
“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117). Com este convite à alegria pascal, os fiéis que lotaram a Catedral da Sé na manhã do domingo, 5, participaram da Missa da Páscoa da Ressurreição do Senhor, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer.
Ao aprofundar o núcleo da fé pascal, o Arcebispo Metropolitano explicou o sentido central da celebração: “A Igreja inteira celebra hoje a grande festa da Páscoa e proclama, na fé, que Jesus Cristo ressuscitou e passou da morte para a vida”.
Também na Catedral da Sé, Dom Odilo presidiu as celebrações do Tríduo Pascal entre os dias 2 e 4. No Sábado Santo, na Vigília Pascal, ele ministrou os sacramentos da iniciação à vida cristã a 36 catecúmenos da Missão Belém. Na ocasião, a assembleia de fiéis realizou a renovação das promessas batismais.
MISSA VESPERTINA DA CEIA DO SENHOR
Dom Odilo: ‘A Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã’
Por Jenniffer Silva

Marcando o início do Tríduo Pascal, na noite da Quinta-feira Santa, 2, na Catedral da Sé, o Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, liturgia que recorda a instituição da Eucaristia.
Durante a homilia, o Arcebispo Metropolitano recordou que a Última Ceia, além de rememorar a instituição da Eucaristia e o mandamento do amor, também aponta para a vocação de servir uns aos outros, como fez Jesus.
O Cordeiro imolado
O Arcebispo explicou que a Ceia Pascal é uma tradição do povo judeu, em memória da libertação dos hebreus da escravidão no Egito rumo à Terra Prometida. Disse, ainda, que essa celebração vivida hoje pela Igreja torna presente o momento em que o próprio Cristo se faz o Cordeiro Pascal, ao oferecer seu Corpo e seu Sangue como alimento, convidando os apóstolos a perpetuarem esse gesto em sua memória.
“A Ceia Pascal cristã não é apenas lembrança, mas atualização deste mistério: torna presente o gesto de entrega da vida de Jesus por todos nós, seu corpo doado na cruz e seu sangue derramado para o perdão dos pecados. Trata-se, portanto, da nova Ceia, sacrifício da nova e eterna aliança”, destacou.
O centro da fé
Ao tratar sobre a centralidade da Eucaristia, Dom Odilo salientou: “Fazemos isso em memória de Jesus, até que Ele venha novamente em glória, para que todos nós, ao celebrarmos esse mistério, participemos dos frutos da redenção: do perdão dos pecados e da vida nova que nos foi prometida por meio do sacrifício de Cristo na cruz. Por isso, a Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã”.
O Arcebispo incentivou a participação ativa dos fiéis nas missas, ao menos aos domingos, destacando a Eucaristia como sinal visível da fé que sustenta a missão da Igreja de testemunhar Jesus Cristo no cotidiano e de formar uma única família entre aqueles que se reúnem ao redor do altar.
O sentido do rito do lava-pés

O Cardeal também refletiu que o gesto de Jesus de lavar os pés dos discípulos, no mesmo contexto da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, revela que a caridade é inseparável da vida eucarística: “Não participa plenamente da Eucaristia quem não se compromete com o cuidado dos irmãos, quem não vive a caridade”.
Após a homilia, ele realizou o rito do lava-pés que, neste ano, em alusão ao tema da CF 2026 – “Fraternidade e Moradia”, teve a participação de representantes de instituições empenhadas na defesa dos direitos de pessoas em situação de rua ou sem moradia digna.
Marina Inês Leandro, da Equipe Arquidiocesana da CF 2026 e integrante da diretoria da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, foi uma das que tiveram o pé lavado: “Diante da realidade que vivemos hoje, são tantas as pessoas que sofrem violência e exclusão, que poderiam estar aqui no meu lugar. Eu as trago comigo”.

Antes do término da missa, o altar foi desnudado e todos os adornos do presbitério retirados. Depois, houve a transladação de Jesus eucarístico para a Capela do Santíssimo da Catedral da Sé, onde aconteceu a vigília e adoração, com a presença do Cardeal Scherer, dos concelebrantes e de fiéis.
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
‘Ele o fez por amor’, destaca o Cardeal Scherer sobre a Paixão de Cristo
Por Daniel Gomes

Mesmo humilhado, torturado e crucificado, Jesus é misericordioso com a humanidade – “Ele não veio para condenar, mas para salvar” – razão pela qual “a Sua morte na cruz tem um significado único para nós. A Igreja O reconhece como o Senhor, o nosso Salvador. Por meio Dele, nós podemos receber o perdão, a remissão dos pecados”.
Assim destacou o Cardeal Odilo Pedro Scherer na homilia da Ação Litúrgica da Paixão de Cristo, celebrada na Sexta-feira Santa, 3, na Catedral da Sé.
Enviado para a salvação do mundo

Dom Odilo convidou os fiéis a refletirem sobre onde eles próprios se situam no relato da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Jo 18,1–19,42), e ressaltou que mais do que tentar buscar culpados pela morte de Jesus entre os personagens é fundamental que se olhe para Cristo e se reconheça Nele aquele que Deus enviou ao mundo para a salvação de todos.
O Arcebispo também recordou que Cristo carregou o peso das culpas e dos pecados da humanidade, e ao derramar o seu Sangue tornou-se “o sacerdote da nova e eterna aliança, que intercede por nós diante de Deus para que possamos obter misericórdia e perdão”.
“A nossa morte foi redimida pela sua Morte e na sua Ressurreição ressurgiu a vida para todos. Portanto, a Paixão e Morte de Jesus são para o nosso maior bem”, detalhou Dom Odilo, explicando que, por essa razão, a Igreja não faz da Sexta-feira Santa um dia de lamentações, mas sim convida “a agradecer de todo o coração ao Redentor, reconhecendo que Ele o fez por amor, não o fez obrigado”.
Oração Universal
Após a homilia, a assembleia reunida rezou a Oração Universal pela Santa Igreja; pelo Papa; por todos os membros da Igreja; pelos catecúmenos; pela unidade dos cristãos; pelos judeus (aos quais o Senhor Deus falou em primeiro lugar); pelos que não creem no Cristo (para que ingressem no caminho da salvação); pelos que não creem em Deus (para que mereçam chegar ao Deus verdadeiro); pelos governantes (para que Deus lhes dirija o espírito e o coração para a verdadeira paz e liberdade de todos); e por todos que sofrem.
Adoração da Cruz


Na sequência, passou-se à adoração da pessoa de Jesus na cruz, a qual foi lentamente desnudada pelo Arcebispo em frente do presbitério ao declamar “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. Ele foi o primeiro a adorá-la, seguido por Dom Rogério Augusto das Neves, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, demais sacerdotes, diáconos e servidores do altar, e, por fim, por toda a assembleia de fiéis.
Depois, foi realizada a Coleta para os Lugares Santos – locais onde Jesus anunciou o Evangelho, entregou sua vida em favor da humanidade e ressuscitou – e cuja presença da Igreja depende da generosidade dos fiéis de todo o mundo.
Testemunho público da fé
Após o rito da Comunhão, realizado com as hóstias consagradas na missa da noite anterior, os fiéis, unidos ao Arcebispo, participaram da procissão com as imagens do Senhor Morto e de Nossa Senhora das Dores pelas ruas do centro, organizada pela Confraria de Nossa Senhora das Dores. No retorno à Catedral da Sé, houve a meditação sobre o Sermão das 7 Palavras, conduzida pelo biblista Mathias Grenzer, professor da Faculdade de Teologia da PUC-SP.
VIGÍLIA PASCAL E PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR
‘A Ressurreição de Jesus é a confirmação divina da nossa fé’
Ressaltou o Cardeal Odilo Pedro Scherer na missa do Domingo de Páscoa na Catedral da Sé, onde também presidiu a Solene Vigília Pascal na noite anterior, na qual ministrou os sacramentos da Iniciação à Vida Cristã a 36 adultos
Por Daniel Gomes e Fernando Geronazzo

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117). Com este convite à alegria pascal, os fiéis que lotaram a Catedral da Sé na manhã do domingo, 5, participaram da Missa da Páscoa da Ressurreição do Senhor, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer.
No começo da homilia, o Arcebispo Metropolitano retomou a exortação de São Paulo Apóstolo e destacou o vínculo entre a Ressurreição de Cristo e a vida dos fiéis: “Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus”.
Ao aprofundar o núcleo da fé pascal, Dom Odilo explicou o sentido central da celebração: “A Igreja inteira celebra hoje a grande festa da Páscoa e proclama, na fé, que Jesus Cristo ressuscitou e passou da morte para a vida”.
O RESSUSCITADO UNE O CÉU E A TERRA
Em seguida, Dom Odilo detalhou o sentido desse mistério para o próprio Cristo: “Para Jesus, significa que Ele, depois de ter sido condenado à morte, mesmo sendo inocente, depois de ter sido torturado cruelmente, morreu na cruz e foi sepultado, voltou à vida do seu verdadeiro corpo humano, o mesmo Jesus, porém, não mais nas condições anteriores à sua morte, mas divinamente glorificado em seu corpo e alma humana”.
O Cardeal ressaltou ainda a continuidade entre o Cristo histórico e o Ressuscitado, e o impacto disso para a fé cristã. “É sempre o mesmo Cristo, o mesmo Jesus que os apóstolos conheceram, que foi condenado à morte de cruz e que foi sepultado”, disse, destacando também o significado dessa verdade para os fiéis: “Para os discípulos, para nós, para os cristãos, a Ressurreição de Jesus é a confirmação divina da nossa fé”.
Nesse sentido, Dom Odilo evidenciou o testemunho apostólico e a confirmação da missão de Jesus: “Deus o ressuscitou dos mortos, afirmam as testemunhas depois da sua Ressurreição. Isto significa que, ressuscitando Jesus entre os mortos, Deus confirmou Sua pregação, Sua credibilidade de maneira absoluta. Não há mais motivo para se duvidar da autoridade e da veracidade de Jesus e de Sua pregação”.
O Arcebispo falou, ainda, que Cristo Ressuscitado une o céu e a terra, é “o eterno intercessor em favor da humanidade junto de Deus Pai”.
MISTÉRIO SALVÍFICO
Relacionando a Páscoa ao mistério da encarnação, o Arcebispo sublinhou que a Ressurreição de Jesus entre os mortos “é o objetivo final e o ponto de chegada do mistério da Sua encarnação” e aponta para a grande meta da existência de toda pessoa.
“Para nós que temos fé, a Ressurreição de Jesus significa que temos um futuro, um horizonte luminoso pela frente e não estamos fadados a ficar apenas na estreiteza dos nossos limites”, afirmou.
“A Ressurreição de Jesus abriu-nos o horizonte do infinito de Deus e nos convida a adentrar no mistério do próprio Deus”, prosseguiu.
Na conclusão da homilia, dirigindo-se de modo especial aos que sofrem, o Purpurado manifestou um desejo de esperança e renovação, e, por fim, encorajou os fiéis a viverem essa esperança no cotidiano e a perseverarem no caminho da fé: “Deus, ressuscitando Jesus dos mortos, faz com que Ele seja o nosso companheiro no caminho da vida. Ele nos abriu o caminho, já venceu e nos conduz”.
VIGÍLIA PASCAL

Na noite do Sábado Santo, 4, o Cardeal Scherer presidiu a Solene Vigília Pascal, iniciada na Praça da Sé com a bênção do “fogo novo”, no qual foi aceso o Círio Pascal, entronizado na Catedral da Sé ainda às escuras, e a partir do qual, pouco a pouco, a Luz de Cristo passou para as velas que cada fiel trazia consigo.
Em seguida, houve a solene proclamação da Páscoa. Depois, passou-se à Liturgia da Palavra, com sete leituras do Antigo Testamento que relatam como o Senhor, outrora, salvou o seu povo e, depois, enviou seu Filho como Redentor da humanidade.
Após as leituras do Antigo Testamento, a assembleia de fiéis cantou o hino de louvor “Glória a Deus nas alturas”. Na sequência, houve a proclamação da carta de São Paulo aos Romanos (cf. Rm 6,3-11), na qual o Apóstolo indica que todos os batizados em Cristo estão mortos para o pecado, e com o Ressuscitado são chamados a levar uma vida nova.
Omitido na liturgia durante toda a Quaresma, o “Aleluia” foi, então, solenemente entoado, antes da proclamação do Evangelho segundo Lucas (cf. Lc 24, 1-12), com o relato da Ressurreição de Jesus.
“Este é o anúncio desta noite: a passagem, do Senhor, da morte para a vida, anúncio que é fundamental na nossa fé”, ressaltou Dom Odilo no início da homilia.
VIDAS NOVAS PELO BATISMO

O Cardeal comentou ainda que toda a liturgia da Vigília Pascal também é marcada pelo Batismo, pelo qual os catecúmenos são regenerados pelas águas batismais. Por essa razão, a Páscoa tem o significado de passagem, “a nossa passagem da morte para a vida, a vida nova que recebemos pelo Batismo, e que também nós que já fomos batizados precisamos sempre retomar”, comentou, ao detalhar o porquê de na Vigília Pascal os católicos realizarem a renovação das promessas batismais.
Dom Odilo explicou que ao renovarem as promessas do Batismo, os fiéis se comprometem a não se deixar conduzir por satanás e sempre seguir o Senhor, crendo, com a Igreja, em Deus Pai, sendo, assim, o povo da aliança, “que caminha com Deus, unido para a proclamação de Suas maravilhas, para testemunhar o Evangelho da vida nova do Reino de Deus que Jesus anunciou, que a Igreja anuncia e que pede a todos os batizados que sejam testemunhas e anunciadores”.
A Liturgia Batismal ocorreu logo após a homilia, sendo iniciada com a Ladainha de Todos os Santos, seguida da bênção da água, na qual foi mergulhado o Círio Pascal, em sinal do próprio Cristo que santifica as águas por seu Batismo. Depois, as velas dos fiéis foram novamente acesas na luz do Círio, para que realizassem a renovação das promessas batismais.
Desde a Igreja primitiva é tradição que na Vigília Pascal se realizem batizados. Na celebração na Catedral da Sé, 36 adultos receberam os sacramentos do Batismo, da Crisma e a primeira Eucaristia, após terem realizado um itinerário formativo de iniciação à vida cristã na Missão Belém, na qual também encontraram a restauração de sua dignidade de vida, conforme lembrou o Padre Giampietro Carraro, fundador desta comunidade católica e um dos concelebrantes da missa.
OITAVA DA PÁSCOA

Na conclusão da missa do Domingo de Páscoa, em que houve grande participação de jovens, assim como ocorrera na Vigília Pascal, o Padre Luiz Eduardo Baronto, Cura da Catedral da Sé, transmitiu sua saudação pascal ao Arcebispo e aos fiéis. Ele também recordou que a celebração da Páscoa se prolonga por toda a semana, na chamada Oitava da Páscoa. Por isso, recomendou aos fiéis que mantenham nos próximos dias a saudação pascal como expressão da alegria pela Ressurreição do Senhor.
Antes da bênção final, o Cardeal Scherer entoou com os fiéis a oração Rainha do Céu (Regina Coeli), que substitui a oração mariana do Angelus durante o Tempo Pascal, que será concluído no Domingo de Pentecostes, a ser celebrado em 24 de maio.





