Evento reuniu 90 representantes de todo país na 28º Assembleia Geral Ordinária Eletiva

A Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil (CNISB) realizou, entre os dias 17 e 19, no Centro de Eventos e Hospedagem Sagrada Família, no Ipiranga, sua 28ª Assembleia Geral Ordinária Eletiva. O encontro reuniu representantes dos Institutos Seculares de todo o país para um tempo de oração, escuta, discernimento, formação e eleição do novo Conselho Nacional para o quadriênio 2026-2030.O tema do encontro foi “CNISB em caminhada sinodal com a Igreja, peregrinos e peregrinas de esperança!”, inspirado pelo lema “Avançar para águas mais profundas” (Lc 5,4).
Os Institutos Seculares são uma forma de Vida Consagrada reconhecida pela Igreja, cujos membros professam os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, vivendo nas condições ordinárias do mundo – mantendo suas profissões, junto às suas famílias e inseridos no contexto social.
ESCUTA, DISCERNIMENTO E FORTALECIMENTO DOS VÍNCULOS
Moema Rodrigues Muricy, presidente da CNISB, destacou que a Assembleia foi um momento de “escuta, discernimento e fortalecimento dos vínculos fraternos”, com avaliação da caminhada dos Institutos Seculares e projeção dos próximos passos.
Reeleita para o quadriênio 2026-2030, Moema ressaltou a reflexão sobre os desafios da consagração secular, como a formação da identidade, vocação e missão, além da necessidade de maior visibilidade e presença profética no mundo. Ela também informou que o Brasil possui atualmente 55 Institutos Seculares, masculinos e femininos, presentes nos 10 regionais.
AÇÃO PASTORAL EVANGELIZADORA

Padre Jean Paul Hansen, Secretário Executivo de Campanhas da CNBB, apresentou aos participantes as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032). Segundo ele, as prioridades da ação evangelizadora deverão ser vividas na dinâmica da sinodalidade, “por meio de três conversões: a conversão das relações, a conversão dos processos e a conversão dos vínculos”.
Padre Guilherme Maia, assessor da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, abordou a caminhada sinodal nos Institutos Seculares, destacando a importância de escutar, discernir e caminhar juntos. Já Daniel Seidel, coordenador da Rede Eclesial Justiça e Paz na Pátria Grande (América Latina e Caribe), apresentou um panorama da conjuntura atual do Brasil e do mundo, favorecendo uma compreensão da realidadeem que os consagrados exercem sua vocação e missão.
EXPRESSÃO DE VIDA ECLESIAL

Durante visita à Assembleia, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, manifestou sua alegria em encontrar representantes dos Institutos Seculares de todo o País e destacou sua presença na vida da Igreja. “É bom saber que os Institutos Seculares continuam, estão espalhados, presentes em todo o Brasil, têm o seu espaço na Igreja, têm o seu carisma próprio, têm a sua própria forma de ser, uma expressão de vida eclesial. Coragem, continuem, vamos em frente”, exortou. Dom Odilo também incentivou os participantes a serem agentes da comunhão e da sinodalidade, caminhando juntos segundo o Evangelho.
Também presente à Assembleia, Dom Ângelo Ademir Mezzari, Arcebispo de Vitória (ES) e Presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados da CNBB, afirmou que os Institutos Seculares vivem um momento de fortalecimento e maior articulação no país. Destacou que seus membros testemunham a consagração vivendo nas próprias famílias e na sociedade, enriquecendo a vida da Igreja por meio da diversidade de espiritualidades, missões e carismas.
REGIONAL SÃO PAULO
O Regional São Paulo dos Institutos Seculares, coordenado por Leonilda Pierazo de Oliveira, reúne atualmente 15 Institutos Seculares espalhados pelo estado e mantém uma programação contínua de formação e espiritualidade, com o objetivo de fortalecer a vivência dos carismas e a comunhão entre os consagrados. “Aqui em São Paulo participam efetivamente cerca de 30 membros. Já o núcleo Ribeirão Preto reúne cerca de 25 participantes”, explicou Leonilda, que também foi reeleita conselheira da CNISB.
Durante a Assembleia, também teve início a preparação de duas celebrações importantes previstas para 2027: os 80 anos da constituição apostólica Provida Mater Ecclesia, promulgada pelo Papa Pio XII em 1947, que concedeu reconhecimento jurídico aos Institutos Seculares, e os 55 anos de fundação da própria CNISB. “São datas que representam uma oportunidade privilegiada de fazer memória e celebrar o caminho percorrido, aprofundar a identidade da consagração secular e tornar mais conhecida esta vocação na Igreja e na sociedade. Vamos pensar uma programação para celebrar esses momentos”, sublinhou Moema.
CONSAGRADOS SECULARES

Stella Mezzogori, consagrada do Instituto Secular Pequenas Apóstolas da Caridade, atua em Santana, no Amapá. Missionária italiana há dois anos no Brasil, ela enfatizou: “Sou consagrada secular e atuo em um trabalho de atenção materno-infantil voltado ao acompanhamento de gestantes e ao desenvolvimento saudável de crianças na primeira infância. No ano passado, atendemos 951 crianças e 418 gestantes, das quais dez eram adolescentes”.
“Minha vocação nasceu verdadeiramente quando descobri o amor e a misericórdia de Cristo por cada pessoa. Minha missão é fazer o bem. Essa assembleia amplia os horizontes, fortalece a comunhão e nos ajuda a caminhar juntos na sinodalidade.”
Pedro Paulo Rodrigues Santos, 36, membro do Instituto Secular Pio X, é professor concursado na periferia do Rio de Janeiro (RJ): “O cotidiano do consagrado secular é o de qualquer leigo. Meu trabalho deixa de ser apenas uma profissão e se torna uma missão. Não é apenas ensinar conteúdos, mas ser testemunho da caridade de Cristo para aqueles adolescentes e suas famílias.”
CHAMADOS AO DOM DE SI NO COTIDIANO
Os Institutos Seculares reúnem homens e mulheres que respondem ao chamado de Deus à plena consagração, sem deixar as condições ordinárias da vida. Seus membros assumem os conselhos evangélicos – castidade consagrada, pobreza e obediência – por meio de um vínculo sagrado reconhecido pela Igreja, cuja forma – votos, promessas ou outros compromissos – é definida pelas constituições de cada instituto.
A característica própria dessa vocação é a índole secular: a consagração é vivida no interior das realidades temporais, como o trabalho, a família e a vida social, entendidas não como obstáculos, mas como lugar da santificação pessoal e da missão evangelizadora.



