
Na manhã da segunda-feira, 29 de junho, o Papa Leão XIV presidiu a missa da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A celebração reuniu os membros do Colégio Cardinalício que participaram do Consistório realizado nos dias 26 e 27 (leia acima), entre eles o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo.
Durante a Eucaristia, ocorreu a tradicional bênção e imposição do pálio aos 35 novos arcebispos metropolitanos nomeados ao longo do último ano. Entre eles estavam quatro brasileiros: Dom Julio Endi Akamine, Arcebispo de Belém (PA); Dom José Roberto Fortes Palau, Arcebispo de Sorocaba (SP); Dom Marco Aurélio Gubiotti, Arcebispo de Juiz de Fora (MG); e Dom Mário Antônio da Silva, Arcebispo de Aparecida (SP).
Na homilia, o Santo Padre refletiu sobre o testemunho dos apóstolos Pedro e Paulo, ressaltando que ambos, embora diferentes em seus dons e trajetórias, foram unidos pela mesma fé em Cristo e pelo dom do martírio, tornando-se exemplo da comunhão que nasce do Evangelho.
COMUNHÃO
Ao meditar sobre a missão confiada a São Pedro, o Papa destacou o simbolismo das chaves, tradicionalmente associadas ao primeiro dos apóstolos. Segundo explicou, a chave não existe para derrubar portas, mas para abri-las, buscando os meios adequados para superar bloqueios e unir os espaços antes separados. Da mesma forma, afirmou, a comunhão na Igreja não se constrói pelo endurecimento das próprias posições, mas pela busca sincera dos pontos de encontro na verdade iluminada por Cristo, permitindo que cada pessoa se torne instrumento de crescimento para o próximo.
Leão XIV afirmou ainda que a missão confiada por Cristo a Pedro e aos seus sucessores consiste em escutar, discernir, orientar, corrigir, instruir, encorajar e acompanhar o Povo de Deus, favorecendo a ação do Espírito Santo e a cooperação de todos na obra da salvação. Ao mesmo tempo, recordou que o exemplo do Príncipe dos Apóstolos constitui um chamado dirigido a todos os cristãos para serem construtores da unidade, colocando Deus no centro da própria vida e aproximando-se dos irmãos com espírito de caridade e atenção às suas necessidades.
O Pontífice também recordou que a comunhão eclesial é fruto da ação do Espírito Santo e se fortalece quando os fiéis caminham juntos, superando divisões e testemunhando o Evangelho com generosidade e fidelidade.
TRADIÇÃO
A Solenidade também foi marcada por elementos que expressam a comunhão entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Antes da missa, Leão XIV e o Metropolita Emmanuel, representante do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, rezaram juntos diante do túmulo de São Pedro, acompanhados da delegação do patriarcado ortodoxo, cuja presença na celebração é um gesto de fraternidade retribuído pela Santa Sé na Festa de Santo André, padroeiro da Igreja de Constantinopla, em 30 de novembro. O Pontífice também se deteve em oração diante da histórica imagem de bronze do Apóstolo, revestida com um manto vermelho para a solenidade.




