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‘Somos chamados a viver esta semana não como espectadores’, afirma Dom Odilo no Domingo de Ramos

‘Somos chamados a viver esta semana não como espectadores’, afirma Dom Odilo no Domingo de Ramos - Jornal O São Paulo
Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fiéis reunidos na Praça da Sé, diante do Marco Zero da capital paulista, celebra­ram, na manhã de 29 de março, o início da Semana Santa, com a missa do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, presidida pelo Cardeal Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo.

A liturgia recorda dois momentos centrais da vida de Jesus: Sua entrada em Jerusalém, aclamado pelo povo, e a pro­clamação de Sua Paixão, neste ano por meio do Evangelho segundo São Mateus.

Após a bênção dos ramos, foi procla­mado o Evangelho que recorda a aclama­ção a Cristo: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!”. Em seguida, os fiéis refizeram simbolicamente o caminho de Jesus ao seguirem em procissão até a Catedral da Sé, onde houve a continuidade da celebra­ção eucarística com a leitura da Paixão do Senhor.

DIANTE DA CRUZ

Na homilia, Dom Odilo destacou o significado da Semana Santa como o cen­tro da vida litúrgica da Igreja e convidou os fiéis a vivê-la intensamente: “Somos chamados a viver esta semana não como espectadores, mas como participantes, pela fé, da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus”.

O Arcebispo também incentivou a participação nas celebrações do Tríduo Pascal, ressaltando que não se trata ape­nas de recordar acontecimentos, mas de tomar parte neles com fé. “Aquilo que se passou com Jesus não é apenas uma me­mória distante, mas diz respeito a nós, foi por nós e continua a produzir frutos em nossa vida”, destacou.

Ao aprofundar o sentido do relato da Paixão, Dom Odilo chamou a atenção para a presença de diversos personagens na narrativa evangélica e propôs aos fiéis um exercício concreto de identificação es­piritual. “Somos levados a nos perguntar como nos situamos nesse drama”, disse, explicando que cada pessoa é chamada a reconhecer, à luz da fé, qual lugar ocupa diante de Cristo.

ATÉ O FIM

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Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Nesse sentido, é possível, por exemplo, reconhecer-se em figuras como Simão Ci­reneu, que ajuda Jesus a carregar a cruz, assumindo também hoje os sofrimentos e responsabilidades da vida com fé; ou como o bom ladrão, que, mesmo no limite da própria condição, reconhece a verdade e se abre à misericórdia de Deus.

Do mesmo modo, os fiéis podem se identificar com aqueles que permanecem junto de Jesus até o fim, como as santas mulheres, que expressam fidelidade, com­paixão e perseverança, ou ainda com José de Arimateia, que toma uma atitude con­creta diante da morte de Cristo.

Por outro lado, Dom Odilo alertou que também estão presentes atitudes que de­vem ser evitadas, como a indiferença dos que observam de longe, a rejeição daqueles que condenam Jesus ou a postura de Pila­tos, que, mesmo reconhecendo a verdade, cede à pressão e à conveniência. “Quantas vezes, pela lei da vantagem, deixamos de assumir a verdade e a justiça”, afirmou.

FIEL À VERDADE

‘Somos chamados a viver esta semana não como espectadores’, afirma Dom Odilo no Domingo de Ramos - Jornal O São Paulo

O Cardeal sublinhou que Jesus foi condenado por testemunhar a verdade sobre si mesmo como Filho de Deus, per­manecendo fiel até o fim. “Ele confirmou sua missão até a entrega total da vida, sem renunciar à verdade”, disse, ressaltando que esse testemunho se torna modelo para a vida cristã.

Ao relacionar essa realidade com o tempo presente, enfatizou: “A verdade não se decide pela maioria, mas por ela mesma”. Ele convidou os fiéis a um com­promisso pessoal com a verdade, mesmo quando isso exige esforço, coerência e fi­delidade.

RAMOS

‘Somos chamados a viver esta semana não como espectadores’, afirma Dom Odilo no Domingo de Ramos - Jornal O São Paulo

Ao comentar o significado dos ramos, Dom Odilo explicou que eles simbolizam a vitória de Cristo sobre o pecado e a mor­te, mas recordou que essa vitória passa pela cruz. “A vitória não vem sem a cruz. Por isso, não devemos ter medo de abra­çá-la e seguir Jesus”, exortou.

Nessa perspectiva, o Arcebispo des­tacou que a vivência da fé cristã implica assumir, no cotidiano, as exigências do seguimento de Cristo, inclusive nos mo­mentos de dificuldade. A cruz, afirmou, não é sinal de derrota, mas caminho de fidelidade e de vida nova. Por fim, Dom Odilo desejou que a Se­mana Santa seja vivida como um tempo de renovação espiritual, no qual cada fiel, identificando-se com Cristo e com aque­les que lhe foram fiéis, possa também re­novar seu compromisso de fé. “Seguindo Jesus no caminho da Paixão, somos cha­mados a participar também da Sua Res­surreição”, concluiu.

A ORIGEM DA CELEBRAÇÃO

Há uma razão histórica para a pro­clamação dos dois relatos dos evan­gelhos no Domingo de Ramos. Nos primeiros séculos do Cristianismo, ainda não havia a celebração estrutu­rada do Tríduo Pascal e, por isso, não era costume celebrar liturgicamen­te a Paixão do Senhor na sexta-feira anterior à Páscoa. Assim, no domin­go precedente, fazia-se memória da morte de Cristo, enquanto a semana seguinte era dedicada à celebração da Ressurreição.

Mesmo após a consolidação do Tríduo Pascal, essa tradição foi man­tida, sobretudo como forma de garan­tir que todos os fiéis pudessem entrar em contato com o mistério da Paixão, especialmente aqueles que, por dife­rentes motivos, não podem participar das celebrações dos dias centrais.

Além disso, a liturgia do Domin­go de Ramos propõe a contemplação de um contraste significativo: a mes­ma multidão que aclama Jesus como o “Filho de Davi” em sua entrada em Jerusalém é aquela que, poucos dias depois, pede sua crucificação. Esse contraste convida os fiéis a refleti­rem sobre a constância da própria fé e a fidelidade no seguimento de Cristo.

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