Sempre é tempo de dizer sim à vida

O SÃO PAULO apresenta série de reportagens sobre a natalidade em tempos de pandemia

por Daniel Gomes, Fernando Geronazzo e Ira Romão

Papa Francisco abençoa gestantes e seus bebês no Vaticano em evento sobre natalidade (foto: Vatican Media)

A pandemia de COVID-19 tem deixado não apenas o saldo de milhões de mortos pela doença em todo o planeta, mas, também, intensificado uma tendência que já se observava antes do coronavírus: a redução no número de nascimentos.

Nos comparativos entre 2019 e 2020, governos e organizações que contabilizam a quantidade de nascidos vivos apontaram para a queda de 6,2% dos nascimentos no Brasil, 4% nos Estados Unidos e 3,8% na Itália. Ao falar sobre a situação no país europeu e no Velho Continente como um todo, o Papa Fran- cisco, em um evento no dia 14, alertou para aquilo que chamou de “inverno demográfico”, com mais números de mortos do que de nascidos ano a ano.

O jornal O SÃO PAULO apresenta reportagens sobre a natalidade em tempos de pandemia, com reflexões a respeito dos efetivos riscos clínicos para a gestação, fatores que desestimulam as famílias a ter filhos, ações governamentais que podem ser feitas e histórias de casais que se abriram para gerar a vida, que é sempre um dom de Deus.

ABAIXO UMA DAS REPORTAGENS DA SÉRIE. AS DEMAIS ESTÃO NOS LINKS A SEGUIR

Papa: ‘As crianças que nascem em tempos de coronavírus são um sinal de grande esperança’

Como criar uma sociedade que favoreça o desenvolvimento das famílias?

Um momento especial em meio à pandemia

Editorial – Famílias e COVID-19: cuidar, com amor e sem medo

Com os devidos cuidados, é possível ter uma gestação saudável durante a pandemia

por Daniel Gomes

‘A COVID-19 não deve direcionar a escolha do casal de adiar a gravidez’, afirma a obstetra Carolina Delage (foto: Agência Senado)

Diante do aumento de casos de COVID-19 e, consequentemente, de óbitos, nos quatro primeiros meses de 2021, uma recomendação, em abril, do secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Câmara, chamou a atenção: a de que os casais, se possível, postergassem os planos de gravidez por alguns meses, especialmente quando a mulher estiver com menos de 42 anos de idade.

Recomendar às famílias que evitem a gravidez em períodos de incerteza sanitária não é um expediente novo. Assim foi feito pelas autoridades de Saúde, por exemplo, diante da gripe HIN1, em 2009, e do surgimento do zika vírus, em 2016. Na opinião da ginecologista e obstetra Carolina Delage, contudo, com os devidos cuidados, é possível ter gestação e parto seguros e saudáveis durante a pandemia.

Em entrevista ao jornal O SÃO PAULO, Carolina conta algumas de suas experiências recentes, com pa- cientes que contraíram a COVID-19 durante a gravidez.

“Eu atendi casos de pacientes que ti- veram a COVID-19 no início da gestação, se recuperaram bem, os bebês nasceram sem qualquer sequela. Também há casos de pacientes que a contraíram no final da gestação, no terceiro trimestre, o que é até mais frequente, com o risco aumentado de parto prematuro. Todas evoluíram bem, os bebês nasceram sem sequelas e elas puderam amamentar normalmente. É uma minoria que não evolui bem, mas estes casos, infelizmente, são os que são mais ressaltados”, relatou a médica.

Cuidados especiais

Carolina ressalta que o fato de grávidas e puérperas estarem no grupo de risco para a COVID-19 não significa que a gravidez em si seja um complicador para a doença, mas que as mulheres nessa condição merecem uma atenção ainda maior e cuidados especiais para que não sejam infectadas.

“A gestante pode se resguardar fazendo trabalho na modalidade home office, tendo uma boa alimentação, com o cuidado de uma suplementação de vitaminas e minerais, além de bons hábitos de sono e ingestão hídrica, e seguindo as recomendações do uso de máscara, higienização das mãos e de evitar aglomerações”, afirma.

A idade da mulher faz a diferença?

Na avaliação da médica, a decisão pela gravidez ou não durante a pandemia não deve estar condicionada à idade da mulher. “Seria muito simplista dizer ‘mulheres com menos de 40 anos, evitem engravidar por causa dos riscos de COVID-19’, pois, se uma paciente com menos idade não tiver qualquer doença ou outro fator de risco, mas a que está com mais de 40 anos os tiver, teoricamente esta pode evoluir para um quadro pior de complicações pelo coronavírus”.

A obstetra ressalta que a gravidez é “uma decisão apenas do casal, pois não sabemos por quanto tempo a pandemia vai durar”.

Vias de parto

Ainda de acordo com Carolina, a pandemia de COVID-19 não alterou a recomendação de que se priorize os partos normais, até pelo fato de que um procedimento cirúrgico como a cesa- riana faz com que a mulher permaneça mais tempo no hospital após dar à luz, aumentando, assim, o potencial risco de sua exposição ao novo coronavírus.

“Mesmo que a gestante esteja com a COVID-19, ela poderá ter um parto normal. O que determina as vias de parto é a sua condição clínica e a do bebê”, detalha a obstetra.

Carolina lembra, ainda, que entre as gestantes que contraíram COVID-19, 86% evoluíram para quadros leves da doença, em menos de 5% a hospitalização se deu em UTI e, destas, menos de 2% precisaram ser entubadas. “Diante desse percentual pequeno, a COVID-19 não deve direcionar a escolha do casal de adiar a gravidez”, conclui.

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