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A importância da formação moral dos filhos

Creio ser de grande importância, diante de tudo o que estamos vivendo no Brasil e no mundo, refletirmos mais profundamente sobre a formação moral das crianças. O movimento de relativização que toma conta da nossa sociedade moderna há séculos traz, nos últimos anos, consequências bastante assustadoras – vemos, diante de nossos olhos, a destruição de costumes, tradições, valores e instituições que sustentam a dignidade humana e o convívio social equilibrado. Hoje, nos surpreendemos com reivindicações absurdas como o direito de, sendo pessoa, se manifestar como animal, ou o direito de destruir patrimônios públicos por pensar de modo diferente, enfim, existe um relativismo moral em vigência que, em última instância – se nada fizermos –, levará a sociedade à sua autodestruição. 

Iniciemos definindo moral: é o conjunto de regras, valores, costumes e normas de conduta aceitos por um grupo social para orientar o comportamento humano e definir o que é certo ou errado, bom ou mau, com o objetivo de organizar a convivência coletiva. Segundo Santo Tomás de Aquino, há na pessoa um hábito inato da razão prática de reconhecer os primeiros princípios da ação moral universal (sindérese), ou seja, há um “saber inato” que inclina a pessoa a reconhecer um ato bom ou mau no âmbito geral. No entanto, a moral, propriamente dita, só se dará quando a pessoa é capaz de julgar com sua própria razão a retidão ou não de um ato em uma determinada situação. Sendo assim, precisamos educar as crianças para que aprendam os princípios e valores que as conduzirão a juízos retos e adequados, a fim de que possam decidir como convém ou não agir. 

Na primeira infância, até os 6 anos, as crianças ainda não têm a racionalidade lógica e temporal em funcionamento, ainda são muito concretas e movidas por seus impulsos afetivos e, portanto, quase sempre, agem em busca de contentamentos imediatos de seus desejos. Nessa idade, os adultos precisam ser a presença que estabelece hábitos bons, ou seja, hábitos que conduzem os pequenos às boas ações. Também são os pais, adultos de total confiança e verdadeiros inspiradores dos pequenos, que os corrigirão quando agirem mal. Esses bons hábitos bem estabelecidos serão a base para a conquista das virtudes morais. A partir dos 7 anos, as crianças entram no que chamamos de idade da razão, ou seja, se tornam gradativamente mais capazes de raciocínios abstratos, de identificar causa e consequência e de perceber racionalmente o que suas atitudes causam no ambiente, julgando com maior precisão se são boas e adequadas ou não. Evidentemente, ainda precisam de muita ajuda dos pais e dos adultos que as rodeiam, afinal, estão em formação. Conversar, ajudar a criança a levantar critérios, a identificar o que de bom ou de ruim pode derivar de uma determinada atitude, possibilitar que assumam, com responsabilidade, as consequências de atitudes ruins que tomaram ou que sejam cumprimentadas pelas boas atitudes são ações importantíssimas para que os filhos alcancem uma boa formação moral. 

Como pais atentos, é natural que identifiquemos nos filhos boas e más tendências, que percebamos quais são as virtudes que eles tendem a adquirir com maior facilidade e as que precisarão ser mais estimuladas. Esta é uma parte importante da missão educativa da família: dar exemplos, colocar pequenas metas diárias daquelas virtudes que precisam ser adquiridas, ajudar os filhos a identificarem o bem e a querê-lo com gana. 

Se os pais estiverem atentos e comprometidos com essa importante base moral, certamente, apesar das mais diferentes influências, os filhos terão construído uma base sólida para se guiarem pela vida e, provavelmente, mesmo que tropecem em alguns obstáculos, terão um lugar seguro para se ancorar. Não percam essa oportunidade. Nosso mundo precisa urgentemente disso. 

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