Documento, aprovado pelo episcopado em abril, indica caminhos para fortalecer a comunhão, a participação e a missão da Igreja nos próximos seis anos

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente, no dia 17, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032). Aprovado durante a 62ª Assembleia Geral da entidade, em abril, o Documento 114 apresenta como eixo central o fortalecimento de uma Igreja sinodal, missionária e comprometida com a promoção da vida plena para todos.
Fruto de mais de três anos de trabalho, o texto foi construído por meio de um amplo processo de escuta, diálogo e discernimento, envolvendo bispos, especialistas, organismos eclesiais e representantes das Igrejas particulares.
Durante a cerimônia de lançamento, realizada na sede da CNBB, em Brasília (DF), o Cardeal Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS) e Presidente da Conferência, destacou que as DGAE respondem aos desafios contemporâneos da evangelização e reafirmam a presença da Igreja em uma realidade marcada por profundas transformações sociais, culturais e religiosas.
Segundo Dom Leomar Antônio Brustolin, Arcebispo de Santa Maria (RS) e Presidente da comissão responsável pela elaboração das Diretrizes, o documento amadureceu ao longo de diversas etapas de reflexão e recebeu contribuições de todo o episcopado brasileiro.
‘TENDA DO ENCONTRO’
Mais do que um conjunto de orientações pastorais, o Documento 114 propõe uma visão de Igreja inspirada na imagem bíblica da “Tenda do Encontro”, tomada do livro do profeta Isaías: “Alarga o espaço da tua tenda” (Is 54,2). A figura simboliza uma comunidade aberta, acolhedora e capaz de ampliar seus espaços de participação, escuta e missão.
Ao apresentar os fundamentos bíblicos do documento, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, Arcebispo de Olinda e Recife (PE) e 2º Vice-presidente da CNBB, destacou que a Igreja é chamada a ser “tenda do encontro, aberta a todos”, lugar de acolhida, proteção e esperança. Segundo ele, a inspiração dos Atos dos Apóstolos reforça o ideal de comunidades alimentadas pela Palavra, pela oração, pela Eucaristia e pela caridade.
CONVERSÃO E MISSÃO

Nesse contexto, as Diretrizes assumem a sinodalidade como dimensão constitutiva da vida eclesial. O documento recorda que a Igreja é chamada a caminhar unida, fortalecendo relações de comunhão, participação e missão, em sintonia com as orientações do recente Sínodo sobre a Sinodalidade.
Dom Leomar afirmou que duas palavras sintetizam o espírito do documento: conversão e missão. “Não basta apenas organizar melhor a pastoral. Somos chamados a viver relações mais fraternas, processos mais participativos e uma autêntica conversão missionária”.
O documento identifica ainda alguns dos principais desafios do tempo presente, entre eles a crescente fragmentação social, o individualismo, a polarização, as transformações culturais aceleradas e a necessidade de discernir os sinais de Deus na realidade contemporânea. Diante desse cenário, as Diretrizes propõem uma Igreja capaz de fortalecer a experiência comunitária e ampliar sua presença missionária nas periferias geográficas e existenciais.
CAMINHOS PARA A EVANGELIZAÇÃO
O texto está estruturado em torno de cinco caminhos pastorais considerados fundamentais para a ação evangelizadora. O primeiro deles é a Animação Bíblica da Vida e da Pastoral, que reafirma a centralidade da Palavra de Deus como fonte de toda a missão da Igreja. O segundo é a Iniciação à Vida Cristã, entendida como processo permanente de encontro com Jesus Cristo e formação de discípulos missionários.
O terceiro caminho destaca a construção de Comunidades de Discípulos Missionários, fortalecendo a corresponsabilidade de todos os batizados e o sentido de pertença às Igrejas particulares. O quarto enfatiza a Liturgia e a Piedade Popular como espaços privilegiados de encontro com Deus e expressão da fé do povo. Já o quinto caminho, denominado Serviço à Vida Plena para Todos, reúne compromissos que atravessam toda a ação evangelizadora: a opção preferencial pelos pobres, a defesa da dignidade humana em todas as etapas da existência e o cuidado com a casa comum, à luz da ecologia integral.
CORRESPONSABILIDADE

As DGAE dedicam atenção especial aos diversos sujeitos da evangelização. O documento valoriza o protagonismo dos leigos na transformação da sociedade, incentiva que participem dos processos de discernimento e tomada de decisões, e reconhece sua missão nos diversos ambientes da vida pública.
Também ressalta as famílias como protagonistas da ação evangelizadora, além de destacar o cuidado pastoral com crianças, adolescentes, jovens, idosos, migrantes, povos originários e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Outro aspecto fortemente presente no texto é o chamado a fortalecer uma cultura de corresponsabilidade. Nesse sentido, as Diretrizes incentivam a ampliação dos ministérios leigos e o fortalecimento dos organismos de participação, como expressão concreta de uma Igreja que caminha unida.
Com vigência até 2032, as novas Diretrizes reafirmam o propósito de uma Igreja em permanente estado de missão, sustentada pela Palavra de Deus e pelos sacramentos, comprometida com a comunhão e voltada ao anúncio do Evangelho em meio aos desafios do mundo atual. Como destacou Dom Leomar, trata-se de um convite para que a Igreja no Brasil seja cada vez mais “sinodal, missionária e próxima das pessoas”, colocando suas estruturas e prioridades a serviço do Reino de Deus.




