No coração da família é preparado o alimento que sacia a fome dos irmãos

Pastoral Familiar

A chuva e as baixas temperaturas daquela sexta-feira, uma das noites mais frias de agosto, mudaram os planos iniciais que não previa nenhuma ação beneficente e fez com que os voluntários saíssem às ruas com um pouco de chocolate quente e 80 pães comprados às pressas.

No caminho, uma mulher encharcada pediu meias e um cobertor para se aquecer. Sem os itens, uma integrante do grupo retirou as suas próprias meias e a entregou, prometendo que no dia seguinte levariam o cobertor.

Mais adiante, um outro grupo de voluntários também realizava uma ação naquele momento. Coincidentemente, este possuía o cobertor – e, generosamente, ofertou dois deles para doação.

Ao retornarem para o encontro daquela mulher, eles avistaram dois homens deitados – um sobre um pedaço de papelão e outro, mais idoso, no próprio chão molhado sem nenhum agasalho. Um dos cobertores foi, então, colocado sobre o segundo homem. O outro pode, naquela mesma noite, aquecer a mulher que tinha frio. O relato de Ricarla Francelino França da Silva, que faz parte da coordenação da Pastoral Familiar da Paróquia Imaculado Coração de Maria, na Região Episcopal Brasilândia, corresponde, segundo ela, a um dos dias mais marcantes de um trabalho iniciado, em março, devido à pandemia do novo coronavírus.

PREOCUPAÇÃO CONSTANTE

Fundada há 10 anos, a Pastoral Familiar é formada pelos paroquianos das dez comunidades que integram a Paróquia Imaculado Coração de Maria, nos bairros Jardim Elisa Maria, Jardim Princesa, Jardim Vista Alegre, Parque Tietê, Jardim dos Francos, Jardim Teresa e Cidade Alta, na Zona Noroeste de São Paulo, uma das regiões mais afetadas pela crise sanitária da COVID-19.

O grupo formado por cerca de 30 pessoas já realizava, em menor quantidade, doações de cestas básicas e foi o responsável, há alguns anos, por angariar fundos para a construção de dois cômodos e um banheiro para uma senhora, conhecida como Dona Eva, que realiza faz tratamento com hemodiálise pudesse morar no bairro do Jardim Elisa Maria.

PELOS ÚLTIMOS SETE MESES

Segundo Ricarla, com o estopim da doença, a Pastoral percebeu que “nossos irmãos moradores de rua estavam sendo esquecidos pela sociedade e, nós como Igreja, não poderíamos ver e ficar de braços cruzados e resolvemos ir às ruas fazer o que o próprio Jesus nos ensinou: ‘ide aos pequeninos’”, contou a coordenadora.

Desde então, formou-se uma força tarefa. Inicialmente, as entregas de café da manhã ocorriam apenas aos sábados e domingos, mas, com a flexibilidade no trabalho de alguns membros, foi possível ampliar o trabalho que hoje acontece uma vez por semana com a oferta de jantares, sobretudo, nos bairros do entorno da Paróquia e em Santana.

Além das entregas para a população de rua, a Pastoral presta assistência às famílias em situação de vulnerabilidade.

A coordenadora refletiu que esta experiência foi transformadora para os envolvidos e que os membros desejam seguir com a ação mesmo após o fim da pandemia e realçou que durante esse contato mais próximo, pode perceber que as pessoas que se encontram em situação de rua, muitas vezes, necessitam de algo a mais do que o próprio alimento: “Cada ação é pensada com muito carinho, visando sempre a necessidade do próximo. Precisamos sempre sair às ruas munidos não só do material, mas também de muita fé e esperançam, pois, muitos que ali estão buscam por isso”.

EM AÇÃO

Além da colaboração das famílias, a Pastoral conta com o apoio e doação de amigos que destinam os alimentos que são preparados em uma das comunidades da Paróquia ou na casa dos próprios membros do grupo.

Para divulgar e angariar mais recursos, existem as páginas no Facebook  e Instagram.

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