
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia, na quarta-feira, 15, a sua 62ª Assembleia Geral. O encontro, que se estende até o dia 24, reúne o episcopado de todo o País no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), para dias de convivência, oração e deliberações que orientam a missão da Igreja Católica no Brasil.
Nesta edição, o tema central é a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). A definição desse tema já estava prevista para a assembleia que ocorreria em abril do ano passado, mas que acabou sendo suspensa em razão da morte do Papa Francisco e da realização do Conclave. Retomado neste ano, o texto passou por um processo de atualização ampliado para acolher as contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, sendo também enriquecido com sugestões provenientes das dioceses, pastorais e diversos organismos eclesiais. Agora, será submetido à apreciação e votação do conjunto do episcopado.
Ao comentar o percurso de elaboração das Diretrizes, Dom Leomar Brustolin, Arcebispo de Santa Maria (RS) e Presidente da Equipe de Elaboração das DGAE, destacou o caráter participativo e eclesial do processo. “Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, afirmou. Segundo ele, o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos favoreceu não apenas a construção de um texto, mas também o fortalecimento da comunhão entre os bispos e das Igrejas particulares no Brasil.
CAMINHO SINODAL

O processo de elaboração das DGAE teve início em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, quando os bispos apresentaram, por meio de uma carta à Igreja no Brasil, o itinerário de construção do novo documento. Na ocasião, o episcopado manifestou o compromisso de trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do povo de Deus, reafirmando o propósito de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, marcada pela escuta, pelo diálogo e pela corresponsabilidade.
Ao longo de todo o percurso, o texto passou por sucessivas revisões, alcançando, em 2026, sua 23ª versão. A Equipe de Elaboração das Diretrizes, composta de bispos de diferentes regiões do país e assessorada por peritos, teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições.
OUTROS TEMAS
Além do tema central, a pauta da Assembleia contempla três temas prioritários, 20 temas diversos, quatro mensagens e dez comunicações. Entre os assuntos prioritários está o relatório da Presidência da CNBB. Já entre os temas diversos, destacam-se as análises da conjuntura social e eclesial; o processo de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade no Brasil; a aprovação de textos litúrgicos; as Campanhas promovidas pela Conferência; a tutela de menores e adultos vulneráveis; o Congresso Americano Missionário (CAM 7), previsto para 2029; o Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a atualização do documento “Evangelização da Juventude” (Doc. 85); e a preparação do 19º Congresso Eucarístico Nacional, marcado para 2027.
Nos primeiros dias, os participantes vivenciam um retiro espiritual, que tem início na tarde do dia 15 e se conclui com a celebração eucarística na noite de quinta-feira, 16. Antes da missa, os bispos participam de uma procissão com a récita do Terço, partindo do Centro de Eventos até a Basílica.
CONFERÊNCIA EPISCOPAL

Fundada em 1952, no Rio de Janeiro, a CNBB é uma das mais antigas conferências episcopais do mundo reconhecidas pela Santa Sé, tendo sido criada antes mesmo do Concílio Vaticano II. Desde então, a entidade desempenha papel relevante na articulação da ação pastoral da Igreja no País, promovendo a comunhão entre os bispos e contribuindo para a presença evangelizadora na sociedade brasileira.
Atualmente, a Igreja Católica no Brasil possui 281 circunscrições eclesiásticas. O número de bispos no País é de 497, dos quais 324 estão no exercício do governo pastoral de alguma diocese/arquidiocese e outros 173 são bispos eméritos. Daqueles, 373 estão inscritos na 62ª Assembleia Geral da CNBB.
Participam da Assembleia Geral os membros da CNBB – cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, auxiliares e coadjutores. Também são convidados bispos eméritos, administradores diocesanos e representantes de organismos e pastorais.
Órgão supremo da CNBB, a Assembleia Geral é definida pelo Estatuto da entidade como a “expressão e a realização maior do afeto colegial, da comunhão e da corresponsabilidade dos bispos da Igreja no Brasil”, com a finalidade de promover os objetivos da Conferência “para o bem do povo de Deus”. Trata-se de um espaço privilegiado de discernimento e decisão, no qual são abordados temas pastorais, espirituais e sociais, sempre à luz da missão evangelizadora da Igreja.





