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Encontro vocacional aproxima jovens da vida consagrada feminina na Arquidiocese de São Paulo

Encontro vocacional aproxima jovens da vida consagrada feminina na Arquidiocese de São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Aos 6 anos, Gabrielle Cristina Silva já dizia à mãe que queria ser freira. Este ano, aos 20, uma experiên­cia de oração durante o Canção Nova Abraça São Pau­lo reacendeu esse desejo e a levou a olhar com mais atenção para a possibilidade de consagrar-se como religiosa. No mesmo evento, ela foi surpreendida pela aproximação de uma religiosa que não conhecia e que, mesmo assim, a abraçou e fez o sinal da cruz em seu rosto. O gesto marcou a jovem, que atualmente cursa Medicina Veterinária e frequenta a Paróquia São João Batista, na Região Ipiranga. Desde então, ela tem bus­cado discernir sua vocação.

Essa busca ganhou um novo caminho no sábado, 24, quando Gabrielle participou do segundo encon­tro de discernimento vocacional feminino promovi­do pelo Centro Vocacional Arquidiocesano (CVA), na Paróquia São Gonçalo, na Região Sé. Com o tema “Vida consagrada: Encontro, Testemunho e Missão”, a iniciativa reuniu 11 vocacionadas, nove religiosas, quatro consagradas seculares e três formandas, com o objetivo de aproximar as jovens de diferentes carismas e modos de viver a consagração a Deus.

A partir de sua própria experiência, Gabrielle também procura encorajar outras jovens que estão discernindo a vocação. “É preciso esperar em Deus. Ele vai te dando os sinais no momento certo e é pre­ciso estar com o coração aberto para recebê-los”, aconselhou.

DIFERENTES CAMINHOS DE DISCERNIMENTO

Encontro vocacional aproxima jovens da vida consagrada feminina na Arquidiocese de São Paulo

Katiussa Eunice de Oliveira, 23, paroquiana do Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Apa­recida, na Região Ipiranga, também tem buscado conhecer as diferentes possibilidades de consagra­ção a Deus, uma vez que não se sente chamada à vocação matrimonial. Embora já tivesse conversa­do com pessoas consagradas e procurado conhe­cer diferentes carismas, esta foi a primeira vez que participou de um encontro específico de promoção vocacional.

A jovem, que continua discernindo entre a vida religiosa e a consagração secular, tem interesse espe­cial pelo carisma das Missionárias do Sagrado Cora­ção de Jesus e disse que vai tomar a sua decisão com paciência.

“Eu gostei muito do encontro. Acho importante ter esse contato mais próximo, porque, às vezes, temos uma visão muito distante da vida religiosa e só é possível conhecer de verdade a vida religiosa conviven­do com elas e com os seus diferentes carismas”, contou.

MOSTRAR A BELEZA DA VOCAÇÃO

Reitor do Seminário Propedêutico e responsá­vel pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Arquidiocese de São Paulo, o Padre João Henrique Novo do Prado falou ao O SÃO PAULO sobre a pro­posta de promover uma cultura vocacional no terri­tório arquidiocesano.

Segundo ele, ampliar essa cultura significa ani­mar, despertar e cultivar todas as vocações. Com esse propósito e atendendo ao pedido de jovens das paróquias visitadas pelo SAV, foi instituído um encon­tro voltado à vocação religiosa feminina, com o in­tuito de apresentar a beleza da vida consagrada.

“É muito bonito perceber que a vocação religiosa feminina não é algo distante, mas bastante próximo do trabalho das comunidades, pastorais e ações so­ciais. As religiosas estão presentes no mundo com seus diferentes carismas. Por isso, é importante mostrar para as nossas jovens que elas podem ser sinais de Deus no mundo, sendo religiosas consagra­das”, expressou o Padre.

AMAR TAMBÉM É VOCAÇÃO

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Durante a tarde, o Animador Vocacional presi­diu a missa, com a participação das religiosas e das jovens vocacionadas. Na homilia, ao refletir sobre o Evangelho do 30º Domingo do Tempo Comum, Padre João Henrique relacionou o mandamento do amor ao chamado à vida religiosa consagrada.

“Nós entendemos que vocação é um ato de amor a Deus e uma expressão de doação e entrega. Por isso, a nossa vocação tem sentido se for uma vida de entrega. A vocês que vieram conhecer um pouco mais sobre a vida religiosa consagrada, que ouviram tantos testemunhos, levem essas histórias em seu coração. Eu afirmo que vale a pena gastar a vida por Jesus e pela Igreja”, disse o Sacerdote.

CATIVAR A VOCAÇÃO

Encontro vocacional aproxima jovens da vida consagrada feminina na Arquidiocese de São Paulo

Há mais de 40 anos, a Irmã Albertina Ghisleri Goulart ingressou na Congregação das Irmãs Mis­sionárias do Sagrado Coração de Jesus movida pelo desejo de se tornar missionária e atender ao chama­do de Deus.

“Eu sinto que Deus me ama tanto. Eu sou tão feliz que poderia começar tudo de novo hoje”, afirmou a Religiosa. Ela avaliou que o encontro representa uma oportunidade de apresentar a alegria da vida consagrada e ajudar outras pessoas a reconhecerem o chamado de Deus para suas vidas.

Irmã Albertina observou, ainda, que a convivên­cia com pessoas consagradas torna a vocação mais próxima e concreta para as jovens. Por isso, conside­ra essencial oferecer o diálogo com referências que testemunhem, por meio da vida comunitária e da missão, a alegria de seguir Jesus.

VIVER O TUDO DE DEUS

Irmã Franciane Castelani participou do encontro representando o Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Ela expressou sua alegria em contribuir com iniciativas que possibilitem às jovens conhecer mais de perto a vocação à vida consagrada feminina, sobretudo nos institutos seculares, nos quais, segundo ela, a consagração é vivida em meio à sociedade, “com a missão de ser presença cristã no cotidiano”.

Ao observar o entusiasmo das jovens durante as atividades, Irmã Franciane recordou como o contato com a vida consagrada também foi decisivo em sua história vocacional.

Ao recordar seu processo de discernimento, a Re­ligiosa mencionou a reflexão de um bispo que certa vez lhe disse: “Cristo não tira nada”. O pensamento, conforme lembrado por ela, a ajudou a compreender o sentido da renúncia na vida consagrada. Para Irmã Franciane, a entrega a Deus não deve ser entendida como uma lista de coisas das quais é preciso abrir mão, mas como uma escolha pelo que é essencial. “Eu renuncio a tudo, um tudo que é nada, para dizer sim ao verdadeiro tudo, que é Deus”, expressou.

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