Um dia para lembrar o legado da doutora Zilda Arns

Fundadora da Pastoral da Criança faleceu em 12 de janeiro de 2010, sendo uma das vítimas de um terremoto no Haiti

Doutora Zilda Arns (foto: Arquivo Pastoral da Criança)

Na quarta-feira, 12, na recordação dos 12 anos do falecimento da doutora Zilda Arns Neumann, a Pastoral da Criança fez memória de sua fundadora em um texto publicado em seu site.

“É momento de lembrar ainda mais do seu legado. Dia de reforçar ainda mais a nossa missão de levar vida em abundância, que são fundamentais os cuidados necessários nos primeiros 1000 dias de vida e que a busca por um ambiente favorável ao desenvolvimento das crianças é permanente”, consta em um dos trechos do texto.

Atualmente, a Pastoral da Criança atua em todo o Brasil, acompanhando mais 360 mil crianças, mais de 18 mil gestantes e suas famílias, zelando pelo cuidado desde o nascimento e durante toda a primeira infância. Para que isso aconteça, mais de 42 mil voluntários estão mobilizados, sendo 33 mil líderes. Juntos, eles levam a missão Pastoral da Criança para mais de 2.600 municípios, em mais de 16 mil comunidades.

Além disso, está presente em outros 11 países da América Latina, África e Ásia: Guiné-Bissau, Haiti, Peru, Filipinas, Moçambique, Bolívia, República Dominicana, Guatemala, Benin, Colômbia e Venezuela.

Para melhorar ainda mais este trabalho, a Pastoral da Criança desenvolveu o aplicativo Visita Domiciliar e Nutrição, que, além de auxiliar nosso voluntariado no acompanhamento às famílias, também possui um módulo de comunicação entre os voluntários, as famílias acompanhadas, coordenadores e multiplicadores. Com isso, são mais pessoas recebendo a melhor e mais relevante informação possível e com celeridade.

Ainda no site, é recordada a seguinte fala da doutora Zilda Arns: “Há muito o que se fazer, porque a desigualdade social é grande. Os esforços que estão sendo feitos precisam ser valorizados para que gerem outros ainda maiores. Que Deus os anime, conduza e abençoe sempre nessa caminhada de Fé e Vida, construindo a Justiça, a Paz e a Esperança para que todas as crianças tenham vida e tenham em abundância”.

VIDAS SALVAS PELA AÇÃO DA PASTORAL

Em 1983, morriam por desnutrição no Brasil 83 crianças a cada mil nascidas vivas. Essa realidade não passou indiferente à médica sanitarista e pediatra Zilda Arns Neumann, que com o Cardeal Geraldo Majella Agnelo, então Arcebispo de Londrina (PR), fundou a Pastoral da Criança.

Já no ano seguinte, o índice de mortos a cada mil nascidos vivos no País caiu para 28, já como fruto do trabalho da Pastoral, cujo objetivo é o “desenvolvimento integral das crianças, promovendo, em função delas, também suas famílias e comunidades”.

“Naquela época, as principais causas de morte das crianças eram a desidratação por diarreia e a desnutrição. Com base nisso, a principal ação da doutora Zilda foi a organização da comunidade e a busca de voluntários locais. Ela formou uma equipe e capacitou esses voluntários para acompanhar e transmitir informações simples sobre a importância do aleitamento materno, higiene, alimentação, acompanhamento nutricional, vacinas e reidratação oral para as famílias pobres”, recordou em entrevista ao O SÃO PAULO, em novembro de 2020, Caroline Dalabona, mestre em saúde pública pela USP e nutricionista da equipe técnica da coordenação nacional da Pastoral.

Nos anos seguintes, a Pastoral da Criança incentivou a disseminação do soro caseiro, os cuidados com a higiene nas famílias, o aleitamento materno, o consumo de alimentos saudáveis e lutou por melhorias no saneamento básico no Brasil.

Um dos marcos da Pastoral foi a criação da multimistura, que poderia ser feita pelas pessoas em suas próprias casas, a partir do aproveitamento integral dos alimentos, incluindo cascas e sementes, bem como a priorização de alimentos frescos, como frutas e verduras.

(Com informações da Pastoral da Criança)

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