Francisco pede esperança, unidade e zelo pastoral para a Igreja no Iraque

Papa recebe flores de uma jovem na Catedral de Nossa Senhora da Salvação, em Bagdá (Foto: Vatican Media)

O último compromisso do Papa Francisco no primeiro dia da sua viagem apostólica ao Iraque, nesta sexta-feira, 5, foi um encontro com os bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas e catequistas, na Catedral de Sayidat al-Nejat (Nossa Senhora da Salvação), em Bagdá.

O Santo Padre iniciou a sua saudação com “paterno afeto” agradecendo ao Senhor por ter permitido esse encontro.

“Estamos reunidos nesta Catedral de Nossa Senhora da Salvação, abençoados pelo sangue dos nossos irmãos e irmãs que aqui pagaram o preço extremo da sua fidelidade ao Senhor e à sua Igreja”, afirmou o Pontífice, recordando que, naquela catedral, 48 cristãos foram mortos em um atentado terrorista há 10 anos. “Que a recordação do seu sacrifício nos inspire a renovar a nossa confiança na força da Cruz e da sua mensagem salvífica de perdão, reconciliação e renascimento”, completou o Pontífice.

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Zelo apostólico

Dirigindo-se aos religiosos, Francisco enfatizou que as carências do povo de Deus e os árduos desafios pastorais que enfrentados diariamente, agravaram-se neste tempo de pandemia. “Há uma coisa, porém, que nunca deve ser bloqueada nem reduzida: o zelo apostólico, que hauris de raízes muito antigas, da presença ininterrupta da Igreja nestas terras desde os primeiros tempos”, afirmou.

O Papa afirmou, ainda, que “é fácil ser contagiado pelo vírus do desânimo que, às vezes, parece difundir-se ao nosso redor”. “O Senhor deu-nos uma vacina eficaz contra este vírus mau: é a esperança, que nasce da oração perseverante e da fidelidade diária ao nosso apostolado. Com esta vacina podemos prosseguir com energia sempre nova, para partilhar a alegria do Evangelho como discípulos missionários e sinais vivos da presença do Reino de Deus, Reino de santidade, justiça e paz”, acrescentou.

(Foto: Vatican Media)

Alegria do Evangelho

“Não esqueçamos jamais que Cristo é anunciado sobretudo com o testemunho de vidas transformadas pela alegria do Evangelho” disse o Santo Padre, sublinhando que esta é uma mensagem necessária a todos.

O Pontífice reconheceu, ainda, que, “as dificuldades fazem parte da experiência diária dos fiéis iraquianos” por todos os sofrimentos que passaram e ainda passam pela fragilidade das infraestruturas básicas e a luta contínua pela segurança econômica e pessoal. Por isso, Francisco agradeceu os “irmãos bispos e sacerdotes, por terdes permanecido junto do vosso povo, apoiando-o, esforçando-vos por satisfazer as carências das pessoas e ajudando cada um a fazer a sua parte ao serviço do bem comum”.

O Papa destacou que as  Igrejas particulares constituem “um recurso precioso para a vida quer da comunidade eclesial quer da sociedade inteira”, e exortou: “Animo-vos a perseverar neste compromisso, a fim de garantir que a Comunidade Católica no Iraque, apesar de pequena como um grão de mostarda, continue a enriquecer o caminho do país no seu conjunto”.

Comunhão

Francisco lembrou que o  amor de Cristo pede aos cristãos para colocarem de lado qualquer tipo de egocentrismo e competição, impele à comunhão universal e “chama-nos a formar uma comunidade de irmãos e irmãs que se acolhem e cuidam mutuamente”.

Usando uma metáfora, o Papa comparou as diversas igrejas presentes no Iraque e seus patrimônios a um tapete formado por tantos fios de variegadas cores e entrelaçados, que “não só atesta a nossa fraternidade, mas remete também para a sua fonte, pois o próprio Deus é o artista que idealizou este tapete”.

“Como é importante este testemunho de união fraterna num mundo que se vê frequentemente fragmentado e dilacerado pelas divisões!”, enfatizou o Santo Padre.

(Foto: Vatican Media)

Chamado de Cristo

Em seguida, o Pontífice se dirigiu particularmente aos bispos, afirmando: “Gosto de pensar no nosso ministério episcopal em termos de proximidade”. Ele pediu, ainda, que os bispos permaneçam próximos aos seus sacerdotes, que não se vejam como “administradores ou gerentes, mas como pais preocupados por que os filhos estejam bem, prontos a dar-lhes apoio e ânimo de coração aberto”.

Aos sacerdotes, religiosos, catequistas e seminaristas, Francisco exortou: “Todos vós ouvistes a voz do Senhor nos vossos corações e respondestes como o jovem Samuel: ‘Eis-me aqui’”. O Papa pediu, ainda, que todos os dias sejam renovadas estas palavras para “partilhar a Boa Nova com entusiasmo e coragem”.

Mencionando novamente os mortos no atentado terrorista perpetrado naquela Catedral e cuja causa de beatificação está em andamento, o Pontífice afirmou que, “a sua morte no lembra fortemente que o incitamento à guerra, os comportamentos de ódio, a violência e o derramamento de sangue são incompatíveis com os ensinamentos religiosos”.

Aos jovens

“Penso de modo particular nos jovens. São portadores de promessas e de esperança em toda a parte, e sobretudo neste país. Na realidade, aqui não existe apenas um patrimônio arqueológico inestimável, mas também uma riqueza incalculável para o futuro: são os jovens! São o vosso tesouro e é preciso cuidar deles, alimentando os seus sonhos, acompanhando o seu caminho, aumentando a sua esperança”, manifestou o Papa.

Por fim, o Santo Padre desejou: “Que o vosso testemunho, amadurecido nas adversidades e fortalecido pelo sangue dos mártires, seja uma luz que resplandece dentro e fora do Iraque, para anunciar a grandeza do Senhor e fazer exultar o espírito deste povo em Deus nosso Salvador”.

Cristãos no Iraque

Estima-se que haja, atualmente, cerca de 580 mil cristãos no Iraque, o que representa 1,5% da população do país, de 38,4 milhões de habitantes. Os cristãos iraquianos estão divididos entre entre católicos caldeus, siríacos, armênios, latinos e greco-melquitas, além de ortodoxos e protestantes.

(Foto: Vatican Media)

A presença cristã na Mesopotâmia remonta às origens do cristianismo, como bem atestam os Atos dos Apóstolos. Segundo a tradição, o Cristianismo se espalhou por essas terras no primeiro século a partir da pregação do apóstolo São Tomé e seus discípulos, que se estendeu até a Ásia oriental. O Iraque, portanto, é uma terra bíblica e historicamente importante para todos os cristãos, dada a sua riqueza cultural e religiosa que influenciou de forma decisiva.

Programação do sábado

No sábado, 6, pela manhã, o Pontífice partirá de avião para Najaf, onde encontrará o Grão-Aiatolá Sayyd Ali Al-Husaymi Al-Sistani. Em seguida, seguirá de avião para Nassiriya, onde participa na Planície de Ur de um encontro Inter-religioso, está previsto um discurso do Santo Padre. Logo depois, retornará de avião para Bagdá.

“Ur é o ponto alto da visita, porque Abraão representa o sinal da unidade para todos nós que vivemos nesta terra. Ver a casa de Abraão será um grande símbolo de unidade para todas as religiões que têm esse elemento em comum”, explicou o Bispo Auxiliar de Bagdá, Dom Basel Yaldo, em uma nota divulgada para imprensa local na quarta-feira, 24.

Na tarde do sábado, Francisco celebrará uma missa na Catedral caldeia de São José, em Bagdá.

(Com informações de Vatican News)

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