Maior que a dor, sempre serão o amor em família e o perdão

É Natal! Tempo de recordar e valorizar os pequenos gestos. Tempo de fé, amor e esperança, de cura e perdão. Tempo de espera por dias melhores. A seguir, O SÃO PAULO apresenta histórias de vida transformadas a partir do sofrimento e da fé no Cristo que nasce para salvar a todos.

AGIR DE DEUS

Jogar bola, brincar no celular e fazer amigos são alguns dos hobbies do pequeno Lucas Tavares Borges, 9, de Anápolis (GO). Em 2021, ele foi diagnosticado com um linfoma raro e começou a luta contra o câncer.

A mãe, Elaine Elias Tavares, 45, conta que um dia percebeu um pequeno caroço na axila do Lucas. Como não é algo natural, ela o levou ao pediatra. Após a realização do exame clínico, o profissional constatou um linfoma de Hodgkin, um tipo raro de câncer que se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, um conjunto formado por órgãos e tecidos que produzem as células responsáveis pela imunidade e por vasos que as conduzem por todo o corpo. Após a biópsia, veio a confirmação do câncer.

Elaine contou que, inicialmente, o tratamento receitado não era o indicado para o caso de Lucas, e, assim, a doença continuou evoluindo muito rapidamente.

Sem a melhora do quadro clínico do filho, a família decidiu deixar tudo na cidade natal e partiu para Barretos (SP), para tratá-lo no Hospital de Amor. “A nova equipe médica refez todos os exames e chegou ao resultado de que a doença estava em estágio muito avançado. Foi um baque! Ficamos sem chão no início, assustados e com medo”, contou Elaine, emocionada.

Com o diagnóstico fechado e os profissionais prontos para iniciar a nova fase do tratamento, vieram as sessões de quimioterapia e radioterapia. “O começo é uma fase muito difícil, mas em nenhum momento o Lucas desanimou, estava sempre confiante e motivado a superar os obstáculos da doença”, prosseguiu a mãe.

Lucas fez o transplante de medula óssea e, recentemente, recebeu a confirmação da cura. “Agora, é continuar o monitoramento com exames e vida normal”, afirmou o garoto, feliz por estar bem e por poder voltar para a escola no próximo ano, brincar com os amigos e, desde já, celebrar o Natal em família.

À ESPERA DO MENINO JESUS

“Deus sempre esteve ao nosso lado, amparando-nos e renovando as forças. Ele direcionou-nos até o Hospital de Amor, guiou os médicos e enfermeiros, acalentou a família e amigos que rezavam pela cura do meu filho”, frisou a mãe, afirmando que no período da doença a família ressignificou o sentido da fé; do estar juntos, unidos e reunidos; de ouvir e estar atentos às pequenas sutilezas de Deus no cotidiano. “Às vezes, estamos tão preocupados com a roupa, com o cabelo, com a dor na unha, e esquecemos de agradecer por acordar todo dia, por poder abraçar os filhos, tomar uma refeição em família. Parece simples, mas não é. São essas pequenas atitudes que transformam e dão sentido ao nosso existir”, afirmou, falando que nunca é tarde para refazer a rota e mudar atitudes e comportamentos.

Lucas vai passar o Natal em família e, quando questionado sobre o sentido do nascimento de Jesus, afirma, com determinação: “Jesus nasce e renasce em nós todos os dias”.

O CAMINHO DO PERDÃO

 Ao O SÃO PAULO, o Padre Túlio Aparecido Gambarato, sacerdote da Diocese de Barretos e Capelão do Hospital de Amor, explicou que a enfermidade em um primeiro momento deixa a pessoa deprimida por causa da confirmação da saúde debilitada, mas que também proporciona um tempo restaurador, que ultrapassa o sofrimento e a dor e se revela propício para novas oportunidades e recomeços.

“Na fragilidade da vida, como é o caso da doença física, se abre um renovar no sentido da vida que incluiu para muitos o encontro com Deus e a reaproximação com a família”, disse o Capelão, afirmando que nesses momentos o paciente busca o amparo dos entes queridos e, que costuma ouvir, diariamente em seus atendimentos, relatos de perdão e reencontro de famílias que estavam afastadas há muitos anos.

“A enfermidade nos coloca no colo de Deus e nos lança para o seio da família. O perdão é capaz de esquecer as brigas e indiferenças porque o amor sobrepõe qualquer mágoa ou ressentimento. Esse é o sentido do Natal – refazer o homem velho e renascer o homem novo em cada pessoa”, afirmou, recordando a passagem bíblica de Efésios 4,22-24.

Maior que a dor, sempre serão o amor em família e o perdão, Jornal O São Paulo

NATAL TODO DIA

O Sacerdote recordou a história de um jovem que estava internado no hospital para tratar um câncer na cabeça. Na infância, seus pais haviam se separado e nunca tinham passado um Natal juntos. No leito do hospital, aos 28 anos de idade, ele expressou um desejo que foi realizado: ter um Natal em família.

O Capelão contou também a história de uma mulher muito rica. Com câncer, em fase terminal, ela dizia que não queria morrer, que gostaria de uma nova chance para ser uma boa mãe, pois passou sua vida na luxúria e se esqueceu de dar amor e atenção à filha. Ela, porém, não teve tempo para esse recomeço.

“Histórias como essas ouço todos os dias. Como é bom perceber que em algum momento as pessoas acordam para o verdadeiro sentido da vida. Para algumas, há tempo para refazer a trajetória, já para outras, não. Por isso, viva com intensidade e aproveite todas as chances. Resgate o sentido do Natal todos os dias, sem medo, sem ressentimentos. Valorize as pequenas coisas e gestos do cotidiano. A magia do Natal perpassa as sutilezas da vida cercada pela dor, pelo sofrimento, pelo amor, por alegrias, conquistas, perdas e dificuldades”, enfatizou.

Padre Túlio mencionou, ainda, que a beleza do Natal é apresentada pela Sagrada Família e no presépio, que expressa a humildade e o cuidado de Deus para com as famílias. “É no aconchego da família que Jesus é acolhido. Que neste Natal, possamos abrir espaço em nossos lares para a vinda do Menino que traz luz, coragem e amor. Viver o Natal é fazer a experiência da Família de Nazaré, que abre as portas do coração para a vida, para a gratidão e para a esperança”, concluiu.

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