Papa nomeia três mulheres como membros do Dicastério para os Bispos

Irmã Raffaella Petrini, Irmã Yvonne Reungoat e Maria Lia Zervino 
(Reprodução Vatican Media)

Nesta quarta-feira, 13, o Papa Francisco nomeou 14 novos membros do Dicastério para os Bispos. Entre esses, destacam-se as primeiras três mulheres que integrarão esse organismo da Cúria Romana: Irmã Raffaella Petrini, atual Secretária-geral do Governorato do Estado da Cidade do Vaticano; Irmã Yvonne Reungoat, ex-superiora geral das Filhas de Maria Auxiliadora (Salesianas); e a leiga Maria Lia Zervino, Presidente da União Mundial das Organizações de Mulheres Católicas.

Também foram nomeados Dom Anders Arborelius, Bispo de Estocolmo (Suécia); Dom José Advincula, Arcebispo de Manila (Filipinas); Cardeal José Tolentino de Mendonça, Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana; Cardeal Mario Grech, Secretário-geral do Sínodo.

Além desses, o Pontífice tornou membros do dicastério os clérigos que serão criados cardeais no próximo consistório, em agosto: Dom Arthur Roche, Prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Dom Lazzaro You Heung-sik, Prefeito do Dicastério para o Clero; Dom Jean-Marc Aveline, Arcebispo de Marselha (França); Dom Oscar Cantoni, bispo de Como (Itália); Dom Dražen Kutleša, Arcebispo de Split-Makarska (Croácia), e Dom Paul Desmond Tighe, Secretário do antigo Pontifício Conselho para a Cultura; Dom Donato Ogliari, sacerdote e abade da Abadia de São Paulo Fora-dos-Muros e administrador apostólico da Abadia Territorial de Montecassino (Itália).

Mulheres na Cúria Romana

A informação de que mulheres seriam nomeadas para o Dicastério para o Bispos havia sido antecipada pelo próprio Santo Padre, na recente entrevista concedida a agência Reuters. Na ocasião, Francisco recordou que em 2021, pela primeira vez, havia sido nomeada uma mulher para um cargo no Governatorato da Cidade do Vaticano, a Irmã Raffaella Petrini, agora, também membro do Dicastério para os Bispos. Mas também a Irmã Nathalie Becquart, religiosa francesa das Irmãs Missionárias Xavierianas, subsecretária do Sínodo dos Bispos, e irmã Alessandra Smerilli, das Filhas de Maria Auxiliadora, subsecretária do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Enquanto no Dicastério para os religiosos é subsecretária a Irmã Carmen Ros Norten.

Entre as mulheres leigas que já ocupam cargos em organismos da Santa Sé, estão Barbara Jatta, a primeira diretora dos Museus Vaticanos, Linda Ghisoni e Gabriella Gambino, ambas subsecretárias no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; a professora Emilce Cuda, secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina – organismo ligado ao Dicastério para os Bispos –, Nataša Govekar, diretora da Direção teológica-pastoral do Dicastério para a Comunicação, e Cristiane Murray, vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé. E em janeiro de 2020, uma mulher foi nomeada pela primeira vez subsecretária da Seção da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados e as organizações internacionais, Francesca di Giovanni, responsável pelo setor multilateral.

Papa Francisco, em evento do Dicastério para os Bispos (Foto: Arquivo/Vatican Media)

Funções

Como membros desse dicastério, os clérigos e leigas nomeadas são convocados para as assembleias ordinárias e, quando necessário, para eventos extraordinários. Os mesmos são nomeados pelo Romano Pontífice por cinco anos.

A Constituição Apostólica Praedicate evangelium, com a qual o Papa Francisco reformou a Cúria Romana, explica que “os membros das Instituições curiais são nomeados dentre os cardeais quer residentes em Roma, quer fora, aos quais se associam, enquanto particularmente peritos nas matérias a tratar, alguns bispos, sobretudo diocesanos/eparquiais, bem como, segundo a natureza do dicastério, alguns presbíteros e diáconos, alguns membros dos institutos de vida Consagrada e das sociedades de vida Apostólica e alguns fiéis leigos”.

Segundo essa mesma constituição apostólica, compete ao Dicastério para os Bispos, que altualmente tem como Prefeito o Cardeal Marc Ouellet, “tudo o que se refere à constituição e provisão das Igrejas particulares e ao exercício do múnus episcopal na Igreja latina, salvaguardada a competência do Dicastério para a Evangelização.

Também é atribuição desse dicastério tudo o que diz respeito à nomeação dos bispos diocesanos e titulares, dos Administradores apostólicos e, em geral, à provisão das Igrejas particulares. Entre outras competências do organismo, destacam-se:

– A indicação de critérios para a escolha de candidatos ao episcopado;

– A renúncia de bispos de seus cargos em conformidade com as disposições canônicas;  

– Tratar com governos e demais dicastérios sobre a constituição, modificação ou agrupamento de Igrejas particulares;

– Predispor tudo o que se refere às visitas ad limina Apostolorum das Igrejas particulares confiadas ao seu cuidado;

– Oferecer oportunidade de formação permanente e cursos de atualizações aos bispos;

– Trabalhar em estreira colaboração e serviço com as conferências episcopais e suas uniões regionais e continentais.

COMO É NOMEADO UM BISPO?

Os bispos são nomeados livremente pelo Papa dentre os sacerdotes do clero de uma diocese ou de um instituto de vida consagrada, após um processo de consultas secretas feitas entre bispos, padres e fiéis leigos por meio da Nunciatura Apostólica, representação diplomática do Sumo Pontífice em um país, que as envia à Dicastério para os Bispos, Organismo da Cúria Romana que apresenta os nomes dos indicados com o parecer das consultas ao Santo Padre para que ele possa decidir sobre sua nomeação.

Nas Igrejas católicas de rito oriental, o bispo é escolhido por meio de um Sínodo presidido pelo Patriarca ou Arcebispo Mor em união com a Santa Sé. O nome do eleito é enviado ao Papa, que confirma a eleição e legítima a nomeação episcopal.

O Núncio Apostólico comunica a nomeação ao eleito por meio de carta, com cópia ao Metropolita da região onde ele mora. Após o aceite do eleito, é marcada a ordenação e posse da respectiva função. Em seguida, a nomeação é publicada pela Santa Sé pelos meios de comunicação oficiais. Até a publicação da nomeação, a eleição do novo bispo deve ser mantida em segredo pontifício.

(Com informações de Vatican News)

2 comentários em “Papa nomeia três mulheres como membros do Dicastério para os Bispos”

  1. A paz de Jesus e o Amor de MARIA em nossos corações!! Graças a Deus!! Enfim, Papa Francisco vai abrindo as portas às Discipulas de Cristo. Hoje, mais que necessário e urgente a figura feminina no apostolado. JESUS pegou a Unidade e o Amor!! Nosso querido Papa Francisco vem alimentar o desejo de DEUS no meio de seu Povo!!
    Oremos pelo Papa Francisco, para que o Espírito Santo o ilumine e o fortaleça, pois, sabemos dos contrários que terá de enfrentar!!
    Ana Juchem

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