No Arsenal da Esperança, 13ª edição da Leitura Contínua da Palavra ressalta as cartas de São Paulo

Vigília de leitura acontece na noite da sexta-feira, 22, com a participação de acolhidos, voluntários e benfeitores do Arsenal da Esperança
Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Arsenal da Esperança, na Mooca, realizou a 13ª edição da Leitura Contínua da Palavra, na sexta-feira, 22. Este ano, o evento promovido pela Fraternidade da Esperança destacou as cartas de São Paulo, especialmente aquelas que o apóstolo escreveu quando esteve na prisão, como as Cartas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e Coríntios.

A vigília de leitura da Sagrada Escritura aconteceu das 19h30 às 22h30, com a participação de voluntários, acolhidos, benfeitores e amigos do Arsenal da Esperança. Entre os leitores estavam Livia Satullo, Vice-Cônsul da Itália em São Paulo; Carlos Bezerra, Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo; o jornalista Milton Jung; Luciana Chinaglia Quintão, fundadora da ONG Banco de Alimentos; e a escritora Luciene Muller.

A iniciativa surgiu em 2011, quando o Arsenal da Esperança recebeu a cruz peregrina e o ícone mariano da Jornada Mundial da Juventude, em preparação para a JMJ Rio 2013. “Naquela ocasião, fizemos a vigília durante toda a madrugada, encerrando com a missa pela manhã. Lemos os quatro evangelhos e foi uma experiência muito rica, com uma repercussão positiva. Então, resolvemos repetir no ano seguinte e chegamos à 13ª edição”, explicou ao O SÃO PAULO o Padre Simone Bernardi, missionário da Fraternidade da Esperança.

Nos primeiros sete anos da iniciativa, foi possível ler toda a Bíblia. A partir daí, as vigílias passaram a destacar os livros bíblicos sugeridos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o Mês da Bíblia.

Nem no período restritivo da pandemia de COVID-19, a iniciativa foi interrompida. Em 2020, os acolhidos em quarentena fizeram a leitura enquanto as demais pessoas acompanharam a transmissão pelas mídias digitais. “Foi muito bonito, porque os acolhidos da casa leram a Palavra de Deus em nome de todos”, comentou o Sacerdote.

UNIDOS PELA PALAVRA

Padre Simone sublinhou que a atividade permitiu a aproximação de muitas pessoas que após participarem da vigília se tornaram voluntárias ou apoiadoras do Arsenal da Esperança.

“É uma experiência radical de escuta silenciosa da Palavra de Deus proclamada pelo irmão. Nós nos alimentamos da Palavra que, depois, produz fruto em nossa vida”.

A professora Célia Ramalho dos Santos, 57, participa desde a primeira edição da Leitura Contínua da Palavra. Voluntária da biblioteca da entidade, ela relatou que ao longo destes anos, testemunhou experiências marcantes na vigília, como na ocasião em que viu um jovem acolhido com o corpo todo tatuado sentado ao lado de uma freira e compartilhando a mesma Bíblia para acompanhar a leitura. “Unidos pela Palavra”, recordou.

A voluntária contou, ainda, que, embora tenha crescido em uma família de tradição católica, foi no Arsenal da Esperança que teve um contato mais próximo com a Sagrada Escritura. “Confesso que, da pandemia para cá, a Palavra de Deus tem dado muitas respostas para a minha vida”.

O ARSENAL

Fundado em 1996, por iniciativa de Dom Luciano Mendes de Almeida (1930-2006), na época Bispo Auxiliar de São Paulo, o Arsenal da Esperança acolhe diariamente 1,2 mil homens em situação de rua por razões diversas, como a falta de trabalho, moradia ou suporte familiar. Lá, eles podem descansar, tomar banho, se alimentar e frequentar cursos profissionalizantes, além de usufruir de muitos outros serviços, como o acompanhamento do serviço social.

O vídeo da íntegra da 13ª edição da Leitura Contínua da Palavra está disponível aqui.

Com informações de SERMIG

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Viviane
Viviane
8 meses atrás

Lindo trabalho