Tenho a oportunidade de andar pelas várias regiões do País para falar aos pais e professores, conhecendo novas escolas e encontrando famílias. Estou cada vez mais convencida de que estamos diante de uma verdadeira pandemia – uma pandemia que atinge somente pais e responsáveis pela educação das crianças. A pandemia do MEDO. Medo de traumatizar a criança, medo de não ser amado por ela, medo de causar danos emocionais aos pequenos.
Arrisco dizer que essa é uma das piores pandemias que a humanidade já viveu, porque não mata bruscamente, mas mina cotidianamente a estrutura das famílias e das crianças. Mata aos poucos e de modo muito doloroso: vai tornando as pessoas inseguras para educar, para formar, para conduzir os filhos. Como consequência, as crianças vão se tornando ansiosas, agitadas, desatentas, opositoras, afinal estão perdidas – sem adultos que as direcionem. O convívio familiar vai se tornando estressante – ambiente caótico, crianças intensas e desordenadas, adultos exaustos e desanimados.
O reflexo dessa pandemia é vasto e abrangente: escolas se tornam campos de batalha em vez de pais e educadores caminharem juntos pelo crescimento saudável das crianças; pais defendem seus filhos dos professores e de todo e qualquer desconforto gerado nesse ambiente; professores se veem reféns das crianças e dos pais – são desrespeitados, recebem xingamentos e, por vezes, algum tipo de agressão física, e nada ou quase nada podem fazer em relação aos “alecrins dourados” que têm todos os direitos e quase nenhuma responsabilidade – afinal, são pequenos e não sabem bem o que estão fazendo.
Desejos de crianças e adolescentes são “respeitados” e atendidos pelos pais para que os filhos se percebam amados, acolhidos e validados. Não há mais a capacidade racional dos adultos de identificar que o respeito verdadeiro por aquele que ainda não é capaz de decidir, em direção a um bem, é decidir por ele, orientá-lo, corrigi-lo, enfim…
Andando por este Brasil e tendo contato com famílias que moram em outros países e com a literatura internacional, suspeito que tal pandemia seja global. Esse vírus vem sendo criado há alguns séculos e, de alguns anos para cá, se espalhou e cresceu em progressão geométrica. Os danos dessa pandemia já são enormes e constatados em diversas pesquisas – o número de crianças e adolescentes ansiosos e depressivos é enorme, as medicações na infância e adolescência nunca foram tão utilizadas, o percentual de suicídios nessas etapas da vida cresce de modo assustador e, pasmem: muitos já estão tão dominados por seus sentimentos que não conseguem sequer perceber que não somos o que sentimos; somos muito, muito mais. Alguns se sentem cachorros; outros, plantas; outros ainda não conseguem sequer identificar seu próprio sexo e acabam mudando de gênero algumas vezes em pouco tempo.
Sim, esta certamente é a pandemia mais nociva com a qual temos contato, pois ela mina a vida intelectual e volitiva das pessoas e as reduz a um emaranhado de sentimentos desordenados e desordenadores; transforma pessoas em praticamente animais: o autodomínio tornou-se artigo de luxo, a autorregulação impossível, o vitimismo se agigantou, o bullying tornou-se devastador – quase ninguém sobrevive a ele. Os pais são desrespeitados e processados, pois ninguém pediu para nascer e, já que deram a vida, agora seus filhos exigem que os pais os mantenham com conforto financeiro. A gratidão está se tornando artigo de luxo.
Senhores pais, acordem deste sonho mentiroso! Não temam seus filhos. Eles precisam de sua ação, de suas atitudes firmes, coerentes e prudentes para crescerem saudáveis. Não se enganem com sentimentos desordenados. Somente vocês podem salvar seus filhos deste caos. Coragem!




