
A II Romaria Nacional de Catequistas foi concluída no domingo, 30 de agosto, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (SP), depois de três dias de formação, oração, celebração e convivência. Promovido pela Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o encontro reuniu cerca de 4,7 mil participantes, entre catequistas, coordenadores de catequese, ministros ordenados, religiosos e religiosas de diversas regiões do país.
Realizada no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida e no Santuário Nacional, a Romaria teve como tema “Transmitir a fé hoje” e como lema “O que vimos e ouvimos, vos anunciamos” (1Jo 1,3). A proposta foi aprofundar a identidade e a missão dos catequistas, tendo o querigma – o primeiro anúncio do amor de Deus revelado em Jesus Cristo – como fundamento da evangelização e da catequese de inspiração catecumenal.
A segunda edição deu continuidade ao caminho iniciado na primeira Romaria Nacional de Catequistas, realizada em 2024, também em Aparecida. Naquela ocasião, mais de 3,3 mil catequistas participaram do encontro, que teve como eixo a Iniciação à Vida Cristã.
Jesus Cristo no centro do anúncio

Um dos eixos que atravessou as reflexões desta edição foi a necessidade de recolocar Jesus Cristo no centro de todo processo catequético. Na conferência de abertura, “O Querigma: coração da evangelização”, o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, Dom Leomar Antônio Brustolin, recordou que a catequese não pode ser reduzida à transmissão de conhecimentos religiosos.
“O centro do querigma é Jesus Cristo. Nós precisamos não apenas conhecê-lo, mas segui-lo”, afirmou Dom Leomar.
Ao longo de sua reflexão, o bispo também ressaltou que a transmissão da fé acontece no interior da comunidade e requer testemunho, encontro e acompanhamento.
Na abertura da Romaria, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, Cardeal Jaime Spengler, destacou a espiritualidade como sustento da missão catequética e recordou que a referência de toda a ação evangelizadora é o próprio Cristo.
“Estamos aqui para celebrar Jesus Cristo, que é a nossa referência maior, o caminho, a verdade e a vida que queremos anunciar aos demais”, afirmou o presidente da CNBB.
Também durante a programação, o arcebispo de Aparecida (SP), Dom Mário Antônio da Silva, destacou a dimensão vocacional do serviço catequético ao recordar que mulheres e homens colocados a serviço da catequese são chamados a ser “pescadores de gente”.
Formação para os desafios da catequese hoje

Ao longo dos três dias, conferências e partilhas aprofundaram diferentes dimensões do querigma e os desafios atuais da transmissão da fé. Entre os temas estiveram “O Querigma: coração da evangelização”, “O Querigma: da Igreja Primitiva ao Papa Leão XIV”, “Do Anúncio ao Encontro: experiência que transforma”, “O Querigma hoje: desafios e oportunidades” e “Querigma e Comunidades de discípulos missionários”.
As reflexões também procuraram aproximar o anúncio cristão das realidades concretas vividas nas dioceses, paróquias e comunidades. O bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antônio Luiz Catelan Ferreira, ao abordar o querigma na história da Igreja, ressaltou sua permanência como fundamento da missão evangelizadora.
A programação formativa incluiu ainda oficinas sobre Leitura Orante da Palavra de Deus, Ministério de Catequista, catequese inclusiva, catequese batismal, Iniciação à Vida Cristã, cultura digital, família, catequese com adultos, coordenação e formação de catequistas, entre outros temas.
Na oficina dedicada à catequese com adultos, o assessor da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, Padre Wagner Francisco de Sousa Carvalho, chamou a atenção para a importância da escuta e do acompanhamento das trajetórias pessoais.
“Na catequese com adultos, a fé não começa do zero: ela encontra uma história de vida que precisa ser escutada, iluminada e acompanhada”, afirmou.
A assessora da Comissão, Mariana Aparecida Venâncio, também destacou que a missão catequética pressupõe uma experiência pessoal do próprio anúncio:
“A fé que anunciamos precisa primeiro nos encontrar, nos transformar e nos colocar a caminho”.
Do desejo de uma criança à perseverança de quem já catequiza
Entre conferências, celebrações e oficinas, os testemunhos dos participantes revelaram como a vocação catequética atravessa diferentes gerações e realidades da Igreja no Brasil.
Da Diocese de São José dos Pinhais (PR), Laura Ribeiro Lipinsky participou da Romaria acompanhada de sua madrinha. Ainda criança, ela já expressa o desejo de, no futuro, assumir a missão que hoje vê sendo realizada pelos catequistas de sua comunidade.
“Eu estou aqui como uma mini catequista, com minha madrinha, para ser uma catequista no futuro, porque o meu sonho é ser catequista”, contou.
Ao lado dela, Márcia Aparecida Lipinsky, também da Diocese de São José dos Pinhais, destacou que a experiência da Romaria ajudou a renovar a compreensão sobre o próprio sentido da catequese.
“Foi um grande aprendizado. O mais importante é fazer uma catequese que leve todos ao encontro com Jesus, saindo da lógica de aula e vivendo a catequese de fato”, afirmou.
O testemunho das duas expressa um dos desafios aprofundados durante a Romaria: compreender a catequese não apenas como transmissão de conteúdos, mas como acompanhamento de pessoas em um caminho de encontro, seguimento e amadurecimento da fé em Jesus Cristo.
Também participando pela segunda vez da Romaria, Eni Menezes dos Santos, catequista da diocese de Guanhães (MG), recordou os milhares de catequistas que permanecem servindo nas comunidades e não puderam estar em Aparecida.
“Peço a Deus que abençoe todos os catequistas do Brasil inteiro, os que estão aqui e aqueles que não puderam vir. É uma grande bênção estar pela segunda vez na Romaria de Catequistas”, disse.
Os testemunhos deram rosto à diversidade reunida em Aparecida e evidenciaram uma das dimensões marcantes do encontro: a consciência de que o catequista não realiza sua missão isoladamente, mas participa de uma caminhada eclesial que envolve comunidade, formação, testemunho e anúncio.
O cuidado com quem transmite a fé

A Romaria também buscou oferecer aos participantes um tempo de encontro e renovação. Em meio às exigências cotidianas da missão nas comunidades, a programação favoreceu a convivência, a oração comum, a escuta e a formação.
Nesse sentido, o encontro procurou fortalecer não somente os conhecimentos necessários à ação catequética, mas também a identidade vocacional do catequista, chamado a testemunhar aquilo que anuncia e a conduzir outras pessoas ao encontro com Cristo.
A perspectiva está em continuidade com o caminho assumido pela Igreja no Brasil para uma catequese a serviço da Iniciação à Vida Cristã, na qual querigma, Palavra de Deus, liturgia, comunidade, acompanhamento e missão não aparecem como realidades separadas, mas como dimensões de um mesmo itinerário de fé. A expectativa apresentada pela Comissão antes do encontro era justamente que a segunda Romaria ajudasse a fortalecer esse processo nas comunidades brasileiras.
Oração, celebração e envio
A dimensão celebrativa acompanhou toda a programação. Os participantes viveram momentos de oração, celebrações eucarísticas, celebração penitencial e o Terço Luminoso, além dos momentos celebrativos próprios do itinerário da Romaria.
No domingo, a programação foi concluída com a conferência “Querigma e Comunidades de discípulos missionários”, conduzida por dom Andherson Franklin Lustoza, bispo auxiliar de Vitória (ES), seguida da celebração de envio dos catequistas.
O encerramento ocorreu com a Missa do Dia do Catequista e de abertura do Mês da Bíblia, presidida por Dom Leomar Antônio Brustolin. A celebração marcou o envio dos participantes de volta às dioceses, paróquias e comunidades, com o compromisso de continuar testemunhando e anunciando Jesus Cristo nas diferentes realidades do país.
Fonte: CNBB




