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Vicariato para a Pastoral da Saúde e dos Enfermos inicia cursos anuais

Missa presidida por Dom Edilson de Souza Silva marcou o começo das atividades em 2026, bem como uma aula com o tema ‘Cuidar de quem cuida’

Vicariato para a Pastoral da Saúde e dos Enfermos inicia cursos anuais - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Com uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, Decanato São Mateus da Região Ipiranga, na manhã do sábado, 28 de fevereiro, o Vicariato Episcopal para a Pastoral da Saúde e dos Enfermos deu início ao seu calendário de cursos anuais: o de Pastoral da Saúde, que acontecerá a cada dia da semana em uma região epis­copal; e o de Pastoral Hospitalar, a ser rea­lizado na Paróquia Santa Generosa, no bairro do Paraíso, Região Sé, aos sábados.

A Eucaristia foi presidida por Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, e teve como concelebrantes os padres capelães de hos­pitais, bem como sacerdotes e diáconos que atuam nesta Pastoral, entre os quais o Cônego João Inácio Mildner, Vigário Episcopal para a Pastoral da Saúde e dos Enfermos.

VOCAÇÃO DA PASTORAL

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“Nesta pastoral, nós acolhemos um chamado de Deus. Amamos a Deus e, ao mesmo tempo, amamos os nossos irmãos e irmãs”, disse Dom Edilson na homilia. “Vamos ao encontro de Cristo que está na pessoa do doente. A visita ao enfermo é uma experiência concreta do Evangelho: ‘Estive doente e me visitastes’ (Mt 25,36)”, prosseguiu.

O Bispo enfatizou que a Pastoral da Saúde e dos Enfermos procura cumprir o caráter do bom samaritano: “Vê aquele que está sofrendo e não passa adiante. Não é indiferente, vai ao encontro, transmite vida. Assim, os agentes tornam-se instrumentos de Deus no cuidado e na consolação. São enviados não em nosso nome, mas em nome de Cristo e em nome da Igreja, para levar a força e a esperança do Evangelho”.

Dom Edilson apontou a espirituali­dade como fundamento indispensável na missão do agente. “Nossa missão se sustenta na oração, nos sacramentos, na Palavra de Deus e na comunhão entre nós. Ninguém caminha sozinho: nós somos o povo de Deus. O Senhor está conosco, não nos abandona”.

“Eu os exorto: zelem pela própria saúde física e espiritual para que pos­sam continuar sendo sinal do amor e da ternura de Deus aos enfermos”, finalizou o Bispo.

PASTORAL FECUNDA

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Cônego João Mildner enfatizou que a ação desta Pastoral é um trabalho priori­tário para a Igreja, pois foi realizada pelo próprio Cristo: “Nossa ação pastoral re­flete o rosto misericordioso de Jesus a quem sofre”.

O Vigário Episcopal, que também é Capelão do Instituto de Infectologia Emí­lio Ribas, destacou que mais de 150 pes­soas já se inscreveram previamente para os cursos deste ano, mas a tendência é que este número aumente, com o começo das formações.

Segundo ele, já são cerca de 5 mil membros que integram a Pastoral na Arquidiocese, presente em aproximada­mente 60% das paróquias. “A Pastoral da Saúde é a pastoral mais fecunda da Igreja, porque alcança não apenas o doente, mas também familiares, profissionais da saúde e amigos. Quando alguém está em uma situação difícil e alguém estende a mão, isso nunca é esquecido”, relatou, lembran­do encontros com pessoas atendidas dé­cadas atrás no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e que ainda hoje recordam a importância da presença pastoral.

SERVIR POR AMOR

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Maria das Graças Miguel Santos, 65, é coordenadora desta Pastoral na Região Sé. “Nossa missão é ajudar os agentes a serem sinais da presença de Deus. Cada encontro de formação, cada visita a um doente é uma expe­riência de ver o rosto de Cristo”, disse.

Gilberto Sales, 62, coordena o curso da Pastoral Hospitalar. “Eu me aposen­tei na área da Radiologia. Servir nesta Pastoral é servir por amor e transmi­tir esse amor a quem encontramos na missão”, contou.

Maria Gildete Marreiros Ventura, 70, se inscreveu para o curso da Pas­toral Hospitalar. “Senti o chamado. Nunca é tarde para aprender. Gosto de conversar, acolher e rezar com os doentes”.

Cesar Neunda Hambaati, 39, é de Angola e está no Brasil há oito meses. Veio para a especialização na área da Enfermagem e se inscreveu em um dos cursos. “É um aprendizado que vem para somar. Daqui a dois anos, voltarei ao meu país e quero compartilhar essa experiência em minha paróquia”, disse ele, que vai fazer o Curso de Pastoral da Saúde e depois pretende participar do curso de Pastoral Hospitalar.

‘CUIDAR DE QUEM CUIDA’

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Após a missa, foi realizada a aula inaugural dos cursos, com a temática “Cuidando de quem cuida: a impor­tância do autocuidado na Pastoral da Saúde e dos Enfermos”, ministrada por Andrea Sales, membro da equipe mul­tidisciplinar de cuidados paliativos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Andrea destacou que a Pastoral da Saúde é “presença, compaixão e escuta”. Para ela, mais do que ouvir relatos, é preciso realmente escutar o que o en­fermo e a família expressam, muitas vezes nas entrelinhas da dor.

“Quando eu entro na casa de um enfermo, eu entro em um santuário”, afirmou. Ela lembrou que “cada visita é encontro sagrado e oportunidade de reconhecer a face de Cristo no sofri­mento humano”.

A palestrante alertou que não é possível oferecer um cuidado verda­deiro quando o agente está exausto ou emocionalmente sobrecarregado. “Nós não cuidamos bem do outro se não nos cuidarmos primeiro”, dis­se. Segundo ela, a sobrecarga física, emocional e espiritual vai se acumu­lando silenciosamente, levando ao desânimo e ao esvaziamento. “Pense sobre seus próprios limites, sua saúde mental e a organização da própria vida, inclusive dentro de casa, onde come­ça a nossa primeira pastoral. Cuidar é uma atitude de vida”, recomendou.

AINDA HÁ VAGAS
Tanto para as turmas de Pastoral da Saúde quanto para a de Pastoral Hospitalar ainda há vagas disponíveis.
Saiba mais detalhes pelo telefone (11) 3660-3743; WhatsApp (11) 95554-6813; e-mail: [email protected]. Para quem puder, pede-se a contribuição mensal de R$ 50.

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