
O IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado continua, com momentos de reflexão e partilhas sobre a atuação da Igreja na prevenção e no enfrentamento aos abusos de crianças e adultos vulneráveis.
Pela manhã, após um momento de partilha das ações no âmbito da vida religiosa consagrada, os participantes acompanharam a exposição do padre agostiniano recoleto Antonio Carrón de la Torre sobre os abusos não sexuais nos ambientes eclesiais.
O convite foi para ampliar o olhar para outras formas que podem comprometer a dignidade, a integridade e a liberdade das pessoas no ambiente eclesial.
Padre Carrón, espanhol especialista em Proteção de Menores pela Universidade Gregoriana de Roma, apresentou tipos desses abusos, que podem ser de poder, psicológico, espiritual, de consciência e de confiança, inclusive digital. Também sugeriu mecanismos e indicações para identificá-los.
Uma de suas reflexões foi a respeito do exercício do poder, que faz parte da semelhança divina, mas precisa de limites. Nos contextos eclesiais, é necessária a distinção entre autoridade e poder, o que é usado muitas vezes como sinônimos.
O sacerdote recordou algumas falas do Papa Francisco, que denunciou o elitismo e o clericalismo como fatores que favorecem toda forma de abuso na Igreja, como em agosto de 2018, na Irlanda:
“Esse drama dos abusos, especialmente quando é de proporções amplas e gera um grande escândalo tem por trás situações de Igreja marcadas por elitismo e clericalismo, uma incapacidade de proximidade ao povo de Deus. O elitismo, o clericalismo favorecem toda forma de abuso. E o abuso sexual não é o primeiro. O primeiro é o abuso de poder e de consciência”.
As diferentes vulnerabilidades também foram tipificadas, as quais podem ser uma enfermidade, uma deficiência física ou psicológica ou privação de liberdade.
Ao final, padre Antonio Carrón apresentou dez elementos que podem ser incorporados como um código de ética no âmbito da Igreja, especialmente nos ambientes formativos de religiosos e seminaristas. Entre elas o treinamento credenciado e verificável para aqueles que orientam, formam e governam. e regras sobre questões de conflito de interesses: aqueles que governam não orientam; quem faz acompanhamento de vocacionados não decide sobre admissão, atribuições ou continuidade do serviço.
As indicações ainda preveem o estabelecimento de um canal de denúncias acessível e externo, com nome e informações de contato publicamente disponíveis, e proteção contra represálias, além de consequências para violações, com procedimentos e salvaguardas, incluindo a revogação da autorização de acompanhamento.
Cultura do Cuidado

O IV Encontro da Rede Latino Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado segue até quinta-feira com reflexões e aprofundamentos sobre o trabalho de prevenção e enfrentamento aos abusos a crianças e adultos vulneráveis no ambiente da Igreja.
Participam do evento cerca de 100 pessoas, representando 18 países da América Latina e do Caribe, entre bispos, religiosas e religiosos, padres e leigos. Do Brasil, a delegação conta com secretários executivos de Regionais da CNBB e representantes de regionais da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).
Fonte: CNBB




