As reflexões do Papa Francisco sobre a mente, o corpo e a alma

Pontífice enviou mensagem, no sábado, 8, aos participantes de conferência on-line organizada pelo Pontifício Conselho para a Cultura e a Cura Foundation e Science and Faith Foundation and Stem For Life

foto: Vatican Mediaa

Com uma mensagem em vídeo, o Papa Francisco encerrou, no sábado, 8, a conferência “Exploring the Mind, Body and Soul – Unite to Prevent and Unite to Cure”, um evento on-line organizado pelo Pontifício Conselho para a Cultura e a Cura Foundation e Science and Faith Foundation and Stem For Life.

Iniciado em 6 de maio, o evento de três dias contou com médicos, cientistas, estudiosos de ética, líderes religiosos, formuladores de políticas e filantropos que debateram as últimas descobertas na medicina, nos cuidados de saúde e prevenção, bem como o impacto cultural dos progressos tecnológicos, examinando também a relação entre mente, corpo e alma.

Em sua mensagem, o Papa Francisco agradeceu, inicialmente, “a quem escolheu como seu compromisso pessoal e profissional o cuidado dos doentes e o apoio aos mais necessitados”, em particular “a quem se dedica incansavelmente ao combate à pandemia, que não cessa de causar vítimas e que, ao mesmo tempo, põe à prova o nosso senso de solidariedade e fraternidade”.

Refletir sobre modelos de sistemas de saúde

É precisamente da “mente, corpo e alma”, a “concepção tripartida” assumida por muitos Padres da Igreja e depois por vários pensadores modernos, que se desdobra a reflexão do Pontífice. Olhando para os dias atuais, ele afirma:

“Pensar e manter a pessoa humana no centro também requer uma reflexão sobre modelos de sistemas de saúde abertos a todos os doentes, sem nenhuma desigualdade”.

Progresso do saber e questões éticas

O Pontífice enalteceu os avanços das ciências médicas que, “sem dúvida abriram diante de nós um horizonte de conhecimentos e interações que há alguns séculos atrás nem sequer eram concebíveis”. Um verdadeiro “progresso do saber” que se traduziu e se traduz “em pesquisas mais sofisticadas e em cuidados cada vez mais adequados e precisos”.

Um exemplo de tudo é o “vasto campo da pesquisa no âmbito da genética, endereçada à superação de várias doenças”. Segundo o Papa, esta pesquisa “também coloca algumas questões antropológicas e éticas básicas, tais como, por exemplo, a questão da manipulação do genoma humano para controlar ou até mesmo superar o processo de envelhecimento, ou para conseguir uma valorização alterada do ser humano”.

Não somos espíritos puros

O Santo Padre ressaltou que o ser humano é composto de “corpo, mente e alma”, três categorias que “não correspondem à visão cristã ‘clássica’, cujo modelo mais conhecido é o da pessoa, entendida como uma unidade inseparável de corpo e alma, que, por sua vez, é dotada de inteligência e vontade”. Esta visão “não é exclusiva”, explica Francisco, “certas dimensões do nosso ser, hoje demasiadas vezes separadas, na realidade constituem entre elas um entrelaçamento profundo e inseparável”.

A reflexão do Papa vai até os fundamentos da existência do homem, começando com sua “camada biológica” que “se expressa por meio de nossa corporeidade” e “constitui a dimensão mais imediata, mas não por isso a mais fácil de entender”.

Não somos espíritos puros. Para cada um de nós, tudo começa com o nosso corpo, mas não só: desde a concepção até a morte, não temos simplesmente um corpo, mas somos um corpo e a fé cristã nos diz que o seremos também na ressurreição.

Fenômenos humanos além da materialidade corpórea

Fundamental, neste sentido, é a dimensão da mente que constitui “a condição de possibilidade de nossa autocompreensão”. Atualmente, observa o Pontífice, “há frequentemente uma tendência a identificar este constituinte essencial com o cérebro e seus processos neurológicos”.

No entanto, “embora sublinhando a importância vital do componente biológico e funcional do cérebro, ele não é o elemento capaz de explicar todos os fenômenos que nos definem como humanos, muitos dos quais não são “mensuráveis” e, portanto, vão além da materialidade corpórea”.

Na verdade, “o ser humano não pode possuir uma mente sem matéria cerebral; mas, ao mesmo tempo, a sua mente não pode ser reduzida à mera materialidade de seu encéfalo. Esta é uma equação a ser seguida”, prosseguiu.

O uso do termo “mente” na esfera científica levanta “algumas dificuldades”, aponta o Papa Francisco. “Com a palavra mente é normalmente indicada a complexidade das faculdades humanas, especialmente em relação à formação do pensamento”. Portanto, a questão relativa à “origem” das faculdades humanas como “a sensibilidade moral da pessoa, a compaixão, a empatia, o amor solidário que se traduz em gestos filantrópicos e a dedicação aos outros, ou o senso estético, sem mencionar a busca do infinito e do transcendente”, permanece atual.

A alma, uma janela para um horizonte

A falar da alma,  Francisco sublinhou que ela é uma janela para um horizonte. A ideia herdada da filosofia clássica “atribui à alma o papel de princípio constitutivo que organiza todo o corpo e do qual originam as qualidades intelectuais, afetivas e volitivas, incluindo a consciência moral”.

A Bíblia e, sobretudo, a reflexão filosófico-teológica com o conceito de alma definem “a unicidade humana, a especificidade da pessoa irredutível a qualquer outra forma de ser vivo, incluindo sua abertura a uma dimensão sobrenatural e, portanto, a Deus”. Esta abertura ao transcendente, “a algo maior que a si mesmo”, segundo o Papa Francisco, é “constitutiva e testemunha o valor infinito de cada pessoa humana”.

Neste sentido, a alma deve ser entendida como “a janela que sai, olha e conduz rumo a um horizonte”, concluiu o Pontífice

Fonte: Vatican News

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