulista, foi realizada a cerimônia de deposição das cinzas da biblista Ana Flora Anderson no jazigo dos frades dominicanos, com os quais ela trabalhou boa parte da vida.

Florence Mary Anderson nasceu em Nova York, nos Estados Unidos, em 6 de junho de 1935, e faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 2025. Formada na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, ela foi coeditora da primeira edição da Bíblia de Jerusalém em português, colunista do O SÃO PAULO por quatro décadas e professora no Seminário da Arquidiocese de São Paulo.
Era desejo de Ana Flora ser cremada após sua morte e assim foi feito. Suas cinzas foram depositadas no jazido dos frades dominicanos no Cemitério do Santíssimo Sacramento, mas como o espaço precisou passar por reformas, foram transladadas para a capela dos dominicanos e no dia 28 de agosto voltaram a ser depositadas no jazigo, em celebração presidida pelo Frei André Tavares, Sacerdote Provincial da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), com homilia feita pelo Padre Luiz Eduardo Baronto, Cura da Catedral da Sé.
A CONTRIBUIÇÃO DE ANA FLORA À EVANGELIZAÇÃO
Inicialmente, Padre Baronto agradeceu aos Dominicanos por terem oferecido o jazigo para a deposição das cinzas de Ana Flora. “Oferecer um túmulo é também uma obra de misericórdia. É oferecer àquele que partiu um último lugar de hospitalidade nesta terra. E há nisso uma bela imagem evangélica. Quando Jesus morreu, também Ele precisou que alguém lhe oferecesse um túmulo. José de Arimateia colocou à disposição do Senhor o sepulcro que possuía. Jesus, que durante a vida tantas vezes não teve onde reclinar a cabeça, repousou, depois da morte, num túmulo que lhe foi oferecido pelo gesto generoso de alguém. Hoje, de algum modo, este gesto se repete”.
Padre Baronto recordou que Ana Flora, ao longo de toda sua vida, empenhou-se em “ajudar as pessoas que se aproximavam do Evangelho a encontrar alguma luz para aquilo que, à primeira vista, parecia incompreensível. Ajudar a atravessar perguntas, dúvidas, dores e contradições sem abandonar o Evangelho. Não oferecendo respostas fáceis, mas ajudando a descobrir que, no centro da fé cristã, antes de haver uma explicação, há uma Pessoa: Jesus Cristo. ‘Eu sou a ressurreição e a vida’”.
O Cura da Catedral falou ainda sobre o significado das cinzas: “elas não são simplesmente um objeto que nos faz recordar Ana Flora. São os restos mortais daquele corpo que viveu, caminhou, trabalhou, abraçou, sofreu, serviu, ensinou e amou. O Cristianismo leva o corpo tão a sério que não acredita apenas na imortalidade da alma: professa a ressurreição da carne. Nestas cinzas existem muitas memórias. Mas é importante dizer hoje: para o cristão, a memória não é a única coisa que resta depois da morte. Se fosse apenas a memória, enquanto alguém se lembrasse de nós continuaríamos de algum modo vivos e, quando desaparecesse a última lembrança, tudo terminaria”.

“Nossa esperança é infinitamente maior. Nós cremos que este corpo, doado durante tantos anos no serviço, no afeto, no trabalho e na fé, e que agora é novamente entregue à terra, um dia será chamado por Deus à vida. Não sabemos como será. Não precisamos saber. Sabemos apenas quem fará isso: o mesmo Deus que o criou e que não perde nada daquilo que ama”, afirmou.
“Estas cinzas não são o ponto final de Ana Flora. São matéria confiada à promessa de Deus. Por isso hoje não estamos apenas guardando uma lembrança. Estamos depositando estas cinzas na terra como quem deposita uma semente. E entregamos a Deus o corpo de alguém que carregou tanto amor, confiando que, na ressurreição, esse amor não será perdido, esse corpo não será esquecido e essa história não será apagada”, disse ainda o Cura da Catedral da Sé.
“Como rezamos no livro da Sabedoria: ‘A vida dos justos está nas mãos de Deus’. Ana Flora, portanto, permanece nas mãos de Deus. E talvez hoje nos baste isso. Nas mãos de Deus, nenhuma vida amada se perde. Nenhum corpo é esquecido. E nenhuma cinza é incapaz de ressurreição”, concluiu o Sacerdote.
(Com informações de Nélia Cetra)



